Esporte

Atenas, Londres ou Rio: possíveis legados para os Jogos-2024

02/02/2017 13h01

Lausana, Suíça, 2 Fev 2017 (AFP) - Entre a dinamização de Barcelona, as sedes abandonadas de Atenas, o exitoso plano de Londres e as muitas dúvidas depois dos Jogos no Rio, o legado deixado pelas diferentes sedes variou muito e deixou uma lição para as cidades candidatas a sediar os Jogos de 2024.

Paris, Londres e Budapeste competem para organizar a edição deste ano. O anúncio do vencedor vai ser realizado em setembro, em Lima, no Peru.

- Atenas 2004, as novas ruínas -"Em Atenas, como em Sochi, não se pensou no depois dos jogos", falou o historiador francês Nicolas Bancel, professor da Universidade de Lausanne da história do esporte.

"Além disso, as infraestruturas foram muito caras de construir, mas não duraram no tempo", acrescentou.

"O caso de Atenas é particular porque a maioria dos equipamentos, construídos na periferia, não foram reutilizados. O espetáculo das novas ruínas atenienses foi o que nos fez refletir", detalhou Bancel.

Outro especialista do movimento olímpico, Jean-Loup Chappelet, diretor do instituto de estudos de administração pública da Universidade de Lausanne, faz um balanço mais positivo: "Sim, tem elefantes brancos em Atenas, mas também tem coisas positivas, como transporte, trechos de caminhada ao redor da Acrópoles, etc".

"Mais de dois terços dos gregos avaliaram como positivos os Jogos, em uma pesquisa realizada 10 anos depois, inclusive quando se fala dos custos", acrescentou.

- Londres 2012, positivo com nuances -Para Chappelet, o balanço dos Jogos de Londres, com as melhoras no oeste da cidade, "é globalmente positivo, mas o estádio olímpico foi muito difícil de reutilizar. A transformação para que o (Clube de futebol) West Ham o usasse foi muito cara".

Sebastian Coe, presidente do comitê de organização inglês, acreditava que no dia seguinte ao final dos Jogos na capital britânica, seria possível comparar o evento com o de Barcelona. Para Coe, "os dois Jogos transformaram as cidades de maneira profunda".

Christophe Dubi, diretor dos Jogos no Comitê Olímpico Internacional (COI) pontua os problemas com a herança não-material.

"A organização fez a promessa de inspirar uma nova geração, como a mudança na prática de esporte nas escolas. Mas o esforço caiu e o legado imaterial não se completou como deveria", explica Dubi.

- Sochi 2014, a mudança de perspectiva -Considerados os Jogos mais caros da história (50 bilhões de dólares), o evento olímpico de inverno de Sochi-2014, organizado em uma cidade turística de inverno e verão, procura encontrar uso para as luxuosas instalações.

A zona de Sanki está reservada para treinamento de atletas de saltos de esqui e bobsleigh, enquanto a sede de Rosa Khutor recebeu 800.000 visitantes no inverso passado e 1,1 milhões no verão, segundo dados oficiais.

A Fisht Arena, onde foram realizadas as cerimônias de abertura e encerramento, foi reformada e vai receber jogos do Mundial de 2018.

Mas Dubi admite que Sochi esperava mudar a perspectiva do COI. "A partir de 2014, sugerimos que as cidades candidatas passem a utilizar as infraestruturas já existentes, temporais ou até mesmo fora da cidade", explica.

- Rio 2016, o desafio da transformação -Os Jogos do Rio permitiram a cidade melhorar a rede de transportes, a oferta turística, com uma maior rede de hotéis, e o urbanismo, com a reformulação da zona portuária.

Mas, no que diz respeito a reutilização das instalações esportivas, a história muda de figura. As diferentes autoridades não estabeleceram datas para trabalhos de adaptação.

A Arena do Futuro, sede do handebol, deveria se transformar em quatro escolar para jovens de bairros pobres do Rio. O comitê organizador confirmou que o projeto está vigente, mas que a prefeitura da cidade, que teve mudanças no gabinete depois das eleições municipais, ainda estuda o plano.

Além disso, o parque olímpico está fechado desde o fim das Paraolimpíadas e só vai abrir dia 5 de fevereiro, para um jogo amistoso de vôlei de praia.

A maior questão é o abandono do Maracanã, que está no meio de um imbróglio político-jurídico entre o Comitê Rio-2016 e a empresa que tem a concessão do estádio.

"O plano de legado do Rio é bom, mas ainda não se materializou", sublinhou Dubi. Para ele, "o maior desafio é reutilizar o que foi construído".

bur-ebe/pm/psr/am

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