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Fraqueza mental e contratações equivocadas: os motivos do vexame do PSG

Reuters / Sergio Perez
Imagem: Reuters / Sergio Perez

09/03/2017 16h58

Barcelona, 9 Mar 2017 (AFP) - Uma preparação tática e psicológica perdedora, falhas individuais, uma falta de liderança, mas também contratações que não vingaram: seguem algumas das razões do fiasco histórico do Paris Saint-Germain em Barcelona, onde foi eliminado da Champions ao perder por 6 a 1, após ter vencido a partida de ida por 4 a 0.

Fraqueza mental e falta de liderança

Thomas Meunier, lateral do PSG, não costuma ter papas na língua, tanto nos bons quanto nos maus momentos: "Acho que tomamos um soco na cara ao ver o entusiasmo catalão, não soubemos inverter a situação e foi isso que acabou com a gente".

Falta um líder no PSG, um xerifão, capaz de comandar as tropas. Para Dominique Bathenay, ex-jogador da seleção francesa, o culpado é Thiago Silva, zagueiro e capitão parisiense. "Ele não é um líder. Ele não consegue tirar o máximo dos companheiros e estar na linha de frente nos momentos mais difíceis", afirmou ao diário esportivo francês L'Équipe o ex-jogador do Saint-Etienne e do PSG nos anos 70 e 80.

Com a atuação diante do Barcelona, ressurge o debate sobre o zagueiro brasileiro, que, quando era capitão da seleção, já havia sido alvo de chacota e críticas ao chorar copiosamente na Copa do Mundo-2014, antes da decisão por pênaltis do jogo do Brasil contra o Chile.

O técnico Unai Emery não foge da culpa: "No primeiro tempo, foi nossa culpa, não conseguimos manter o ritmo do jogo de ida, ter mais personalidade com a bola e pressionar a saída de bola".

A ausência do experiente Thiago Motta (34 anos), lesionado, também jogou contra. Quando a equipe está em dificuldades, o brasileiro naturalizado italiano mostra seu valor ao quebrar o ritmo do jogo para ganhar tempo.

Tática mal planejada

Emery, elogiado após a vitória por 4 a 0 na ida, se vê criticado pelas escolhas de terça-feira. "Acredito que a estratégia do PSG no início do jogo era uma estratégia que deixava os jogadores sem confiança, porque estavam muito recuados, em posição defensiva", analisou Lilian Thuram, campeão do mundo com a França em 1998.

"Com 2 a 0, as emoções positivas estão todas do lado do Barcelona e acredito que a dúvida se instaura do lado do PSG", continuou.

Bathenay também dá sua impressão sobre a escolha de Emery: "Eles recuaram demais (...) Não se pode entrar em campo na ponta dos pés defensivamente como fizeram. Quando se entra em campo assim, é difícil reverter o panorama do jogo".

Falhas individuais

Nesse quesito, Thomas Meunier se mostrou novamente lúcido: "Cometemos muitos erros inaceitáveis para uma equipe como o PSG, que tinha tudo a seu favor desde o início do jogo, então na minha opinião entregamos o jogo, com gols incríveis, no mínimo incomuns. Ao invés de rivalizar, recuamos, nos deixamos ser dominados e vitimizados".

Os defensores --Meunier, Thiago Silva, Marquinhos, Kurzama e o goleiro Trapp-- não são os únicos culpados. Angel Di Maria, herói do jogo de ida, teve a bola no pé para marcar o segundo gol, mas ignorou o mais bem posicionado Edinson Cavani e desperdiçou a chance.

Contratações que não vingaram

O mal é mais profundo do que as circunstâncias de uma partida. Na pré-temporada, o zagueiro brasileiro David Luiz deixou o PSG rumo ao Chelsea e Zlatan Ibrahimovic preferiu continuar a brilhante carreira no Manchester United. Com isso, era necessário contratar repor a zaga e o ataque com grandes nomes. Os dirigentes do PSG, porém, estranhamente não optaram por este caminho.

O clube trouxe um volante, Krychowiak, para substituir Thiago Motta, mas o polonês vem fazendo temporada ruim; um atacante veloz, Jesé, mas o ex-reserva do Real Madrid não se encaixou na equipe e foi emprestado ao Las Palmas; um meia de criação, Ben Arfa, pouquíssimo utilizado no PSG de Emery. Apenas Meunier se tornou peça importante, mas teve atuação desastrosa ao tentar conter Neymar.

Na janela de transferência de inverno, em janeiro, veio Draxler, que vem brilhando e já caiu nas graças da torcida. O problema é que a posição não era uma carência para o clube, que já contava com inúmeros meias ofensivos habilidosos (Lucas, Pastore, Di Maria, Ben Arfa, além dos recém-chegados Lo Celso e Guedes).

Os olhares e as críticas vão certamente se virar agora sobre Patrick Kluivert, diretor de futebol do PSG, contratado nesta temporada para encontrar novos valores e conduzir as negociações de transferências.

cda-pgr/adc/am

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