Esporte

Chapecó abraça 'irmãos' do Atlético Nacional antes da Recopa Sul-Americana

03/04/2017 18h46

Chapecó, Brasil, 3 Abr 2017 (AFP) - Seria a final da Copa Sul-Americana-2016, mas a tragédia decidiu que a Chapecoense e o Atlético Nacional só se enfrentariam em campo quatro meses depois, disputando a Recopa continental que pouco valerá pelo resultado, mas sim pelo reencontro de dois clubes unidos para sempre pela dor.

Chapecó jamais esquecerá a noite de terror de 28 de novembro de 2016, quando perdeu sua equipe em um acidente aéreo nos arredores de Medellin, onde morreram 71 pessoas, nem a dor daqueles dias negros.

Os dias sombrios foram iluminados pelas camisetas brancas vestidas por milhares de torcedores que lotaram o estádio Atanasio Girardot, em 30 de novembro, no mesmo dia e na mesma hora em que deveria ter sido disputada a partida contra a Chapecoense.

Não houve cantos de festa, nem jogo, mas Medellin quis estar presente para homenagear os que se foram e mostrar para a distante cidade de Chapecó que ela não estava só.

Aquele abraço mandado a 7.000 km de distância chegou com força a uma cidade ferida, que por trás da partida sempre se sentiu reconfortada pela Colômbia, voltada em dar toda o suporte aos seis sobreviventes -quatro deles brasileiros- e em agilizar a repatriação dos falecidos.

Pouco depois, o Atlético Nacional, campeão da última Copa Libertadores, pediu à Conmebol que a Chapecoense fosse declarada vencedora da Sul-Americana, o troféu mais importante nos 43 anos de história do clube catarinense.

- Todos na rua -Agora, quatro meses depois do acidente, quando a dor aguda da perda reforçou a união entre as famílias, a torcida e o clube, Chapecó se voltou para o objetivo de receber em sua casa os colombianos.

A partida de ida da final da Recopa Sul-Americana, nesta terça-feira, se transformou na desculpa ideal para que a cidade devolvesse todo o carinho que recebeu de uma equipe que já considera "irmã". Até a prefeitura de Chapecó decretou feriado escolar.

Ao som da música "Amigos para siempre", a delegação colombiana foi recebida nesta segunda-feira, na pista do aeroporto, pelo prefeito Luciano Buligon e pelos aplausos e cantos de dezenas de torcedores da Chape.

Lá, com sua camisa verde -cor de ambos os clubes-, estava Marinés Muniz, uma empregada doméstica de 63 anos, que quis agradecer pessoalmente a ajuda dos colombianos nos momentos mais difíceis.

"O Atlético Nacional fez muito por nós e nunca poderemos repagar. Por isso estamos aqui para dar as boas-vindas e amanhã vamos continuar", afirmou.

Para que nenhum detalhe escapasse, a Chapecoense definiu o programa de homenagens junto com uma empresa de eventos dirigida por um dos responsáveis pela cerimônia de ascendimento da tocha olímpica nos Jogos Rio-2016.

No dia do jogo, será instalada uma área para os torcedores em uma praça da cidade, que convocou os 200.000 habitantes da região para lotarem as ruas.

O chamado parece ter surtido efeito e os 20.000 ingressos para a partida na Arena Condá foram esgotados no sábado.

- Cápsula do tempo -Do centro da cidade, os 'torcedores' -vestidos preferencialmente com camisetas brancas por cima do uniforme verde da Chapecoense- andarão juntos até o estádio, no qual darão um "grande abraço" antes do jogo.

Lá começará o que a organização batizou de "Show de Agradecimento", durante o qual será lembrada a história do clube e revelada a "Cápsula do tempo", um monumento que será preenchido com cartas de torcedores de ambos os clubes e que, após viajar até a Colômbia, voltará para Chapecó, onde ficará instalada no futuro "Parque Medellín".

Após a projeção de uma série de vídeos no intervalo, as homenagens serão concluídas com fogos de artifício ao fim da partida.

Em um clube assolado pela emoção, é fácil esquecer que a partida de terça-feira valerá um titulo oficial e continental, algo impensável para a Chapecoense há sete anos, quando o clube ainda militava na 4ª divisão. Uma mensagem que o técnico Vágner Mancini tenta passar a seus jogadores.

"Não é qualquer jogo. Tem um peso muito grande para a história da Chapecoense e de todos nós (...) Queremos um estádio cheio. Será um jogo de manifestações, homenagens justas, mas principalmente é preciso encará-lo como a decisão de um campeonato", afirmou o técnico à imprensa.

Mas, há quatro meses, o futebol em Chapecó se tornou algo muito maior do que um jogo.

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