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Milhões de dólares desviados da Conmebol no Fifa Gate

27/04/2017 22h51

Santiago, 28 Abr 2017 (AFP) - Ao menos 140 milhões de dólares foram desviados da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) no escândalo conhecido como "Fifa gate", revelou à AFP o presidente da instituição, Alejandro Domínguez.

"Neste cenário, são mais de 140 milhões de dólares desviados da Conmebol", detalhou Domínguez, depois de auditoria apresentada nesta quarta-feira durante o 67º Congresso da instituição.

A auditoria foi realizada pela empresa americana Ernest & Young, a pedido de Domínguez no ano passado. O resultado da apuração indicou que "operações suspeitas foram registradas nos períodos entre 2000 e 2014, durante as gestões de Nicolás Leoz e Eugenio Figueredo", ex-presidentes da Conmebol que estão em prisão domiciliar.

Mas o relatório cita uma operação mais ampla, entre 2001 a 2015, e que também inclui a gestão do paraguaio Juan Angel Napout, que cumpre prisão domiciliar.

Leoz, Figueiredo e Napout são acusados no caso de suborno do "Fifa Gate", que envolve 40 ex-diretores do futebol mundial, metade deles latino-americanos.

Dos 40 acusados, 20 já se declararam culpados para tentar diminuir as penas, que ainda não estão definidas. Os envolvidos são acusados de fraude bancária e conspiração, e podem pegar até 20 anos de prisão. Os demais estão sendo julgados pelos mesmos delitos em seu países.

- Transferências milionárias -Segundo a investigação, Leoz "transferiu 26.951.070 dólares de duas contas bancárias da Conmebol para duas contas pessoais" durante sua longa gestão, entre 1986 e 2013.

A partir de 2001, a Conmebol realizou transferências de fundos de 58 milhões de dólares para diferentes empresas, que atualmente estão envolvidas na fraude "Fifa gate". A auditoria indicou que os desvios "são institucionais em benefício próprio".

William Burk, responsável por apresentar os resultados da investigação durante o congresso, revelou que "a auditoria foi realizada durante dez meses e reuniu quase dois milhões de documentos eletrônicos".

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, destacou a intenção da instituição de entregar a auditoria. Para ele, é um sinal de transparência quase dois anos depois da justiça americana revelar o esquema de corrupção no futebol mundial.

A apuração do caso tem 236 páginas e descreve 92 crimes, em 15 esquemas de corrupção, durante 24 anos de gestão da entidade. Empresários de marketing esportivo também estão envolvidos.

"Os documentos de hoje estão diante de nós, são prova de transparência", afirmou Infantino. "Foram tempos complicados, muito difíceis, mas passou. Agora temos que nos concentrar no futuro. Temos que mostrar que somos transparentes e que estamos abertos".

A auditoria da Conmebol foi entregue à Procuradoria americana. A instituição anunciou que vai tomar as medidas judiciais com os envolvidos.

Desde a eleição, Domínguez realizou uma série de investigações, com as quais busca passar a limpo a organização. O atual mandatário quer que a justiça chegue aos mais de 20 dirigentes envolvidos nos casos de corrupção e apresentar uma nova face da instituição.

- "Nova Conmebol" -"É preciso felicitar essa nova Conmebol, por ter o novo espírito e essa nova forma de trabalhar", afirmou Infantino à alta cúpula dos dirigentes das confederações dos cinco continentes.

Em setembro do ano passado, em Congresso realizado em Lima, a direção da Conmebol liderada por Domínguez, decidiu modificar o estatuto para limitar os períodos nos cargos, além de novas normas para assinar contratos.

Além disso, a Conmebol foi à justiça americana para encerrar a relação contratual com a International Soccer Marketing Inc (ISM), que comercializa de maneira exclusiva os direitos de patrocínio da Copa Libertadores da América e que está envolvida em casos de corrupção.

A política de transparência de Domínguez rendeu frutos à Conmebol no fim do ano passado, quando a Fifa decidiu descongelar os fundos de desenvolvimento retidos depois do escândalo.