Esporte

O mundo segundo Gianni Infantino, presidente da Fifa

08/05/2017 15h38

Manama, 8 Mai 2017 (AFP) - Quando Gianni Infantino apoia um candidato, mesmo que não seja de maneira oficial, esse aspirante toma o poder: Aleksander Ceferin na Uefa e Ahmad Ahmad na Confederação Africana (CAF) são os melhores exemplos. O mandatário da Fifa parece estar redesenhando o mapa do poder no futebol.

"Muitos falavam dos 29 anos de Issa Hayatou à frente da CAF. Hoje, Ahmad o substituiu e esses mesmos acusam Infantino de ter supostamente se intrometido", garante um assistente do dirigente ítalo-suíço, que considera as críticas ao sucessor de Sepp Blatter "injustas e que é preciso ver o que foi realizado em um ano".

Infantino vai presidir, na quinta-feira, o segundo congresso da Fifa, no Bahrein.

Apesar do pior escândalo de corrupção da história da Fifa ainda ressoar, o antigo braço direito de Michel Platini na Uefa marcou o início de seu mandato com algumas decisões importantes em sua gestão.

Infantino nomeou a senegalesa Fatma Samoura como secretária-geral, a primeira mulher a assumir o cargo na história, e aprovou a disputa da Copa do Mundo com 48 seleções a partir de 2026.

Ao mesmo tempo, várias confederações mudaram de presidente "por causa de Infantino ou com seu apoio", afirmou um membro da Fifa.

O esloveno Ceferin assumiu a Uefa e o malgaxe Ahmad Ahmad sucedeu Hayatou, em março, na Confederação Africana. Ambos contavam com a torcida de Infantino.

- "Métodos de Blatter" -Eleito sobre um programa de reformas e de ajudas às federações, Infantino "dirige a Fifa com os métodos de Blatter, com promessas, mas com a diferença de que já não tem opositores", analisa um antigo membro da entidade.

Segundo várias fontes, o mandatário administrou a Uefa "de maneira muito autoritária e rodeado de pessoas leais".

Infantino pode contar agora com desertores da entidade europeia, como Philippe Le Floc'h, diretor comercial; Urs Kluser, ex-agente de integridade da Uefa e que se tornou o chefe de gabinete de Samoura; o congolês Veron Monsengo Omba, antigo secretário da Comissão de Disciplina da Uefa e novo diretor de Desenvolvimento para África e Caribe, que acompanhou de perto a chegada de Ahmad.

O norueguês Kjetil Siem é o responsável pelos assuntos estratégicos e foi muito útil, segundo várias fontes, para convencer os países escandinavos a apoiarem a eleição de Ceferin.

"Assistimos a uma confederação da Fifa que dá cada vez mais protagonismo para as confederações que não são membros estatutárias, junto com um controle maior que tende a suprimir qualquer oposição no Conselho", garante o antigo responsável pela entidade.

Na África, Ahmad tirou o camaronês Hayatou do poder. O ex-dirigente preferia que o xeque do Bahrein, Salman bin Ibrahim Al-Jalifa, assumisse a Fifa em vez de Infantino. O ítalo-suíço, que começou seu mandato visitando a Nigéria e o Sudão do Sul, além de passear por outros países do continente africano antes das eleições da CAF, foi acusado de intromissão.

- Controles à comissão de ética -"Não é impossível que algumas pessoas tenham transmitido elementos para a Comissão de Ética da Fifa", afirma uma fonte próxima à CAF. "Não há nenhuma investigação aberta", replicou Roman Geiser, porta-voz da Comissão de Ética, para a AFP.

Mas ainda resta um elemento perturbador: segundo uma fonte próxima, a Fifa retirou da ordem do dia do próximo congresso, a poucos dias antes do encontro, um pedido de Ruanda que previa conceder um salário aos presidentes de cada uma das federações nacionais.

Mas ao mesmo tempo, esta medida surpreendente e inédita poderia ser adotada pela Confederação Africana, durante assembleia-geral extraordinária da CAF, que vai ser realizada pouco antes do congresso da Fifa.

Cada presidente de federação africana ganharia aproximadamente 20 mil dólares ao ano.

"Foi uma promessa de campanha de Ahmad. Daí para dizer que se trata de uma medida eleitoreira...", destaca uma fonte próxima da CAF.

Depois da demissão de Domenico Scala, presidente da Comissão de Auditoria da Fifa, que pôs em questão a independência de alguns órgãos responsáveis pela investigação de membros da entidade, um ponto se mantém na ordem do dia do Congresso: o futuro dos chefes de Comissão de Ética da Fifa, o magistrado suíço Cornel Borbély e o alemão Hans-Joachim Eckert, cujos mandatos chegam ao fim.

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