Esporte

A mudança tática de Conte que devolveu vida ao Chelsea

12/05/2017 19h09

Londres, 12 Mai 2017 (AFP) - Não é habitual que o momento decisivo de uma corrida pelo título aconteça em setembro, muito menos que seja possível definir o momento exato responsável pela conquista, mas foi isso o que aconteceu com o Chelsea nesta temporada.

Depois de empatar com o Swansea e ser derrotado pelo Liverpool, o Chelsea perdia por 3 a 0 para o Arsenal antes do intervalo, dia 24 de setembro de 2016.

Mas aos 10 minutos da segunda etapa, o novo treinador da equipe, o italiano Antonio Conte, implementou a formação 3-4-2-1, traçou o horizonte e não olhou para trás.

Os Blues perderam a partida para os Gunners, mas não sofreram gols depois da mudança. A partir do dia seguinte, foram 13 jogos seguidos vencendo, o que permitiu o título.

"Tudo mudou no jogo contra o Arsenal", revelou o belga Eden Hazard ao jornal The Guardian. O camisa 10 recuperou todo seu brilho no time dirigido por Conte.

"Foi um ponto de virada. Perdíamos por 3 a 0 e estávamos abatidos. Mas nos unimos, a comissão técnica e os jogadores, e decidimos que as coisas iam melhorar", comentou Hazard.

- Onde tudo mudou -A partir daí, o Chelsea marcou muitos gols e levou poucos. Venceu o Manchester United de José Mourinho por 4 a 0, goleou o Everton por 5 a 0 e virou para cima do Manchester City de Pep Guardiola, vencendo por 3 a 1.

Assim como na temporada anterior, comandada por Mourinho, o Chelsea perdeu fôlego no segundo turno, mas já tinha cimentado o caminho para o título e conseguiu aguentar a pressão do Tottenham.

Conte, que chegou ao cargo depois de comandar a Itália na Eurocopa de 2016, é reticente para atribuir tanta importância para a mudança tática contra o Arsenal, mas admitiu que a derrota ficou marcada na memória.

"Foi um golpe, certamente", explicou em fevereiro. "Normalmente meu times não sofrem três gols no primeiro tempo, então foi um golpe. Eu comentei para os meus jogadores que não queria mais isso", acrescentou.

"Trabalhamos muito para evitar que voltasse a acontecer no futuro. Mas sempre tenho em mente aquele jogo, está sempre presente", contou Conte.

- Intensidade febril -As mudanças após a derrota no Emirates Stadium foram profundas.

O lateral direito sérvio Ivanovic perdeu a titularidade e saiu do clube em janeiro, junto com o nigeriano John Mikel Obi e o brasileiro Oscar.

O emblemático capitão John Terry, que não participou do jogo por conta de lesão, não recuperou a titularidade e vai encerrar os 22 anos de relação com o clube no fim da temporada.

Os três zagueiros de agora são o inglês Gary Cahill, o espanhol César Azpilicueta e o brasileiro David Luiz, que se revelou uma peça sólida e tranquilizadora, depois do inesperado regresso ao clube de Londres.

Victor Moses, que jogou pouco com Mourinho, e o espanhol Marcos Alonso, contratado por 23 milhões de euros, foram os volantes de contenção.

Já o talentoso Hazard recuperou a boa forma do ano de 2015 e levou o Chelsea ao título mais uma vez.

O espanhol Pedro reencontrou o bom futebol, enquanto o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa voltou a demonstrar cheio de gol e balançou as redes 20 vezes. O atacante também abandonou as polêmicas.

Conte dirigiu a equipe com intensidade febril, transformando-se em um grande motivador ao lado do campo. O treinador foi um espetáculo que deixou os torcedores encantados.

As reações ao seu estilo único variam desde o riso até a inveja. Por exemplo, Mourinho acusou Conte de comemorar os gols do Chelsea sobre o Manchester em outubro de maneira excessiva, enquanto o francês Arsène Wenger revelou que acha o estilo defensivo demais.

Mas Conte leva no seu ritmo e tem motivos para a felicidade. Depois de conquistar a liga, o Chelsea pode se preparar para a final da Copa da Inglaterra, dia 27 de maio, contra o Arsenal.

Se conquistar a FA Cup, Conte pode imitar o compatriota Carlo Ancelotti, que venceu as duas competições em sua primeira temporada na equipe.

thw-al/pm/fa

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