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Gramado de palco da Copa do Mundo vira desafio para organizadores

OLGA MALTSEVA / AFP
Estádio do Zenit apresenta problemas no gramado Imagem: OLGA MALTSEVA / AFP

12/06/2017 14h55

O estádio de São Petersburgo deveria ser a vitrine da Copa das Confederações e da próxima Copa do Mundo, mas o novo palco ficou marcado por faraônicos custos de construção e pelo mau estado do gramado, que gera mais motivos de preocupação do que de orgulho.

As autoridades tiveram que trocar o gramado a menos de um mês do jogo de abertura da Copa das Confederações, que começa no próximo sábado (17), já que o primeiro que tinha sido instalado se degradou rápido demais.

A construção da Zenit Arena, iniciada em 2007, protagonizou vários problemas e o projeto teve que ser alterado algumas vezes. A capacidade do estádio é de 68 mil pessoas, mas o valor de custo ultrapassou os 670 milhões de euros.

Em agosto de 2016, a empresa responsável pelos trabalhos abandonou a obra e foi substituída por outra, que prometeu entregar o estádio antes do fim do ano.

Foi o último dos episódios de uma extensa saga de valores desproporcionais, prazos não cumpridos e escândalos de corrupção que rodeiam a organização da Copa do Mundo de 2018.

"Deveríamos receber um estádio de conto do fadas, o melhor do mundo, em um Estado ideal", resume o opositor Alexeï Navalny, em vídeo que relata sua investigação sobre a construção do estádio.

"Roubaram dinheiro", denuncia o vídeo publicado na internet, aproximando o montante desviado pelos responsáveis russos na casa dos 500 milhões de euros.

Em 2016, o antigo vice-governador de São Petersburgo, Marat Oganessian, encarregado de fornecer o placar do estádio, foi detido com suspeitas de desviar mais de 800 mil euros.

Para a Rússia, a Copa das Confederações é uma espécie de ensaio geral para o que vai ser a Copa do Mundo dentro de um ano. Sobretudo para avaliar as infraestruturas esportivas para a competição do ano que vem.

No entanto, os desafios continuam sendo muitos, entre eles o estado lamentável dos campos de vários estádios, a começar por São Petersburgo, onde uma parte do campo está sem grama.

Problemas de estabilidade

Além dos problemas relacionados ao gramado, também foi detectada uma falta de estabilidade do terreno retrátil, colocando em dúvida se o estádio pode ainda sediar jogos das Confederações.

Depois de dois jogos disputados pelo Zenit, as autoridades preferiram realizar as partidas em outro local, para "conservar o gramado".

O engenheiro chefe da Zenit Arena, Konstantin Kremlinski, acusou a empresa encarregada do campo de preparar mal o gramado e que a grama instalada pela sociedade Bamard sofria em fungos e mofo, em entrevista ao jornal RBK.

Por outro lado, um representante da Bamard afirmou à AFP que a empresa cumpriu sua parte do contrato e lembrou que a Fifa aprovou o estado do gramado quando o estádio foi apresentado.

Os problemas chegaram mais tarde, precisou o representante, "talvez quando as condições da primavera não permitiram manter a qualidade do gramado normalmente".

De fato, a primavera de 2017 na Rússia foi particularmente fria e longa.

Clima inóspito

Mas o estádio de São Petersburgo não é o único a ser alvo de duras críticas. Em março, o português José Mourinho, criticou o estado do campo de Rostov, antes da partida pela Liga Europa.

"Acho difícil acreditar que vamos jogar nesse campo, se é que podemos chamar isso de campo", criticou duramente o treinador do Manchester United.

Em resposta, a liga russa fechou o estádio durante duas semanas, para dar tempo de que o gramado melhorasse.

Para Boulat Litvinov, diretor comercial da Kazan Arena, outro estádio sede das competições, o clima inóspito do país e o calendário do campeonato russo são as origens dos problemas

"Vamos ser claros: o clima na Rússia não favorece o cultivo de um gramado natural", declarou Litvinov à AFP.

"E o calendário da liga russa também não é o mais prático, porque alguns jogos são programados para início de dezembro, com temperaturas abaixo de zero e neve", acrescentou.

O estádio de São Petersburgo também foi centro de uma recente polêmica, que indicou que algumas construções tiveram operários ilegais vindos da Coreia do Norte, o que foi admitido pela Fifa.

Questionado pela AFP, o diretor geral do Comitê Organizador do Mundial, Alexei Sorokin, minimizou o problema, garantindo que as condições de trabalho destes imigrantes "não eram muito diferentes da de outros trabalhadores".
 

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