Esporte

Primeiros indiciados pela tragédia no estádio de Hillsborough 28 anos depois

28/06/2017 09h49

Warrington, Reino Unido, 28 Jun 2017 (AFP) - Seis pessoas, incluindo quatro policiais, tornaram-se nesta quarta-feira (28) os primeiros indiciados pela tragédia no estádio de Hillsborough, em 1989, na qual 96 torcedores do Liverpool morreram - anunciou a Promotoria.

"Decidi que há evidências suficientes para indiciar seis indivíduos", afirmou Sue Hemming, da Promotoria, em um comunicado.

O texto enumera acusações relacionadas às decisões que permitiram a aglomeração causadora da asfixia dos torcedores, assim como à investigação parcial realizada posteriormente.

Os 96 torcedores do Liverpool morreram asfixiados, esmagados contra uma grade do estádio de Hillsborough, em Sheffield, em 15 de abril de 1989, durante uma partida das semifinais da Copa da Inglaterra entre o clube e o Nottingham Forest, depois que a polícia decidiu abrir os portões e as pessoas entraram de modo descontrolado no local.

Barry Devonside, que perdeu o filho Christopher, de 18 anos, na tragédia, afirmou que os parentes se reuniram para ouvir a decisão.

"Todos aplaudiram quando anunciaram que o principal oficial da polícia naquele dia foi indiciado", afirmou, a respeito de David Duckenfield.

Duckenfield, comandante do dispositivo policial que supervisionava a partida, foi acusado pelo crime de "homicídio por negligência grave" de 95 pessoas. A 96ª morreu vários anos depois, quando os aparelhos que a mantinham com vida foram desligados.

Os demais acusados são Graham Henry Mackrell, diretor de segurança do Sheffield Wednesday, clube proprietário do estádio; Peter Metcalf, advogado que representou a Polícia nas primeiras investigações; e outros três policiais do condado de South Yorkshire, Donald Denton, Alan Foster e Norman Bettison.

Os indiciamentos desta quarta-feira são o resultado da investigação, encerrada em abril de 2016, que concluiu que a morte dos torcedores foi um crime de negligência, e não um acidente, um acontecimento no qual os torcedores não tiveram qualquer culpa.

Inicialmente, no entanto, a Polícia e parte da imprensa culparam os torcedores. Segundo a versão oficial da época, eles estariam bêbados e teriam forçado a entrada no estádio sem ingressos, em um contexto em que a opinião pública estava condicionada por outra tragédia.

Três anos antes, em 1986, torcedores do Liverpool invadiram o lado da arquibancada da torcida da Juventus na final da Copa da Europa, em Heysel (Bélgica). Pressionadas contra a grade, 39 pessoas morreram antes da partida (1-0 para a Juventus).

A primeira-ministra britânica, Theresa May, que teve contato com o caso quando era ministra do Interior, elogiou os indiciamentos. Em discurso no Parlamento, disse que representam um "passo importante à frente".

A vítima mais jovem tinha apenas 10 anos, Jon-Paul Gilhooley, primo de Steven Gerrard, que anos depois se tornou um dos maiores ídolos da história do Liverpool. Mulheres e outros menores de idade também morreram na cidade.

A Promotoria não atribuiu crimes ao serviço médico nem ao clube Sheffield Wednesday, que se reestruturou e hoje existe sob outra sociedade. Acusou, porém, o homem que era diretor de segurança do clube na época, Graham Henry Mackrell, por não cumprir as normas de segurança para estádios.

"Não há mais diretores, ou outros indivíduos, na empresa e, por consequência, ninguém poderia representá-lo no banco dos réus", comentou a Promotoria, referindo-se ao Sheffield Wednesday.

À exceção de Duckenfield, os acusados comparecerão a um tribunal de Warrington, no norte da Inglaterra, em 8 de agosto próximo.

al-jwp.

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