Esporte

Contratações no futebol turco: esbanjamento, paixão e dívidas

10/07/2017 13h37

Istambul, 10 Jul 2017 (AFP) - Recebidas em aeroportos lotados de torcedores, as novas contratações do futebol turco explicitam a paixão do povo do país pelo esporte, apesar dos jogadores normalmente escolherem a Turquia como local de trabalho por conta dos grandes salários.

A "Super Lig", e mais concretamente seus três principais times - Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas - apostaram alto para trazer jogadores consagrados para o elenco: Mathieu Valbuena, Befétimbi Gomis e Pepe foram alguns dos nomes que, a partir de agora, jogarão no ponto de encontro entre Europa e Ásia.

Mas não foram só os grandes times que investiram no talento estrangeiro. Os mais modestos Antalyaspor e Basaksehir, revelação da última temporada terminando o torneio como vice-campeão, também foram buscar jogadores em outros países. O primeiro fechou com o francês Jeremy Ménez, enquanto o segundo tirou Gaël Clichy do Manchester City.

Se os jogadores fazem questão de expressar que o amor dos torcedores pelo futebol foi um dos principais motivos para aceitar a missão no país otomano, os grandes salários foram tão atrativos quanto.

Os dirigentes chegam a pagar valores acima das receitas totais do clube, um modo de operar pouco recomendável. A Turquia possui algumas das maiores rivalidades locais entre clubes, além de um nacionalismo exacerbado, e quer investir no 'show bis'.

- Clubes endividados -Desta forma, o brasileiro naturalizado português Pepe vai receber 9,5 milhões de euros por temporada, por dois anos de contrato com o Besiktas. Já o francês Gomis vai receber do Galatasaray 3,35 milhões de euros por ano.

"Atualmente, as receitas geradas por todos os times turcos chega a 1 bilhão de euros, o que seriam 4 bilhões de liras turcas. No entanto, os gastos oscilam entre 5,5 e 6 bilhões de liras, o que é uma diferença de quase 50% no que entra e sai", explicou à AFP Tugrul Aksar, especialista em economia do futebol.

"Fato é que os clubes turcos gastam atualmente um dinheiro que ainda não têm, tirando de parte das receitas futuras. É por isso que são clubes endividados", sustentou Aksar.

Segundo o economista, a Super Lig ocupa a sexta posição na lista de campeonatos europeus de maior receita. Ainda assim, "é um campeonato que gasta muito mais do que ganha".

A partir da próxima temporada, os times turcos vão receber, no total, mais de 500 milhões de dólares em direitos de televisão, propriedade do grupo Digiturk, integrante da cadeia BeIn.

Para Aksar, esse dinheiro não será suficiente para quitar as dívidas.

- 'Ajudas do governo' -Algumas destas equipes, no entanto, podem se beneficiar de ajuda governamental, indicou o economista. "Às vezes as dívidas fiscais de alguns clubes são suprimidas. Mas é quando existe interesse político por trás", indicou.

O investimento em grandes jogadores também se explica pela necessidade de melhorar a imagem do torneio, que em 2011 foi sacudida por escândalos de manipulação de resultados.

Após a crise, diminuiu o número de torcedores nos estádios, que chegou a ter a baixa média de 10.000 espectadores por jogo na última temporada.

"Para fazer com que as pessoas compareçam ao estádio, é preciso trazer jogadores conhecidos no estrangeiro. É uma questão de reputação e show bis", indicou Aksar.

Por outro lado, o sociólogo Daghan Irak, professor da Universidade de Estrasburgo (França), destacou a importante influência do movimento nacionalista sobre as negociações multimilionárias do futebol turco.

"O Estado sempre vai estar aí para ajudar os clubes, seja com exonerações ou anistias fiscais", explicou Irak à AFP.

"Na Turquia, os clubes precisam sobreviver a qualquer preço, porque estão aí para representar o país na Europa", afirmou.

Além dos grandes montantes de dinheiro, a decisão dos jogadores estrangeiros interfere na visibilidade do Campeonato Turco no continente. Não é em vão que a Turquia participa de todas as Liga dos Campeões com pelo menos um time.

"Eles vêm aqui pelo dinheiro, mas não chegam a desaparecer dos radares de seus respectivos países. Aqui, mantêm um bom nível", resumiu Serdar Dinçbayli, jornalista do Fanatik, diário esportivo mais importante do país.

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