Esporte

Janela de transferências com sotaque francês entra para história

01/09/2017 14h14

Paris, 1 Set 2017 (AFP) - Neymar por 222 milhões de euros, Mbappé por 180 mi e Dembelé por 147 mi: a janela de transferências de 2017 vai entrar para história com sotaque francês, já que dois atletas do país encabeçam as vendas mais caras ao lado da ida do brasileiro para o Paris Saint-Germain.

Quando o clube da capital francesa pagou a cláusula de rescisão do contrato de Neymar com o Barcelona, o time catalão prometeu que isso não voltaria a acontecer.

A comprovação foi a contratação de Ousmane Dembélé, ex-Borussia Dortmund, que chegou para suprir a saída do brasileiro com cláusula de rescisão de 400 milhões de euros.

- Jovens e caros -Os clubes decidiram investir alto em jovens talentos. Dembéle tem 20 anos e Mbappé, emprestado pelo Monaco com opção de compra de 180 milhões de euros, tem apenas 18 anos.

"A concorrência é cada vez mais forte entre os grandes clubes europeus, que querem o novo Messi, o novo Cristiano Ronaldo", comentou Christophe Lepetit, economista do centro de direito e economia do esporte (CDES).

Esta corrida pelos melhores jovens está financiada "pelo aumento das receitas dos clubes desde os últimos 15 e 20 anos, por conta dos direitos de televisão e patrocínio. Isso provoca uma inflação nas transferências e nos salários", acrescentou o especialista.

O salário bruto anual de Mbappé vai ser aproximadamente 18 milhões de euros por ano. Neymar, sete anos mais velho e um dos melhores do mundo atualmente, recebe 30 milhões líquidos anuais. O brasileiro só ganha menos que o argentino Carlos Tevez (38 mi).

- Fair-play financeiro -Sendo assim, a França está presente nas quatro transferências mais caras da história do futebol. O PSG trouxe Neymar e Mbappé, primeiro e segundo da lista respectivamente, pelo valor somado de mais de 400 milhões de euros.

Dembélé foi para o Barcelona para ocupar a terceira colocação, enquanto Paul Pogba deixou a Juventus há um ano para ir para o Manchester United por 105 milhões.

Nesta sexta-feira, a Uefa informou que abriu investigação para investigar o PSG por conta do fair-play financeiro (FPF), criado em 2010 com o objetivo de evitar que um clube gaste mais do que arrecada sozinho. Nem mesmo acionistas muito ricos podem ajudar a equilibrar esse déficit.

O objetivo é analisar "a conformidade do clube com a exigência do equilíbrio financeiro, em particular depois da recente atividade de contratações", indicou o comunicado.

"Nos próximos meses, a Câmara de Investigação do organismo de controle financeiro dos clubes da Uefa vai se reunir regularmente para avaliar cuidadosamente toda a documentação", especificou a Uefa em comunicado.

O clube da capital francesa já foi punido em 2014 e uma segunda infração poderia ter consequências graves. As punições podem chegar até a exclusão da prestigiosa Liga dos Campeões, o grande sonho do PSG.

Além dos 222 milhões gastos para ter Neymar, levanta suspeitas a estratégia econômica para atrair Mbappé. A cláusula que oferece opção de compra automática para o PSG é, segundo vários meios de comunicação, que o clube se mantenha na Ligue 1 nesta temporada.

A instância de controle financeiro dos clubes (ICFC) da Uefa pode considerar que trata-se de empréstimo com opção de compra obrigatória, colocando os 180 milhões de euros dos gastos não na futura temporada, mas já nesta janela.

- Investimento recorde na Inglaterra -"Espero me encontrar com o presidente (da Uefa). Quero ver com ele a possibilidade de restabelecer a realidade dos orçamentos", indicou Aurelio De Laurentiis, presidente da Napoli. Muitos dirigentes europeus compartilham o sentimento diante do mercado inflacionado.

Mas existe vida além da França. E põe vida nisso.

A Premier League, liderada por Manchester City e Manchester United, foi o campeonato que mais gastou na janela. Os clubes ingleses torraram 1 bilhão e 500 milhões de euros, quebrando o próprio recorde segundo o escritório Deloitte. Isso indica 23% mais do que o recorde anterior, feito no ano passado.

Os 85 milhões de euros da contratação do belga Romelu Lukaku, que saiu do Everton para o United, foram o recorde da vez. Mas o valor poderia ser ainda maior, caso o Monaco aceitasse os 100 milhões de euros que o Arsenal ofereceu pelo francês Thomas Lemar, o que não aconteceu.

Na Itália, destaca-se o ressurgimento do Milan, que investiu milhões de euros após a chegada de um proprietário chinês. A maios contatação foi o zagueiro Leonardo Bonucci, que deixou a rival Juventus por 40 milhões de euros. No total, os lombardos gastaram 200 milhões e também espera não ter problemas com a Uefa.

bur-pgr/cda/pm/fa

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