Esporte

Dois anos de investigações por suposta corrupção em escolha da Rio-2016

05/09/2017 16h51

Paris, 5 Set 2017 (AFP) - Estas são as principais datas que trouxeram à tona as suspeitas de corrupção no processo de escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, após dois anos de investigações:

- 4 de agosto de 2015: depois de um aviso da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre atos de corrupção cometidos por membros da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para esconder casos de doping de atletas russos, a Procuradoria financeira abre diversas investigações. É revelado um sistema de corrupção em larga escala, organizado no entorno de Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, presidente da IAAF e membro influente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Segundo a Justiça francesa, "vários elementos concordantes" permitem pensar que "os votos dos membros da IAAF e do COI foram negociados com retribuições para obter a nomeação das cidades encarregadas de abrigar as maiores competições esportivas do mundo".

- 4 de novembro de 2015: Lamine Diack é condenado pela Justiça francesa por corrupção e lavagem de dinheiro em relação a casos de doping.

- 24 de dezembro de 2015: a Justiça francesa abre uma investigação por "corrupção privada, lavagem e acobertamento em grupo organizado e participação de associação criminosa" em relação ao processo de escolha de Tóquio para os Jogos de 2020. Em julho de 2017, esta investigação se estende para a Rio-2016. Se relaciona imediatamente com a campanha judicial no Brasil contra a corrupção política, a Lava Jato, que tem inúmeros políticos como alvo.

- 1º de setembro de 2016: não são encontradas provas de corrupção relacionadas aos dirigentes japoneses após investigarem um pagamento de dois milhões de dólares feito pelo Comitê Olímpico Japonês pela organização dos Jogos de 2020. Em maio de 2016, dois juízes de instrução franceses investigam este pagamento a uma sociedade, Black Tidings, propriedade de Papa Massata Diack.

- 3 de março de 2017: o Le Monde informa que a empresa Matlock Capital Group, que gere os interesses do empresário brasileiro Arthur César de Menezes Soares Filho, pagou três dias antes da escolha do Rio para receber as Olimpíadas de 2016 a quantia de 1,5 milhão de dólares a uma empresa de Papa Massata Diack. Segundo o jornal francês, em 2 de outubro de 2009, dia da votação em Copenhague, Papa Massata Diack transferiu 299.300 dólares de sua empresa para uma estrutura - Yemi Limited - vinculada ao ex-campeão de atletismo namíbio Frankie Fredericks, que na época apurava os votos para o COI, do qual se tornou membro em 2012.

- 7 de março de 2017: Fredericks, que justificou esta transferência como pagamento de atividades de promoção do atletismo, deixou a presidência da Comissão de Avaliação dos Jogos de 2024, antes de ser suspenso pela IAAF.

- 21 de agosto de 2017: o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) confirma a suspensão vitalícia de Papa Massata Diack e de dois ex-responsáveis russos da IAAF, acusados de receber dinheiro para silenciar os casos de doping, principalmente na Rússia. A Interpol inclui o filho de Lamine Diack na lista das pessoas mais procuradas após uma ordem de prisão emitida pela França. É buscado por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção.

- 5 de setembro de 2017: a Polícia brasileira anuncia uma investigação por corrupção no processo de escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede das Olimpíadas de 2016, com possível compra de votos no COI. São realizadas inspeções, uma delas na casa de Carlos Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ex-presidente do Comitê de Candidatura e Organização da Rio-2016. Atualmente membro honorário, Nuzman, ex-jogador de vôlei, foi membro do COI entre 2000 e 2012.

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