Esporte

COI confirma Jogos de Paris-2024 e Los Angeles-2028

13/09/2017 19h44

Lima, 13 Set 2017 (AFP) - A 131ª sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou nesta quarta-feira em Lima, no Peru, a dupla atribuição das sedes dos Jogos Olímpicos para Paris, em 2024, e Los Angeles, em 2028, pela primeira vez na história.

O acordo foi selado em voto aberto pelos delegados do COI, em meio à gritaria das duas delegações. "Paris! Paris!", gritava a delegação liderada por Denis Masseglia, presidente do Comitê Olímpico Nacional e Esportivo da França.

Os prefeitos de Paris, Anne Hidalgo, e Los Angeles, Eric Garcetti, escoltaram o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, ao momento do anúncio, que pecou pela falta de suspense, já que a atribuição das sedes havia sido definida não oficialmente em julho.

A capital francesa ressaltou seu espírito de diversidade e inclusão, onde convivem pessoas de distintas crenças, etnias e ideologias, para sediar os Jogos. Los Angeles, "cool" e com alguns de seus delegados usando trajes mais informais, se mostraram ao mundo "como são" para serem os anfitriões do evento em 2028.

Paris quer celebrar em 2024 o centenário de sua segunda olimpíada, um caminho que começou em 1900, enquanto Los Angeles sediou as edições de 1932 e 1984.

- Inclusão -Antes da apresentação diante dos membros, a candidatura de Paris se concentrou na inclusão e na diversidade como os pilares para a edição de 2024.

Em árabe, inglês, alemão, francês e espanhol, os membros da delegação francesa ressaltaram esses valores. O tricampeão olímpico Tony Estanguet foi o responsável para resumir a ideia: "Paris 2024 está concebida para compartilhar".

Após a votação, o presidente francês Emmanuel Macron comentou que a nomeação da capital como sede "é um reconhecimento formidável e uma vitória da França".

Para celebrar a nomeação, Paris revelou os cinco anéis olímpicos em Trocadero, que fica em frente à Torre Eiffel, onde ex-atletas franceses como o judoca Thierry Rey e o nadador Alain Bernard se reuniram.

- O que somos -"O que vocês veem é o que somos", comentou Casey Wasserman, chefe do comitê de Los Angeles, ao subir ao palco para apresentar a candidatura americana.

Após a votação, o prefeito da cidade americana revelou à AFP que "quebramos os códigos quando o comité trocou a fórmula (de eleição das sedes). Antes, existiam pessoas no canto de uma sala celebrando e o restante chorando. Houve um sentimento real de solidariedade, cooperação e felicidade".

- Obras -Os prefeitos de ambas cidade disseram, em coletiva de imprensa ao lado de Bach, que a maioria das obras para os eventos já estão prontas ou em execução.

Garcetti se mostrou confiante de que a cidade de quase quatro milhões de habitantes, a segunda mais povoada dos EUA, vai assumir os custos dos Jogos sem dificuldades.

"Em Los Angeles temos um estádio que está sendo construído, independentemente do que acontecer. Se o valor subir, isso não fará parte do nosso orçamento. As melhoras em transporte seriam feitas se ganhássemos ou não. O campus da Universidade da Califórnia seria construído, se tivéssemos nos candidatado ou não", tranquilizou o prefeito.

Na mesma coletiva, Hidalgo revelou que Paris "tem 95% das sedes prontas. Temos meios de transporte, sistemas implementados e tudo o que é necessário. Podemos trabalhar de maneira apropriada e positiva".

Diante dos eventuais problemas de segurança, Bach disse que não vai se deixar vencer pelo terrorismo.

"Nunca diremos que, por razões de segurança, não teremos eventos. Isso seria dar uma vitória aos movimentos terroristas no mundo e isso não vamos fazer. Estamos unidos e de pé. Não estamos dispostos a nos deixar vencer pelo terrorismo", garantiu.

- Transparência -O COI respirou um pouco sobre o escândalo de corrupção envolvendo a nomeação do Rio de Janeiro como sede das olimpíadas de 2016. Ainda assim, o caso soou com força na sessão em Lima.

O encontro na capital peruana deveria ser apenas uma festa, mas se tornou dor de cabeça para as autoridades das duas cidades e para Bach.

O dirigente máximo do COI não lembrou do escândalo durante a cerimônia de abertura realizada na noite de terça-feira, no Grande Teatro Nacional de Lima mas disse que "temos regras sólidas para prevenir más condutas e punir rapidamente os comportamentos".

Bach se referiu às acusações contra o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman.

Na última terça-feira (5), as autoridades brasileiras realizaram grande operação contra o chefe da candidatura do Rio, suspeito de ter organizado o esquema de compra de votos em 2009. O objetivo era garantir que a cidade carioca superasse as concorrentes Madri, Tóquio e Chicago.

O COI espera as provas do Brasil antes de adotar medidas. Até lá, Bach vai seguir segurando a pressão que a organização sofre.

mav-ol/am/fa

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