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Antes Ibra, agora Neymar: Cavani está cansado de ser coadjuvante

CHRISTOPHE SIMON/AFP
Cavani e Neymar antes de cobrança de pênalti no jogo do PSG contra o Lyon Imagem: CHRISTOPHE SIMON/AFP

19/09/2017 16h29

Após a sombra intimidante do sueco Zlatan Ibrahimovic, chega o brilho da estrela Neymar: principal peça do Paris Saint-Germain na última temporada, o uruguaio Edinson Cavani não durou no posto de protagonista e demonstrou cansaço de ser o número dois.

No domingo, os camisa 9 e 10 do PSG disputaram quem cobraria pênalti contra o Lyon. Cavani foi o responsável e acabou desperdiçando a batida. Nos jogos contra Saint-Etienne e Celtic, Neymar já havia se aproximado do centro-avante para assumir a marca da cal, mas foi impedido mais discretamente.

Em casa contra o Lyon, a rivalidade foi mais visível após um primeiro incidente por uma cobrança de falta. No final do jogo, Cavani deixou o gramado sem olhar para a torcida e sem falar com a imprensa.

A edição do jornal "L'Équipe" desta terça-feira informou que ambos quase tiveram confronto físico no vestiário. "O tom subiu um pouco e seus companheiros precisaram intervir para evitar que a situação piorasse", afirmou o jornal, enquanto a rádio RMC indicou uma pequena discussão.

'É difícil'

Alain Roche, ex-jogador e ex-dirigente do PSG, entende a frustração de Cavani. "É difícil. É ele quem bate os pênaltis há um ano e meio, após a saída de Ibrahimovic. Não vejo que isso deveria mudar", comentou à AFP.

Roche, agora comentarista do Canal+, lamentou que o técnico espanhol Unai Emery não tenha deixado tudo claro antes da partida, definindo quem deve bater os pênaltis por antecedência.

"Se você deixa uma dúvida, é claro que Neymar vai pedir. Já fazia isso quando tinha 17 anos. No Barcelona não se mexia, esperava que Messi o entregasse a bola porque era intocável. Para ele, Cavani não é", acrescentou Roche.

Cavani pensava que já tinha sido freado pelo gigante sueco. Mas desde que Ibra deixou a capital francesa, "El Matador" recuperou o posto preferido de centro-avante e mudou de patamar na última temporada. Foram 49 gols em 50 jogos.

Mas a última janela de transferências colocou uma nova safra de estrelas no PSG. Ao lado de Neymar, o jovem Jylian Mbappé foi contratado pelo valor somado de 402 milhões de euros entre as duas negociações. Quando Cavani foi contratado ao Napoli em 2013, o clube francês desembolsou 64 milhões.

As duas contratações mais caras da história atraíram os holofotes. Além disso, joga contra o uruguaio a sua personalidade discreta e a timidez nas redes sociais.

A decisão de Neymar deixar o Barcelona foi para se tornar progonista, vencer a Bola de Ouro e marcar mais gols. Na Catalunha, Messi bloqueava o caminho.

'Jogador que se sacrifica'

"Neymar chegou como estrela, acha que como estrela deve bater todos os pênaltis. O que incomoda mais nesse assunto é que a reflexão é totalmente individual em detrimento do coletivo", lamentou Alain Roche.

Cavani é menos técnico e espetacular que Neymar, mas continua sendo indispensável para o PSG, segundo o ex-jogador.

"Quando escuto que é preciso colocar Mbappé no lugar de Cavani digo para parar. Cavani são gols, trabalho, movimentação, espaços. É um jogador que se sacrifica, corre e se desdobra defensivamente para os outros. É preciso mantê-lo", indicou.

Em outros clubes, a hierarquia dos batedores de pênalti está claramente estabelecida, como deixou entender Zinedine Zidane ao ser interrogado sobre o tema.

"Preparamos nossos jogos, sabemos quem vai bater os pênaltis e os escanteios. Mas não vou falar sobre o que passou no PSG", comentou o treinador do Real Madrid.

Em Paris, vai ser necessário que Emery ou o presidente Nasser Al-Khelaifi intervenham rapidamente, avaliou Roche.

"Isso pode se transformar em uma piada se for corrigido rapidamente. Se isso não se acertar nos próximos dias, pode se transformar em um verdadeiro problema no vestiário", indicou.

Segundo o jornal "Le Parisien", uma reunião entre os atacantes, Unai Emery e o diretor esportivo Antero Henrique está marcada para quarta-feira. Entre as ideias previstas para resolver o problema seria que "Neymar e Cavani se alternassem nas cobranças de pênalti".

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