Esporte

Camp Nou de portas fechadas em protesto pela Catalunha

01/10/2017 16h26

Barcelona, 1 Out 2017 (AFP) - O Barcelona decidiu jogar a partida contra o Las Palmas pela 7ª rodada do campeonato espanhol "a portões fechados" neste domingo (1º), alegando "a excepcionalidade" dos eventos na capital catalã pelo referendo.

A direção do clube tomou a decisão diante da "excepcionalidade" do que está acontecendo na cidade, com a organização de um referendo de independência proibido pela justiça espanhola.

"Após a negativa da Liga de Futebol Profissional de decretar o adiamento", o Barça decidiu realizar o jogo de portas fechadas.

"É um exemplo que o clube dá para que o mundo veja nossa desconformidade com o que acontece na Catalunha hoje", garantiu o presidente do clube, Josep Maria Bartomeu.

A iniciativa do Barcelona chega em uma dia tenso na Catalunha, após a intervenção policial em alguns espaços de votação para impedir a consulta popular.

Dezenas de pessoas ficaram feridas ao serem impedidas de exercerem esse direito por conta de confrontos com policiais.

- Evitar perda de pontos -O FC Barcelona "condena as ações realizadas hoje em muitos locais da Catalunha para impedir o exercício do direito democrático e da livre-expressão de seus cidadãos", acrescentou o clube em comunicado.

Bartomeu, que se declarou "muito preocupado pela situação", apresentou a ideia do jogo em portas fechadas como forma de "dar nosso apoio a todos os que estão padecendo de falta de liberdade de expressão".

O Barcelona, que anunciou sua decisão apenas 15 minutos antes do jogo, evita uma possível punição por não comparecimento.

Em caso de suspensão do jogo de maneira unilateral, o clube arriscaria perder três pontos e ver o resultado do jogo ser definido como vitória para o adversário.

Não jogar "significava uma perca evidente de pontos", explicou Bartomeu.

Ainda assim, o debate deixou vítimas. Segundo o presidente Bartomeu, um de seus vice-presidentes pediu demissão por não concordar com a decisão do clube.

Segundo a imprensa espanhola, o vice-presidente institucional Carles Vilarrubí e o dirigente Jordi Monés pediram demissão por acharem que a partida não deveria ser realizada.

A partida aconteceu e o time confirmou a liderança com mais uma vitória. Lionel Messi fez duas vezes.

"É muito esquisito e não gosto (de jogar em estádio vazio), mas precisou ser assim e nós estamos felizes com a vitória", disse o meia Sergio Busquets.

"Nossa intenção era vencer o jogo e somar os três pontos, porque no fim das contas representamos muitas pessoas e esperamos que estejam felizes com isso", afirmou o técnico Ernesto Valverde.

- A "pior experiência" de Piqué -Apesar da partida do Barça precisar ser disputada, a Liga autorizou, por outro lado, a suspensão do jogo pela segunda divisão entre o Gimnástic de Tarragona e o Barcelona B, por falta de efetivo para garantir a segurança.

Pela manhã, a federação regional calatã de futebol anunciou a suspensão de todos os jogos da categoria.

O Barcelona já havia se posicionado favorável ao "direito de decidir" no dia 20. Neste domingo, vários personagens do clube votaram ou se posicionaram a favor de fazê-lo.

O zagueiro Gerard Piqué, que convocou os catalães a votarem na quinta-feira, depositou seu voto antes de se concentrar com o time.

"Votei. Juntos somos imparáveis pela defesa da democracia", escreveu o zagueiro no Twitter.

O defensor garantiu que jogar com o estádio vazio foi "sua pior experiência profissional"

"Sou e me sinto catalão. Isto é algo que hoje, mais do que nunca, sinto orgulho do povo da Catalunha", afirmou Piqué após o jogo.

Além de Piqué, Carles Puyol também se manifestou na rede social. O emblemático ex-capitão do clube, que se aposentou em 2014, escreveu : "votar é democracia!".

Xavi Hernández, ex-meia da equipe, avaliou que o que está acontecendo com a região é uma "vergonha".

Do outro lado, o Las Palmas se posicionou favorável à unidade da Espanha. O time entrou em campo com uma bandeira do país no uniforme.

"Hoje, o que fazemos é muito simples. Com a bandeira espanhola bordada em nosso uniforme, queremos votar de maneira inequívoca em uma consulta imaginária que não nos chamaram: acreditamos na unidade da Espanha", indicou o Las Palmas em comunicado.

"Fazemos com a autoridade moral da região mais distante da capital deste reino. Fazemos isso para dizer ao mundo que sentimos dores pelo que está acontecendo", acrescentou o clube das Ilhas Canárias.

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