Esporte

COI suspende provisoriamente o Comitê Olímpico Brasileiro

06/10/2017 18h24

Lausana, Suíça, 6 Out 2017 (AFP) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta sexta-feira que suspendeu provisoriamente o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pelo envolvimento de seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, em um caso de compra de votos para assegurar a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 para o Rio de Janeiro.

O COI também suspendeu Nuzman de todas as suas funções e direitos de membro honorário, e o excluiu da comissão de coordenação dos Jogos de Tóquio-2020.

O COB convocou assembleia geral extraordinária para a próxima quarta-feira, dia 11, às 14:30 horas, na sede da entidade no Rio de Janeiro, para "deliberar" sobre a suspensão.

"Na oportunidade, a assembleia irá deliberar quanto às decisões anunciadas pelo Comitê Olímpico Internacional e sobre a atual situação do COB", disse a organização em comunicado, sem informar maiores detalhes.

O COB é presidido interinamente pelo vice-presidente Paulo Wanderley.

Em setembro, Nuzman já havia sido interrogado pela PF durante a operação "Unfair Play", que suspeitava que o dirigente havia sido o "ponto central de conexão" de uma trama de corrupção internacional que supostamente comprou votos para dar a vitória ao Rio de Janeiro na disputa pela sede olímpica de 2016.

Também foi detido o diretor geral de operações do comitê Rio-2016, Leonardo Gryner. Durante a operação, a PF apreendeu documentos.

Na quinta-feira, a Polícia Federal prendeu Nuzman por suspeitas de "corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa"

- 1 bilhão de reais bloqueados -O Ministério Público (MP) do Rio solicitou também o bloqueio de 1 bilhão de reais do patrimônio dos investigados, pelos danos causados.

Em referência ao COB, a comissão executiva do COI justificou a decisão (tomada por recomendação de sua comissão de ética, presidida pelo ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon) pelo fato de que "o COB e seu presidente, Carlos Nuzman, eram responsáveis pela candidatura do Rio de Janeiro em 2009".

Em consequência, o COB não está capacitado para receber subsídios por parte do COI, mas os interesses dos atletas serão preservados.

"O COI aceitará a inscrição de uma delegação brasileira nos Jogos de Inverno de PyeongChang-2018 e nas demais competições às quais o COB será convidado", informou o Comitê.

Os promotores afirmam que Nuzman, presidente do COB desde 1995, ampliou seu patrimônio em 457% nos últimos 10 anos sem explicar de modo convincente a origem do dinheiro e também que tentou esconder sua riqueza - geralmente no exterior - das autoridades.

A investigação mostrou que ele só declarou que tinha 16 barras de ouro de um quilo cada depois que foi interrogado no mês passado na primeira fase da operação Unfair Play (Jogo sujo, em português). O esquema supostamente comprou votos para o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016.

- Ajuda da Suíça -Nesta sexta-feira, a procuradoria suíça (MPC) confirmou à AFP que recebeu pedido de colaboração judicial de parte das autoridades brasileiras para ajudar na investigação contra Nuzman. A pedição está sendo "analisada e avaliada para ver se é possível ser executada".

Além de Nuzman, outra peça chave do suposto sistema de corrupção é Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, que na época era presidente da Federação Internacional de Atletismo e membro do COI.

Papa Massata Diack teria recebido 1,5 milhões em subornos do empresário brasileiro Arthur Soares, que teriam sido usados para pagar membros do COI em troca de votos em favor da candidatura do Rio.

Após o grande escândalo de corrupção que foi à tona nos Jogos de Inverno de Salt Lake City no início dos anos 2000, que supôs na destituição de dezenas de membros do COI, os investigadores brasileiros e franceses estão convencidos de que o processo dos Jogos de 2016 também foi combinado.

O atual presidente do COI, Thomas Bach, vai precisar administrar o caso juntamente ao escândalo de dopagem do Estado Russo, revelado pelo relatório McLaren.

ebe-cha/psr/fp/fa

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