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Fifagate: defesa pede absolvição de Marin

14/12/2017 17h59

Nova York, 14 dez 2017 (AFP) - Um monarca sem poder. Um jogador passivo. Um velho senil no cargo errado na hora errada. Assim foi apresentado o ex-presidente da CBF José Maria Marin por sua defesa durante o julgamento Fifa, nesta quinta-feira em Nova York.

Marin, de 85 anos "e meio", como fez questão de lembrar o advogado, é julgado junto com o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout, e o ex-chefe do futebol peruano Manuel Burga. Os três são os únicos dos 42 acusados no escândalo de corrupção na Fifa que estão nos Estados Unidos e se declaram inocentes.

O ex-presidente da CBF entre 2012 e 2015 é acusado de sete crimes: três de fraude, três de lavagem de dinheiro e por integrar uma organização criminosa. O governo americano afirma que Marin negociou para receber 6,55 milhões de dólares em propinas relacionadas à concessão dos direitos de transmissão da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores.

Mas seu advogado, Charles Stillman, insistiu que não há provas para condenar o ex-dirigente brasileiro.

"Marin estava em campo, mas não jogou", declarou Stillman ao juri, que começará a deliberar sobre o caso provavelmente nesta quinta-feira.

"Com todo o respeito, Marin era o monarca que fazia os brindes, enquanto Marco Polo (Del Nero) comandava tudo", acusou Stillman, referindo se ao atual presidente da CBF e que na época era o vice de Marin.

Marin, que cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na luxuosa Trump Tower de Nova York, passou a manhã na corte do Brooklyn com um lenço na mão e um algodão no nariz, como se estivesse tentando parar um sangramento. Como nos outros dias do julgamento, o ex-dirigente fazia cara de esforço para compreender o que acontecia em volta dele.

Em março de 2012, Ricardo Teixeira, presidente da CBF por mais de duas décadas, anunciou sua renúncia de maneira surpreendente, pressionado pelas denúncias de corrupção.

Del Nero era visto como sucessor natural, mas quem assumiu a presidência foi Marin devido à regra interna da CBF, que outorga o cargo ao vice-presidente de maior idade da entidade.

O governo americano afirmou que, após a renúncia de Teixeira, Marin e Del Nero passaram a dividir entre eles as propinas e que as menções "Brasileiro" ou "MPM" nas contas das empresas que pagavam subornos em troca de contratos eram referências a ambos.

Stillman não comentou as gravações secretas usadas como prova pela promotoria, nas quais Marin conversa sobre subornos pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil e da Copa América com o empresário brasileiro J. Hawilla.

O advogado, porém, afirmou que se seu cliente tivesse algo a esconder, não teria recebido propinas em contas em seu nome nos Estados Unidos.

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