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Fifa suspende Del Nero de maneira cautelar por 90 dias

15/12/2017 19h25

Paris, 15 dez 2017 (AFP) - O comitê de ética da FIFA suspendeu por 90 dias de maneira cautelar de todas as atividades relacionadas ao futebol o presidente da Federação Brasileira Marco Polo Del Nero, anunciou nesta sexta-feira a federação internacional.

"A duração da proibição pode se estender por um período adicional que não supere os 45 dias. Durante este tempo, o senhor Polo Del Nero tem proibidas todas as atividades ligadas ao futebol, tanto em nível nacional como internacional", assinala o comunicado, acrescentando que a proibição tem efeito imediato.

O substituto de Del Nero vai ser o vice mais velho, Antonio Carlos Nunes de Lima, conhecido como "Coronel Nunes".

"Em cumprimento à citada decisão e em linha com seu Estatuto, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima assume interinamente a Presidência", informou a CBF em comunicado.

Del Nero, antigo membro do conselho da federação internacional, faz parte do grupo de vários diretores do futebol sul-americano julgados pela justiça americana dentro do grande escândalo de corrupção dentro da FIFA.

A suspensão foi pedida pela câmara da investigação do comitê de ética da Fifa, justiça interna da entidade. O órgão é presidido pela juíza colombiana María Claudia Rojas. Uma vez que a instrução for terminada, o dossiê será transmitido para a câmara de julgamento.

Em 27 de maio de 2015, o antecessor de Del Nero, José María Marín, de 83 anos, atualmente julgado em Nova York, fez parte da primeira onda de prisões envolvendo dirigentes do futebol mundial.

Das 42 pessoas detidas neste caso, somente três estão no processo de Nova York: Marín, Juan Ángel Napout, de 59 anos e ex-presidente a Federação Paraguai e da Conmebol, e Manuel Burga, de 60 anos e ex-dirigente da Federação Peruana.

O processo deste escândalo de corrupção envolve vários responsáveis do futebol sul-americano e dirigentes de empresas de marketing, que estão sendo julgados desde novembro, em Nova York.

Um total de 42 ex-dirigentes do futebol das Américas, empresários esportivos e um banqueiro, além de três empresas, são acusados pelos Estados Unidos de cometer 92 crimes em 15 esquemas de corrupção, embolsando mais de 200 milhões de dólares em subornos.

- Monarca dos brindes -Na audiência de quinta-feira, um dia antes da suspensão da Fifa, o advogado de Marin denunciou que Del Nero era quem realmente comandava a CBF.

"Com todo o respeito, Marin era o monarca que fazia os brindes, enquanto Marco Polo (Del Nero) comandava tudo", acusou Charles Stillman, referindo-se ao atual presidente da CBF e que na época era o vice de Marin.

"Marco Polo era quem realmente comandava o show do futebol", acrescentou.

Em março de 2012, Ricardo Teixeira, presidente da CBF por mais de duas décadas, anunciou sua renúncia de maneira surpreendente, pressionado pelas denúncias de corrupção.

Del Nero era visto como sucessor natural, mas quem assumiu a presidência foi Marin devido à regra interna da CBF, que outorga o cargo ao vice-presidente de maior idade da entidade.

O governo americano afirma que Marin negociou para receber 6,55 milhões de dólares em propinas relacionadas à concessão dos direitos de transmissão da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores.

A procuradoria afirmou que, após a renúncia de Teixeira, Marin e Del Nero passaram a dividir entre eles as propinas e que as menções "Brasileiro" ou "MPM" nas contas das empresas que pagavam subornos em troca de contratos eram referências a ambos.

Três ex-dirigentes do futebol sul-americano estão sendo julgados em Nova York: o ex-presidente da Confederação Brasileira José Maria Marin, o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout e o ex-chefe do futebol peruano Manuel Braga.

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