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Atletismo enfrenta vazio deixado por Bolt

28/12/2017 09h02

Paris, 28 dez 2017 (AFP) - O ano de 2018 será o primeiro depois de Usain Bolt. O mítico atleta jamaicano, homem mais rápido da história e a carismática figura que carregou nos ombros o interesse mediático pelo atletismo, colocou um ponto final em 2017 a sua brilhante carreira, mas deixou órfão seu esporte.

O Mundial de Londres, no mês de agosto, foi o lugar escolhido por Bolt para pendurar as sapatilhas. A despedida, porém, não foi como planejada: uma lesão na coxa esquerda que o fez abandonar a disputa do revezamento 4x100 metros. Essa foi sua última aparição na pista, num Mundial em que perdeu a coroa dos 100 metros, tendo que se conformar com o bronze, e no qual decidiu não competir nos 200 metros, sua outra prova habitual.

"O que mais vamos sentir saudade é de sua personalidade. É melhor ter alguém que tem uma opinião própria e que é capaz de lotar os estádios. Temos muitos atletas que olham para os lados antes de responder uma pergunta. Bolt tinha opinião e coisas a dizer. Isso é o que vai fazer mais falta", elogiou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), Sebastian Coe.

Em Londres, muitos quiseram começar a procurar um herdeiro, mas ficaram só na vontade.

As maiores esperanças estavam depositadas no sul-africano Wayde Van Niekerk, uma das revelações dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, quando conquistou o ouro nos 400 metros com direito a recorde mundial.

Van Niekerk até teve boa atuação na capital britânica, um ouro nos 400 metros e uma prata nos 200 metros, mas não chegou perto de causar o mesmo impacto de cada vitória do 'Raio' jamaicano.

"É uma grande honra ser mencionado como seu sucessor. É um tema que tenho que aceitar, tomar a responsabilidade e agradecer o apoio que recebo", havia dito o sul-africano nas vésperas do Mundial.

Van Niekerk cumpriu nos 400 metros, mas a derrota nos 200 para o turco Ramil Guliyev, que nem sequer estava entre os dez favoritos para vencer a prova antes da competição, evitou qualquer comparação com as exibições de força de Bolt do momento em que o jamaicano surgiu no cenário mundial.

- O carisma de um 'showman' -A prova rainha do Mundial, os 100 metros, também não foi capaz de apontar um sucessor, já que o campeão acabou sendo o americano Justin Gatlin, de 35 anos e dono de um passado polêmico repleto de casos de doping e suspensões, uma enorme mancha em sua imagem com o público.

Sua vitória em Londres foi recebida com vaias por parte dos torcedores, o extremo oposto da euforia generalizada a cada vitória de Bolt.

Em sua 'década de ouro', Bolt venceu em seis ocasiões o prêmio da Iaaf de melhor atleta do ano. Em 2017, os vencedores foram o catariano Mutz Essa Barshim (salto em altura) e a belga Nafissatou Thiam (heptatlo), duas figuras com impacto limitado com o grande público.

Para ser o sucessor de Bolt, não basta conseguir marcas ou resultados históricos, é preciso também ter o carisma de um 'showman', algo aperfeiçoado pelo jamaicano, que quebrou moldes e superou os cinco milhões de seguidores no Twitter e sete milhões no Instagram.

A transição será um dos desafios para a Iaaf e para seu presidente, Sebastian Coe, que desde que assumiu o cargo em 2015 precisou lidar com o escândalo de doping russo e a corrupção de ex-dirigentes da entidade.

Um desafio titânico para o ex-atleta britânico quando já se pode ver no horizonte os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

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