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Apesar de polêmicas, VAR se aproxima da Copa do Mundo da Rússia

22/01/2018 19h30

Paris, 22 Jan 2018 (AFP) - Os testes de vídeo-arbitragem (VAR) realizados na Europa geraram polêmicas, mas apesar das controversas a International Board (IFAB), entidade que controla as regras do futebol, viu balanço positivo que deve facilitar o uso da tecnologia na Copa do Mundo da Rússia.

Desde março de 2016, o VAR foi utilizado em mais de 800 jogos com resultados positivos, garantiu a IFAB, que vai decidir em março se o sistema será utilizado na próxima Copa do Mundo.

"A filosofia inicial foi respeitada. Queríamos um mínimo de interferências no jogo e um máximo de benefícios", explicou um porta-voz da entidade durante conferência telefônica.

Em 8% dos duelos, o VAR teve "um impacto decisivo no resultado final" e a cada quatro jogos "um impacto positivo", segundo o balanço.

Em momentos em que alguns protagonistas do mundo do futebol duvidam da eficácia do recurso em não quebrar o ritmo e a fluidez do jogo, a IFAB indicou que o tempo perdido com a vídeo-arbitragem representa menos de 1% do tempo total da partida. O número é muito menor se comparado ao tempo desperdiçado com faltas, cobranças de escanteio e tiros de meta.

Os erros também são relativamente raros: apenas em 5% dos casos analisados o vídeo deixou passar um erro claro e manifesto. O número "é muito tranquilizador, levando em conta o curto período de testes e os erros humanos inevitáveis", avaliou a entidade. A IFAB garante que o número de equívocos vai diminuir, a medida em que a experiência no uso do VAR dos árbitros aumente.

O vídeo já foi testado em várias competições internacionais, como a Copa das Confederações, Bundesliga, Serie A, Copa da França... As reações foram diversas, desde bajuladores até ferozes opositores.

"No começo estava a favor, mas agora tenho dúvidas", explica à AFP o ex-arbitro francês Bruno Derrien. "Claro que o vídeo vai ajudar os árbitros em certas situações, mas em outras muitas as imagens vão revelar uma interpretação. Não condeno completamente, mas na Copa do Mundo talvez seja cedo demais", avalia.

O alemão Bernd Heynemann é mais severo: "é simplesmente impossível que possa funcionar com apenas seis ou oito semanas de preparação".

O francês Joel Quiniou pede atenção para não "tirar a responsabilidade dos árbitros, porque é preciso ser prudente e não utilizar a todo momento. Acho que o teste permitiu vermos os limites".

Outros apoiam o vídeo sem fissuras, considerando que o recurso evita escândalos em grandes competições: "aqueles que não aceitaram o VAR vão acabar aceitando. Não se pode voltar atrás", admitiu o presidente do sindicato de árbitros italianos, Marcello Nicchi.

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