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Marco Polo Del Nero banido pelo resto da vida do futebol

27/04/2018 16h37

Paris, 27 Abr 2018 (AFP) -

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Marco Polo Del Nero foi "suspenso pelo resto da vida de qualquer atividade relacionada ao futebol" por atos de corrupção, anunciou a Fifa nesta sexta-feira.

Del Nero, 77 anos, no comando da CBF desde abril de 2015, também terá que pagar uma multa de um milhão de francos suíços (835.200 euros).

O dirigente foi condenado pela justiça interna da Fifa (câmara de julgamento da comissão de ética) por ter recebido subornos de empresas em troca da concessão de contratos de direitos televisivos de torneios como a Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil).

Marco Polo Del Nero foi considerado culpado de "corrupção, oferecer e receber presentes ou outros benefícios, conflito de interesses e falta de lealdade" ao código de ética da Fifa.

Del Nero assumiu oficialmente o comando da CBF em abril de 2015, pouco antes da espetacular detenção de sete dirigentes da Fifa em Zurique no fim de maio - e que incluíram o seu antecessor José Maria Marin - que marcou o início da pior crise da história da Fifa.

A Fifa abriu uma investigação contra Del Nero em 23 de novembro de 2015. O dirigente havia sido suspenso de maneira provisória em 15 de dezembro de 2017.

- "Marco Polo que não viaja" -Del Nero havia deixado o cargo no Comitê Executivo da Fifa em novembro de 2015, pouco antes de entrar na mira do FBI. Sempre negou as acusações apresentadas pela justiça americana.

Após as prisões de 2015, 42 pessoas, entre elas Del Nero, foram acusadas pelos Estados Unidos de participar de um esquema de corrupção generalizado, que afetou especialmente o futebol sul-americano.

Del Nero nunca foi preso no Brasil. Ao deixar de viajar para evitar ser capturado pela justiça americana, ganhou o apelido de "Marco Polo que não viaja".

Segundo testemunhas chamadas a depor no processo de dezembro do ano passado em Nova York, Marin e Del Nero dividiram mais de seis milhões de dólares em propina.

Das 42 pessoas presas no caso, somente três sentaram no banco de réus: Marin, Juan Ángel Napout, de 59 anos e ex-presidente da federação paraguaia, e Manuel Burga, 60 anos e ex-presidente da federação peruana.

Marin e Napout foram declarados culpados e condenados. Os outros acusados ou se declaram culpados e esperam sentença, ou estão sendo julgados em seus respectivos países.

Outros dirigentes evitaram ser extraditados aos Estados Unidos, com é o caso de Del Nero e do ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner, de Trinidade e Tobago.

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