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Prostitutas russas, afastadas da Copa do Mundo por pressão policial

09/06/2018 11h05

Moscou, 9 Jun 2018 (AFP) - Para as prostitutas russas a Copa do Mundo de 2018 e seus torcedores homens pressagiava uma boa temporada. Mas, na realidade, muitas se manterão afastadas do evento para evitar a forte pressão policial.

"A maior parte dos prostíbulos está fechando. A polícia adverte que os que se mantiverem abertos ficarão por sua conta e risco", explicou à AFP Irina Maslova, que dirige a Serebriannaya Rosa, uma associação de defesa dos direitos das prostitutas.

No fim, somente os prostíbulos com proteção suficiente da polícia e das autoridades - em troca de uma parte de seus lucros - poderão operar durante a Copa da Rússia, que começa na próxima quinta-feira (14) e vai até 15 de julho.

Celebradas como "as melhores do mundo" pelo presidente russo, Vladimir Putin, eram muitas as prostitutas que percorriam as ruas durante a década de 1990, marcada pela liberalização social e pelo empobrecimento de uma parte da população após a queda da União Soviética.

Mas nos últimos anos, as autoridades endureceram o tom de maneira progressiva, forçando as trabalhadoras do sexo a passar à clandestinidade. O setor também se viu atingido pela crise financeira de 2014, que se traduziu na redução da demanda e das tarifas.

A Rússia, que investiu bilhões neste evento esportivo, quer mostrar uma imagem limpa e sem incidentes.

Durante as Olimpíadas de Inverno 2014 em Sochi (sul), a polícia distribuiu multas mais severas do que de costume às prostitutas, e inclusive em alguns casos até as condenaram à prisão enquanto o evento esportivo acontecia.

Em 2003, durante o 300º aniversário de São Petersburgo, Irina Moslova foi isolada por 48 horas. Outras foram levadas para fora da cidade durante o período de comemoração.

"Para evitar esse perigo, para proteger suas vidas, sua saúde, sua segurança e, às vezes, a sua reputação, (as prostitutas) deixarão a cidade, porque ficar em locais onde haverá um grande acontecimento é simplesmente impossível", admitiu Maslova.

- Aulas de inglês -Mas embora a prostituição seja ilegal na Rússia, os clubes de strip-tease são aceitos e agora se preparam para aumentar seus lucros após vários anos de "vacas magras".

"Nós esperamos um grande fluxo de clientes, ao menos duas ou três vezes a mais que o habitual", afirmou à AFP Lucky Lee, dona do clube Golden Girls, no centro de Moscou.

Com o objetivo de atender a sua clientela estrangeira, o clube ofereceu aulas de inglês a suas funcionárias. "Tratam-se de aulas de inglês básico. Discutimos temas variados: como reservar um hotel, como falar com os clientes", afirma Melanie, uma mulher de 29 anos que faz strip-tease.

"Seria bom ter mais trabalho durante a Copa... todo mundo sofre" com a crise, acrescenta esta mulher que trabalha há seis anos no Golden Girls.

Enquanto anteriormente o salário das dançarinas oscilava entre 4.200 e 8.500 euros, hoje em dia podem ficar entre 1.700 e 4.200 euros, explica Lucky Lee. Segundo ela, as sanções impostas pelos países ocidentais após a anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia em março de 2014 tiveram muito a ver com a notável desvalorização da moeda russa.

- Sexo com boneca 'não é mentira' -Em maio, Dmitri Alexandrov abriu em Moscou a primeira franquia do Lumidolls Sex Hotel da Espanha. Os homens pagam 5.000 rublos (70 euros) para passar uma hora na companhia de uma boneca de silicone e com seios desproporcionais.

Como Lucky Lee e Melanie, este empreendedor também espera um aumento do número de clientes graças à Copa do Mundo.

"A maior parte dos torcedores vem sem suas parceiras", diz, acompanhado por Lolita e Alise, as duas modelos mais populares de seu hotel. "O sexo com bonecas não é mentira na maioria dos casais", disse.

Como bom homem de negócios, prevê colocar nas bonecas a camiseta da seleção do cliente, se assim pedirem.

Maslova, que compareceu à inauguração do Lumidolls Sex Hotel, se alegra de ver que tem a inscrição de "Primeiro prostíbulo legal" na Rússia.

"Isso permite que as pessoas reflitam sobre esta frase", considera esta mulher cuja associação luta para descriminalizar a indústria do sexo em seu país.

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