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Acostumado aos elogios, Löw tenta lidar com críticas e pressão na Alemanha

21/06/2018 09h23

Moscou, 21 Jun 2018 (AFP) - Poucas vezes a Alemanha chegou ao segundo jogo da fase de grupos da Copa do Mundo tão perto da eliminação. O técnico alemão Joachim Löw, uma figura intocável até então, principalmente após o título no Brasil em 2014, balança em seu pedestal.

Na quarta-feira, na coletiva de imprensa diária da Mannschaft, um jornalista alemão chegou até a perguntar se uma derrota e uma eliminação no sábado contra a Suécia "poderia colocar em risco todo o trabalho feito nos últimos 14 anos", primeiro com Jürgen Klinsmann e depois com seu então assistente Löw assumiu o comanda da Alemanha após a Copa de 2006.

Oliver Bierhoff, diretor da seleção alemão, fez como se não tivesse entendido a pergunta. Mas o simples fato de uma pergunta como essa surgir é um claro sintoma da atual situação da equipe, que já não se reconhece e teme um desastre histórico.

Na quinta-feira, uma pesquisa na Alemanha apontava que 67,3% dos torcedores do país acreditavam que a escalação de Löw contra o México foi "muito ruim" ou "ruim".

Os comentaristas locais questionam a "teimosia" do técnico em não abrir mão de seu núcleo de "titulares indiscutíveis" (Mesut Özil, Sami Khedira e Jerome Boateng), criticados após a derrota por 1 a 0 diante dos mexicanos.

Essa lealdade aos velhos guerreiros entra em contradição com o discurso do técnico, que repete e repete há meses que não há figuras sagradas no elenco: "Na Copa, o passado e os títulos não contam, a única coisa que vale é a forma atual e o rendimento".

No último domingo, após o impacto da derrota na estreia, Löw deu a cara a tapa e se defendeu: "Não vamos jogar nosso plano no lixo, isso não vai acontecer".

Mas a imprensa alemã segue questionando as escolhas do técnico e converge na dúvida se Löw, aos 58 anos, seria capaz de lidar com uma crise no elenco.

- Acender o fogo -"Löw tem que fazer algo agora: acender de novo o fogo", aconselhou Thomas Baschab, um 'Mental Coach' especializado em atletas de alto rendimento. "Evidentemente, ele precisa corrigir os erros táticos, mas isso não é o essencial. O mais importante é convencer os jogadores que, a partir de agora, tudo depende deles. A equipe precisa de alguém que a motive, como Jürgen Klinsmann fez em 2006", continuou.

A revista Kicker, de grande influência no futebol alemão, também acredita que a chave está no que fará Löw.

"Os campeões mundiais entrarão em campo mais determinados e prontos para o combate do que contra o México? Isso dependerá da reação de Löw", diz a revista nesta quinta-feira.

Os mais otimistas lembram do ocorrido em 2014, quando Löw deu uma aula do banco de reservas para modificar uma complicada partida contra a Argélia, pelas oitavas de final da Copa do Mundo do Brasil. Suas ordens e as substituições foram consideradas fundamentais para que a Alemanha superasse o perigoso adversário africano por 2-1, construindo a base que venceria a Argentina na final pouco depois.

A pressão agora, porém, é mais forte. Ficar de fora da primeira fase da Copa do Mundo seria uma catástrofe de dimensões colossais para uma seleção que nas últimas 16 Copas do Mundo, desde 1954, sempre alcançou pelo menos as quartas de final.

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