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Com gols nos acréscimos, Brasil vence no sufoco e se aproxima das oitavas de final da Copa

22/06/2018 12h32

São Petersburgo, 22 Jun 2018 (AFP) - Foi no sufoco, mas o Brasil arrancou uma dura vitória sobre a Costa Rica por 2 x 0, nesta sexta-feira, em São Petersburgo, graças aos gols de Philippe Coutinho e Neymar nos acréscimos da partida, um resultado que aproxima a Seleção da classificação às oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia.

Diante de um verdadeiro paredão costarriquenho, o Brasil martelou, chutou, tentou... e só chegou à vitória após o fim do tempo regulamentar, quando Coutinho apareceu na área para mandar de bico um cabeçada de Roberto Firmino para o meio da área (90+1).

Aliviada, e diante de uma Costa Rica exausta pelo esforço feito durante a partida para manter o placar em 0 a 0, a Seleção fechou a conta com Neymar, empurrando para as redes um cruzamento de Douglas Costa aos 6 minutos dos acréscimos.

Um resultado que aproxima o Brasil das oitavas de final do Mundial russo, mas sem relaxamento: a Seleção, que empatou em 1 a 1 com a Suíça na estreia, pode passar em primeiro, em segundo ou até nem passar às oitavas, dependendo de outros resultados do Grupo E.

- Neymar de altos e baixos -Apesar do gol, Neymar teve uma atuação de poucos altos e muitos baixos. E as lágrimas de alívio ao som do apito final mostram que o craque, que carrega enorme pressão nas costas, ainda não está nas condições ideais para apresentar seu melhor futebol.

Após preocupar a torcida brasileira no início da semana, quando abandonou um treino mais cedo devido a dores no tornozelo, Neymar se recuperou e foi para o jogo, mas, bem marcado pela defesa da Costa Rica, voltou a mostrar antigos defeitos: preciosismo, irritação e individualidade excessiva.

Além de receber um cartão amarelo por reclamação, Neymar também foi alvo de uma cena peculiar.

Aos 43 minutos do segundo tempo, pareceu ter sofrido falta na área costarriquenha. Inicialmente, o árbitro holandês Bjorn Kuipers viu pênalti. Mas, ao conferir o lance pelo assistente de vídeo (VAR), anulou a penalidade por considerar que o camisa 10 da Seleção se jogou.

Embora a partida tenha terminado em ritmo frenético, o início do jogo não foi dos mais emocionantes.

- Paciência e pouco futebol -Apesar de dominar a posse de bola (68%), o Brasil penou para dar velocidade ao jogo, encontrando uma equipe adversária muito bem postada atrás, com uma linha de cinco defensores à frente do goleiro Keylor Navas.

Desde o início, o Brasil tentou corrigir os erros apontados por Tite como parcialmente responsáveis pelo decepcionante resultado da estreia.

Assim, a insistência em jogadas pelo lado esquerdo, onde atuam Marcelo, Coutinho e Neymar, as maiores referências da Seleção, deu lugar a tentativas de fazer com que Willian e Fagner participassem mais do jogo ofensivo pelo outro lado.

A nova estratégia do Brasil, porém, não resultou em chances de perigo ao gol defendido pelo goleiro do Real Madrid.

Quando era acionado perto da área, Willian não conseguiu levar vantagem sobre a marcação, enquanto Fagner pecava pela falta de apoio ao companheiro de ala.

E, sem o brilho de Neymar, faltava ao Brasil criatividade para superar a muralha armada em frente à área da Costa Rica pelo técnico Oscar Ramirez.

Nesse cenário, a primeira e melhor chance de abrir o placar foi da Costa Rica.

Aos 13 minutos, no único contra-ataque armado pelos 'Ticos' na partida, Gamboa fugiu nas costas de Marcelo e cruzou rasteiro, na medida para Borges chegar chutando, mas o meia mandou para fora.

O lance acordou o Brasil, que juntou 20 minutos de agressividade no fim do primeiro tempo, mas desperdiçou ataques promissores.

Gabriel Jesus chegou a balançar as redes, mas estava impedido na hora do passe de Marcelo (27 minutos), enquanto o próprio lateral arriscou duas bombas que passaram perto do gol de Navas (29 e 41) e Jesus não alcançou um cruzamento preciso de Neymar (32).

- Martelando até o gol -Na volta do intervalo, Tite fez mais uma tentativa de acordar o lado direito do ataque brasileiro, promovendo a entrada de Douglas Costa no lugar de Willian.

Deu certo. A presença do habilidoso atacante da Juventus deu mais profundidade ao Brasil, que assumiu sua grandeza e seu devido papel no jogo e martelou a zaga costarriquenho pelos dois lados. Só faltou convencer a bola a entrar nas redes adversárias.

Aos 3 minutos, Gabriel Jesus subiu mais que a zaga e cabeceou no travessão um cruzamento de Douglas Costa. Dois minutos depois, Coutinho, sozinho na marca do pênalti, mandou em cima de Navas, que voltou a salvar sua equipe em chute de primeira de Neymar (54).

Incomodado com a falta de gols, Tite fez uma mudança corajosa ao tirar Paulinho para a entrada de Firmino, colocando o Brasil para jogar com dois centroavantes pela primeira vez e expondo a defesa a possíveis contra-ataques. Por sorte, a Costa Rica não parecia interessada em vencer.

E no primeiro lance do atacante do Liverpool, o Brasil teve sua melhor chance até então.

Aos 26, Firmino foi lançado na velocidade por Coutinho, mas a zaga tirou. A bola sobrou para Neymar, que se livrou da marcação e, cara a cara com Navas, foi buscar o ângulo direito do gol costarriquenho e mandou para fora.

Nos minutos finais, depois da polêmica encenação de Neymar, exposta ao mundo pelo VAR, o Brasil foi para o tudo ou nada. E Coutinho foi tudo.

Nos acréscimos, após tentativas de cruzamento na área de Marcelo e Firmino, a bola sobrou para Jesus na pequena área. O atacante não conseguiu dominar, mas Coutinho, à la Romário, apareceu para mandar de biquinho entre as pernas de Navas. Uma explosão de alívio e felicidade que fizeram até Tite tropeçar ao comemorar.

Com a vitória selada e o adversário entregue, restou para Neymar marcar o segundo gol em contra-ataque de Douglas Costa, uma lance que a torcida brasileira espera que possa trazer melhor sorte e um pouco mais de tranquilidade a seu melhor jogador.

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