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Rússia e torcedores latinos encantados por se conhecerem

25/06/2018 17h10

Moscou, 25 Jun 2018 (AFP) - Os torcedores latinos continuam sendo os protagonistas da festa nas ruas da Rússia, um lugar que muitos estão conhecendo pela primeira vez, assim como os locais aproveitam para travar contato com pessoas tão animadas e que vieram de tão longe para acompanhar o Mundial.

Em Moscou não há dúvidas de que os ritmos latinos dominam os bares do centro da cidade, onde torcedores colombianos, argentinos, mexicanos e peruanos se tornaram uma presença habitual.

"Não esperávamos que fosse tão lindo encontrar um povo tão maravilhoso", afirma Mauricio Miranda, que percorre a Praça Vermelha com uma bandeira colombiana. "Voltaremos, provavelmente", diz o homem, de 30 anos, encantado com a experiência russa e com vontade de conhecer outros lugares do país.

A Rússia, cujas tensões diplomáticas com países ocidentais e cujo envolvimento nas crises da Ucrânia e da Síria estão muito presentes nos noticiários mundiais, se esforçou nos últimos anos para estreitar laços com a América Latina.

Muitos dos países da região, como Argentina e Peru, se beneficiam de um acordo para visitar a Rússia sem visto, e o turismo procedente da América do Sul é um dos que está aumentando no país.

Tanto por seu alto número como por seus cantos, os visitantes latino-americanos estão atraindo os olhares, em contraste com os de países europeus, muito menos visíveis nas ruas de Moscou, Kazan ou Sochi.

Isso ficou claro em Ekaterimburgo na quinta-feira passada: enquanto a França e o Peru se enfrentavam, na arquibancada a grande maioria dos espectadores vestiam vermelho e branco, vindos do país andino ou de outros pontos do mundo, quando os franceses estão muito mais perto.

Vários torcedores europeus coincidiram em declarações à AFP que antes de chegarem à Rússia tiveram que enfrentar os questionamentos de seus familiares e amigos, que não estavam totalmente confortáveis com a ideia dessa viagem.

"Acredito que os europeus têm um pouco de medo", explica Jo de Munter, um belga de 46 anos. "Na Bélgica todo mundo me dizia que eu estava louco", afirma.

- 'Top 10' -Segundo as estatísticas de vendas de entradas dos jogos do Mundial, os torcedores europeus estão menos presentes que em Copas do Mundo anteriores, apesar do torneio ser realizado em seu continente.

Os britânicos, por exemplo, reduziram seu deslocamento em 50% em relação ao Mundial da África do Sul-2010.

Apenas a Alemanha, quarto país no ranking de países com mais compra de entradas no encontro africano de oito anos atrás, mantém a mesma posição.

No 'Top 10' de países onde mais se comprou entradas, a América Latina domina. Segundo a Fifa, Brasil, Colômbia, México, Argentina e Peru estão entre os dez países com mais compra de ingressos para a Copa.

- "Fica longe" -Os altos custos de uma viagem da América do Sul até a Rússia faz com que o perfil dos torcedores seja em muitos casos de nível socioeconômico alto ou médio-alto, como Alejandro Grado, um empresário mexicano dedicado ao setor da reciclagem, que antes foi assessor financeiro.

"Viajar a Rússia não é tão caro se você comprar tudo com antecedência", aponta.

Alguns torcedores latino-americanos receberam algum tipo de apoio ou ajuda de sua Federação nacional na hora de organizar sua viagem.

"Há seleções nacionais que têm um apoio logístico significativo. A Argentina em 2010 é um exemplo disso", explica à AFP Ludovic Lestrelin, professor da Universidade de Caen (norte da França).

Os torcedores europeus com frequência têm que se encarregar sozinhos da preparação da viagem: hotéis, compra de ingressos, reservas de voos ou trens entre as cidades-sede... Isso faz com que muitos prefiram ficar em casa e assistir pela televisão, afirma Lestrelin.

"A imagem da Rússia é melhor na América Latina que na Europa ou nos Estados Unidos", indica Zbigniew Iwanowski, do Instituto de Estudos Latino-americanos em Moscou.

Para Gerardo Dardanelli, um torcedor italiano de 28 anos, A Rússia tem parte de seu território na Europa, mas às vezes parece muito longe: "Nossa percepção da Rússia é que fica longe, que não é um país nem um pouco europeu. Os Estados Unidos ficam mais longe que a Rússia, mas temos mais laços com eles".

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