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Quirguistão, um país de esportes ancestrais que sonha com o futebol

07/01/2019 12h54

Abu Dhabi, 7 Jan 2019 (AFP) - Embora a luta a cavalo e a caça com falcão estejam entre os esportes mais populares do Quirguistão, o país visa agora a Copa da Ásia de futebol, torneio do qual participa pela primeira vez.

Os 'Falcões Brancos' do Quirguistão foram derrotados por 2 a 1 pela China na estreia na competição, nesta segunda-feira, mas ainda não desistem do objetivo de avançar para a próxima fase. Para isso, terão que buscar resultados melhores nos próximos duelos contra Coreia do Sul, favorita do grupo, e Filipinas.

Um grupo difícil, mas que não assustava o técnico do Quirguistão, o russo Aleksandr Krestinin, antes do torneio: "Somos uma equipe séria e competitiva e vamos lutar para passar às oitavas de final".

"É algo novo para nós, mas todo o país nos apoia", completou o técnico russo à AFP.

"Há muitas emoções positivas no país desde que nos classificamos para a Copa da Ásia", explicou Krestinin.

Contudo, o futebol está longe de ser o esporte nacional nesta antiga república soviética.

Em um país de seis milhões de habitantes, situado entre a China e o Cazaquistão, a sociedade quirguiz tem orgulho de suas tradições e os esportes equestres ocupam um lugar de destaque.

Dezenas de esportes de luta, a maioria a cavalo, são originários deste país montanhoso da Ásia Central. O mais famoso: o 'buzkashi' ou 'kokpar'. Nele, os cavaleiros disputam a carcaça decapitada de uma cabra e precisam levá-la a uma área demarcada.

É difícil para o futebol competir de igual para igual com estes esportes tradicionais extremamente populares no Quirguistão.

- "Tudo a ganhar" - A seleção quirguiz ainda se encontrava no fundo do poço do ranking da Fifa em 2012, mas, sob o comando de Aleksandr Krestenin, realizou um salto espetacular, chegando a alcançar a 75ª posição em maio de 2018.

Atualmente se encontra na 91ª colocação, a 12ª melhor seleção da Ásia no ranking Fifa, à frente de outras seleções da região como Catar, Uzbequistão ou Coreia do Norte, e conta com jogadores talentosos como Valeri Kichin, que atua no futebol russo, ou Vitaly Lux, que joga na Alemanha.

"Se classificar para a Copa da Ásia é algo realmente formidável para nós, há tantos anos que o país esperava por isso!", explicou o técnico Krestinin, que viu sua seleção ser beneficiada pelo aumento no número de participantes na competição continental (de 16 para 24 seleções).

"Tentamos jogar um futebol moderno. A federação quirguiz de futebol está tentando desenvolver este esporte apesar da falta de apoio do governo", completou o russo.

Embora a missão de avançar de fase na Copa da Ásia pareça complicada, o Quirguistão segue sonhando em cavar seu espaço no futebol.

Para Krestinin, que assumiu o comando da seleção quirguiz em 2014, "enfrentar as melhores equipes, com grandes jogadores, é o ideal para que melhoremos tanto como equipe como individualmente".

"Não temos nada a perder e tudo a ganhar", concluiu.

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