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Bayern de Munique prepara Oliver Kahn para assumir presidência do clube

Da AFP, em Paris (França)

08/04/2019 15h46

De pavio curto e autoritário, o ex-goleiro Oliver Kahn tomará em 2021 as rédeas do Bayern de Munique, no qual construiu sua história no futebol. Um cargo que parece ter sido feito sob medida para este especialista em broncas.

Qualquer outro clube da Europa teria pensado duas vezes antes de confiar suas rédeas a um personagem tão impulsivo, às vezes até violento e que fez das declarações de cabeça quente sua marca registrada ao longo da carreira repleta de títulos e troféus.

Mas não o Bayern, um clube no qual a cultura pede que o presidente se meta regularmente no cotidiano do clube para enquadrar jogadores e técnicos quando os resultados não estão à altura de uma equipe 28 vezes campeã alemã.

E quem melhor que "King Kahn", após seus 14 anos no gol do Bayern, para assumir essa responsabilidade?

"A ideia é que Oli Kahn me suceda e que eu lhe facilite a tomada de suas novas funções (como presidente do conselho)", confirmou nesta domingo Karl-Heinz Rummenigge, que terá passado duas décadas como mandatário do Bayern quando seu contrato chegar ao fim, em 2021. "Isso é lógico: Oli é inteligente e conhece o clube", completou.

Aos quase 50 anos de idade e mesmo sem nunca ter sido técnico, o goleiro dos 557 jogos na Bundesliga ganhou tudo que podia pelo clube: oito títulos alemães, seis Copas da Alemanha, uma Copa da Uefa (1996) e uma Liga dos Campeões (2001).

Kahn foi inclusive o maior responsável pelo título da Champions, ao defender três pênaltis na final contra o Valencia.

Goleiro da seleção alemã entre 1993 e 2006, Kahn também ficou famoso por ter sido eleito o melhor jogador da Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul-2002, mesmo sendo derrotado na final pelo Brasil de Ronaldo e Rivaldo.

"Vul-Kahn"

Mas, na Alemanha, a arrogância e as posturas de Kahn fazem dele um personagem que não pode ser ignorado. Na época de jogador, era um dos alvos prediletos dos torcedores rivais do Bayern, que jogavam cascas de banana no campo por achar que o goleiro parecia um gorila.

Com apelidos como "Vul-Khan", em referência a seu temperamento explosivo, "King Khan" por suas atuações ou "Khan, o bárbaro" por seu estilo, "Oli" nunca passou despercebido.

Kahn sempre exigiu dos companheiros o profissionalismo que ele mesmo tinha na carreira, se metendo em diversas brigas com outros jogadores do Bayern na época do "FC Hollywood", pelo clima de crise constante que envolveu o clube nos anos 1990.

O acúmulo de suspensões e multas internas não importavam para Kahn, que nunca fez questão de esconder sua personalidade. Na autobiografia, intitulada N.1, o ex-goleiro se diz "decidido e possuído como ninguém".

Antes de virar comentarista para a televisão aberta alemã, ele já lamentava o fato de tudo no futebol ter "ficado tão suave". "A impressão é que todo mundo se esforça para não incomodar", afirmou.

Não há dúvida, porém, que, a a partir de 2021, Oliver Kahn voltará a incomodar no Bayern.

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