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Multidão vai às ruas para receber seleção da Argélia campeã da Copa Africana

20/07/2019 14h57

Argel, 20 Jul 2019 (AFP) - Depois de quase três décadas de espera a festa tomou conta da Argélia. O país norte-africano recebeu neste sábado como heróis os 'Zorros do Deserto', que conquistaram a segunda Copa Africana de Nações de sua história ao derrotar a seleção do Senegal na sexta-feira por 1 a 0 no Cairo.

Com as medalhas no peito, os campeões chegaram no início da tarde ao aeroporto de Argel, onde uma delegação encabeçada pelo primeiro-ministro, Noureddine Bedoui, os esperava.

O capitão, Riyad Mahrez, foi o primeiro a descer do avião, carregando a taça junto com o treinador, Djamel Belmadi.

Na pista, os bombeiros fizeram um corredor com um arco formado por jatos d?água e as imagens foram transimitidas ao vivo pela rede de televisão estatal.

Uma multidão concentrada nos dois lados da estrada que liga o aeroporto de Argel ao centro da capital foi ao delírio com a passagem do ônibus escoltado por várias motocicletas e veículos da polícia.

Aos gritos de 'One, two, three, viva l'Algérie' (Um, dois, três, viva a Argélia), os torcedores ovacionaram seus heróis.

- Festa na praça -O ônibus se encaminhou rumo à praça do 1° de maio, onde milhares de pessoas esperavam havia horas para festejar o título com os jogadores.

"Estou aqui desde as 9 horas da manhã (5h00, pelo horário de Brasília) para ver os jogadores e compartilhar minha alegria com outros torcedores. Agora sonhamos com a Copa das Confederações", disse Hocine, de 22 anos, que veio de Biskra (400 quilômetros ao sul de Argel).

"Não fechei os olhos a noite toda por causa das comemorações mas quis vir aqui para a praça para ver de perto Bagdad Bounedjah (autor do gol na final) para agradecer por esta vitória maravilhosa", contou Madjid, de 28 anos.

A epopeia inesperada da Argélia, na CAN de 2017 foi eliminada na primeira fase, desta vez teve um final feliz com a vitória na sexta-feira por 1 a 0 diante do Senegal no Cairo diante de cerca de 20.000 torcedores argelinos, entre eles o presidente interino, Abdelkader Bensalah.

- Futuro promissor -A seleção argelina acrescentou uma segunda estrela a sua camiseta ao conquistar o título 29 anos depois da CAN de 1990. Embora tenha chegado ao Egito sem muitas esperanças, a equipe de Riyad Mahrez foi crescendo até reinar no continente. Em pleno movimento de protesto popular contra a elite política do país, este êxito assume uma dimensão especial.

"Toda a Argélia vai estar na rua, vai ser incrível. Eu vivi isso em 2014 (quando a seleção argelina chegou às primeiras oitavas de final em uma Copa do Mundo), foi incrível. Mas agora vai ser ainda maior", já havia previsto o ex-jogador do Valencia, Sofiane Feghouli.

De Orã, a cidade natal do artilheiro Baghdad Bounedjah, a Paris e Marselha, onde há uma grande população de emigrantes argelinos e descendentes, os torcedores comemoraram o título em um ambiente de festa apesar de alguns incidentes isolados.

Símbolo da transformação dos 'Zorros', Mahrez, autor de um golaço de falta na semifinal contra a Nigéria, parece ter dado um passo adiante após herdar a braçadeira de capitão: "Sempre tive muitas responsabilidades na seleção. Mas usar a braçadeira me deu confiança".

Com jovens talentos como Ismaël Bennacer, eleito melhor jogador do torneio com apenas 21 anos, ou Youcef Atal, o futuro da Argélia parece radiante.

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