Esporte

Em busca de título mundial, Esquiva nega arrependimento por ficar de fora das Olimpíadas no Rio

03/08/2016 06h00

Esquiva Falcão revelou vontade de enfrentar seu algoz novamente - Divulgação

Esquiva Falcão revelou vontade de enfrentar seu algoz novamente – Divulgação

Com o país em clima de Olimpíada, todos os olhos se voltam para o mundo dos esportes e principalmente para os competidores que vão defender a nossa bandeira rumo ao lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro a partir desta semana. Conhecedor deste clima que antecede à competição, Esquiva Falcão, medalhista de prata no boxe nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 é um belo exemplo do quanto um resultado de destaque neste torneio pode mudar a vida do atleta.

Morando nos Estados Unidos, Esquiva veio ao Brasil para acompanhar os Jogos e para participar de ações publicitárias de seus patrocinadores na última seta-feira (29).  Na ocasião, em conversa com a reportagem da AG Fight, o hoje invicto lutador profissional de boxe relembrou da final olímpica que mudou sua trajetória no esporte e revelou o desejo de encarar seu algoz, o japonês Ryota Murata, que lhe roubou a medalha de ouro por apenas um ponto quatro anos atrás.

“Tenho vontade de fazer a revanche com ele sim. Eu já lutei com ele duas vezes. A primeira ele me ganhou de verdade e a segunda foi o juiz quem me venceu. Quero muito fazer a revanche com ele, mas eu não quero uma revanche só por lutar, sem valer nada. Eu quero uma revanche com ele valendo um cinturão mundial. Acredito que minha equipe vai conseguir fazer essa luta”, revelou Esquiva. 

Com o resultado nos Jogos, Esquiva se tornou o brasileiro que chegou mais perto do ouro nas competições de boxe. Mesmo assim, ele decidiu não participar da edição dentro do seu próprio país e a atitude gerou revolta e indignação por parte de alguns fãs que sonhavam em ver o pugilista rumo ao feito inédito. Apesar das críticas, Esquiva conta que não se arrependeu da ter tomado essa decisão e explica que tudo foi bem pensado para não prejudicar seu desempenho na busca pelo cinturão de boxe.

“A melhor coisa que eu ganhei no boxe foi essa medalha olímpica. Só que liberaram o boxe profissional muito em cima no pré-olímpico e o Brasil tinha seis vagas e elas já estavam preenchidas, então eu teria que ir para a Venezuela para me classificar. Fui chamado de 10 a 15 dias de antecedência e eu teria que mudar tudo muito rápido, tirar o foco de uma competição e colocar em outra, mudar meu treinamento de boxe profissional para boxe olímpico e aí seria um risco muito grande e minha equipe decidiu que era melhor eu não participar. Foi uma decisão tomada em comum acordo. Se minha equipe falar: 'Esquiva, amanhã você vai lutar com o campeão mundial', eu vou lá e vou lutar. O que minha equipe decidir para mim eu vou fazer”, garantiu.

Mesmo perdendo lugar para o MMA nas transmissões televisivas no Brasil, o boxe ainda movimenta muitos fãs pelo mundo. Por isso, Esquiva afasta a possibilidade de que seu esporte tenha perdido seus holofotes para as artes marciais mistas de vez, embora tenha uma teoria própria que explica o porquê dos brasileiros terem esquecido um pouco da nobre arte.

“O boxe ficou muito tempo sem campeão. Depois do Acelino ‘Popó’ Freitas o boxe nunca mais teve um campeão brasileiro. Aí eu cheguei com a medalha de prata e aí o boxe começou a levantar novamente. Eu acredito que quando eu começar a me destacar mais, garantir um cinturão pro Brasil, ele vai voltar a ser uma potência. Mas quem é fã de boxe, vai morrer fã de boxe. Quem é fã de MMA, vai sempre gostar mais de MMA. Mas os fãs de boxe são sempre mais verdadeiros, mais fiéis”, relatou defendendo seus admiradores.

Popó virou a personificação do boxe no Brasil quando se tornou campeão mundial em 1999 e até hoje carrega e colhe os frutos do seu feito. Esquiva está na estrada para garantir o mesmo resultado, mas será que ele se sente preparado para assumir a responsabilidade de ser o porta-voz do esporte dentro do seu país? Quando questionado sobre isso, a tensão tomou conta de seu rosto. É visível que ele ainda não sabe a resposta para essa pergunta, mas ele tem ciência de que, se virar campeão, as responsabilidades virão como uma enxurrada.

“Tenho um pouco de medo de não conseguir estar disponível em todos os momentos. Não sou muito bom com câmeras e aí eu tenho medo de tumultuar tudo e não ter chance de me explicar depois. Tenho medo de não ter muito espaço para minha família, meus amigos, minha vida pessoal mesmo. Porque eu sou duas pessoas, sou o atleta e sou a pessoa normal. Tenho medo de não conseguir juntar as duas pessoas e conciliar as duas partes. Mas eu vou chegar lá”, prometeu, com a confiança que lhe acompanha desde os tempos do esporte amador.

Aquele menino que não tinha recursos e socava uma bananeira no quintal de casa para treinar ficou para trás e deu lugar ao atleta que garantiu a melhor campanha do boxe brasileiro em Jogos Olímpicos de todos os tempos. Pessoa muito simples e de simpatia indiscutível, Esquiva sonha alto e se considera apenas no início de um grande sucesso. Morando atualmente em Las Vegas com a mulher e os filhos, o brasileiro se dedica integralmente aos treinos para realizar mais um de seus sonhos de infância: se tornar o mais novo campeão mundial de boxe de seu país.

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