Esporte

Aposentado, Demente revela que aguarda por terceiro flagra em exame antidoping

04/02/2017 10h00

Ricardo 'Demente' cumpre suspensão por doping - Divulgação

Ricardo ‘Demente’ cumpria suspensão por doping antes do novo flagra – Divulgação

Sem lutar desde junho de 2015, ocasião em que perdeu sua invencibilidade no MMA, o brasileiro Ricardo ‘Demente’ Abreu passou por uma série de percalços pessoais que, após um ano de inatividade no esporte, encontraram o ápice de seu ‘inferno astral’ no flagra em um exame antidoping supresa. Suspenso das competiçoes por dois anos, o atleta voltou a ser notícia na última semana ao testar positivo mais uma vez em exames da USADA, o que garantiu o anúncio de sua aposentadoria antes mesmo do resultado de um terceiro e ainda desconhecido laudo se tornar público.

Em conversa com a reportagem da Ag. Fight, o ex-participante do TUF Brasil, que se mudou para a cidade de Dallas, onde abriu sua própria academia de jiu-jitsu, afirmou que o teste divulgado pela agência antidoping na última quarta-feira (1º) foi realizado no final de 2016 e que um outro exame coletado uma semana depois ainda não foi revelado ao público.

“Acho que vai dar positivo de novo”, se resignou. “Esse teste foi feito uma semana depois do outro. É lógico que existem resquícios no corpo”, analisou o agora ex-lutador, abrindo a narrativa em formato de desabafo que justificaria os dois (ou três) flagras nos recentes arquivos da USADA.

Aos 32 anos, Demente garantiu que o início do martírio se deu em 2015, quando motivado pela oportunidade de trilhar uma boa carreira no UFC se mudou de Las Vegas, onde dava aulas na academia de Wanderlei Silva, para Los Angeles, onde passou a integrar a Kings MMA, time liderado por Rafael Cordeiro.

“Tinha acabado de entrar no UFC, meu visto de trabalho não permite minha esposa a trabalhar. Recebi uma propostade um patrocinador para parar de dar aulas e focar apenas em treinar, mas foi bem na época da crise. Quando me mudei, tudo que já era caro, ficou pior porque passei a receber menos, já que ganhava em reais e convertia para dólar”, narrou.

A solução encontrada nos meses seguintes foi se mudar para Albuquerque, cidade mais barata e que conta com a Greg’s Jackson MMA, celeiro de astros do esporte do calibre de Jon Jones, Donald Cerrone e Holly Holm. No entanto, enquanto ainda se acostumava às mudanças de clima e rotina, além de fazer os preparativos para a chegada de seu segundo filho, Demente passou, de acordo com o seu relato, a sofrer com sintomas de depressão.

“Tinha dificuldades físicas e emocionais. Minha performance caiu bastante, sentia muito cansaço e dormia demais, mas as vezes tina insônia enão dormia. Quando meu patrocinador cancelou o contrato, então, piorou muito. Não tinha disposição nem para pegar a carta do correio. Não tinha prazer e nem coragem para viver. É a pior doença que existe”, relatou, garantindo que ainda demorou para se consultar com um profissional.

“Fui no médico e ele constatou que eu sofria de depressão. Aquilo não entrava na minha cabeça. Fiz exames e eles estavam todos desregulados. O médico me orientou a partir daí. Tentamos fazer um tratamento de forma natural, mas não funcionou e eu saí do card na Austrália”, se referindo ao show de novembro de 2015. Na ocasião, Demente afirmou que uma lesão na costela o retirou do combate.

“Eu saí da luta e pedi uma licença médica ao UFC para poder me tratar. Eles foram super legais comigo e disseram que era para avisar quando eu estivesse bem. Depois de alguns meses, não consegui os resultados com o tratamento natural, coloquei na balança e vi que não conseguia treinar, quanto mais lutar”, afirmou, garantindo que a partir do primeiro trimestre de 2016 iniciou com a medicação.

Os remédios, de acordo com o atleta, visavam normalizar seus níveis hormonais e garantir seu retorno à uma vida sociável de qualidade. Ainda durante o tratamento, um exame surpresa da USADA garantiu o flagra para substâncias proibidas.

“Nunca menti, eu sabia de tudo que eu tava fazendo. Tanto que eu nunca pedi contra prova. Mas eu estava de licença médica, precisa de tratar. Não fiz para aumentar minha performance. Depois desse exame, eu ainda terminei os três meses de medicação e depois parei, pois fiquei com medo do que poderia vir pela USADA”.

Com dois anos de gancho sem questionamentos pela parte de Ricardo, o atleta voltava aos treinos quando, novamente surpreendido por visitas dos agentes antidoping, a certeza de que novos flagras poderiam atrapalhar sua imagem culminaram na sua aposentadoria do MMA.

“Eu já tinha parado,mas tinha resíduo no meu corpo. Não sei o tempo de vida do que eu estava tomando. O engraçado é que dá a impressão de que eu estava trapaceando ou de que eu era muito burro . Eu nem pensei, estava cuidando da minha saúde. Mas com as novas regras da USADA nem licença médica se pode tirar mais. Queria apenas resolver minha condição mental antes de pensar em lutar”, garantiu, antes de questionar a postura da entidade.

“Eles me testaram, e depois na outra semana me testaram de novo. E depois disso ainda tentaram um outro teste,mas eles erraram o número da casa . Tudo isso em um mês. Agora estou curado e estou bem melhor. Ainda tenho altos baixos, mas estou bem melhor. Não sei se vou precisar seguir com o tratamento. Tem muita coisa na mina cabeça no momento. Mas preferi me aposentar do MMA, cuidar da minha academia e, quem sabe, voltar a competir jiu-jitsu”.

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