Esporte

Marco Ruas questiona critérios do Hall da Fama do UFC: "Panelinha"

Ag. Fight

04/05/2017 15h29

Marco Ruas venceu o torneio do UFC 7, em 1995 – Instagram

Campeão do torneio do UFC 7, evento realizado em setembro de 1995, Marco Ruas garantiu seu nome na história do MMA ao apresentar ao mundo o ‘cross training’. Dono de vasto arsenal tanto em pé quanto no chão, o brasileiro quebrou a lógica unidimensional do esporte, que até então era dominada por grapplers. Justamente por isso, a indicação de Maurice Smith ao ‘Hall da Fama’ do maior evento de lutas do mundo incomodou.

Não exclusivamente pelo seu nome ter sido preterido em relação ao do americano, mas pela forma como o anúncio foi feito. Através de um vídeo, os feitos do kickboxer foram enaltecidos e, dentre eles, Maurice foi apontado como o primeiro atleta capaz de frear o domínio dos lutadores especialistas em wrestling e jiu-jitsu. E isso incomodou Ruas.

“Eles estão chamando os caras das antigas, do começo. Botaram o Don Frye, que era outro que merecia, e agora o Maurice Smith. Não sei, ele merece, foi campeão também. Só acho que ele não foi o pioneiro disso, do cross training. Ele veio depois de eu ter sido campeão, fui o primeiro a demonstrar outras técnicas, fiz isso antes dele. Mas ok, o cara merece, foi campeão. Já lutamos e ele me venceu”, analisou em conversa com a  reportagem da Ag. Fight.

Como de costume, a inclusão dos novos membros do Hall da Fama (são quatro categorias diferentes) será feita em julho, em Las Vegas (EUA). Assim como Don Frye, Bas Rutten, Royce Gracie e Ken Shamrock, Maurice Smith fará parte da lista dos pioneiros do esportes, veteranos que ajudaram a construir o MMA como grande potência de público e mídia ao redor do globo. E, para Ruas, há espaço para o seu nome.

“Acho que existe uma política. No final eles favorecem muito os americanos, é uma panelinha. Não é votação dos fãs. É pelo UFC, eles escolhem quem vai ser. A gente que começou esse esporte, mas não somos bem vistos por eles. Os americanos querem o evento para eles serem os campeões, terem mais cinturões e serem os melhores”, criticou.

De fato, Smith venceu Ruas em duas oportunidades, em 1999 e  em 2007, em confrontos em que o brasileiro começou melhor e foi batido por lesão ou por falta de preparo físico. Mesmo assim, seu nome aparece como unanimidade entre atletas de seu país que o apontam como o ‘Pai do MMA’, o pioneiro a praticar diferentes artes marciais em um período em que a família Gracie vencia todos os desafios e dominava o cenário do esporte nas décadas de 80 e 90.

“Tenho consciência disso. Não é querer tirar onda, mas eu briguei muito contra isso”, ponderou. “No meu tempo, era jiu-jitsu o negócio. Batalhei isso muito antes, em 1984 eu enfrentei o Pinduka (aluno da família Gracie) já achando que o jiu-jitsu não era a luta mais completa. Tanto que treinei jiu-jitsu depois com o Oswaldo Alves e nos treinos não tinha pancada, soco ou chute. Por isso sempre treinei outras coisas, wrestling, muay thai, boxe…”.

Aos 56 anos e dono de um cartel com nove vitórias, quatro derrotas e dois empates, Ruas competiu em eventos como UFC, Pride e IFL, e a julgar pelo legado deixado em seus pupilos, diretos ou indiretos, como Pedro Rizzo, André Pederneiras, José Aldo, Renato ‘Babalu’ e Gleison ‘Tibau’, ele já está no Hall da Fama.

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