MMA

Thiago Silva deixa passado para trás e aponta família como razão de mudança

Reinaldo Canato/UOL
Thiago Silva Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Ag. Fight

07/06/2017 09h00

 

Aos 34 anos e com vida renovada, Thiago Silva garante ser um novo homem. Campeão meio-pesado (93 kg) do ACB (Absolute Championship Berkut), pai de duas filhas e livre do “drama de grandes academias”, o paulista parece ter reencontrado a paz em sua caminhada após o turbilhão que lhe custou o contrato com o UFC em 2014. E, para isso, ele se apoia em sua família.

Casado e pai de duas meninas, de um e dois anos de idade, Thiago vendeu recentemente sua academia no estado americano da Flórida e agora foca apenas em seu próprio treinamento. Com a defesa do cinturão marcada para o dia 23 de  julho, o lutador garantiu que o primeiro passo para se chegar ao topo é estar com a vida pessoal tranquila.

"Tenho duas meninas, uma de um ano e a outra de dois. Minha esposa é brasileira, mas nasceu lá e veio pequena para os EUA. Tudo mudou muito. Você começa a dar valor à vida. Eu era um moleque que só queria treinar e sair de rolê. Agora quero ficar em casa e cuidar da minha família. A cabeça muda, você começa a ter valores diferentes", narrou em conversa exclusiva com a reportagem da Ag. Fight.

Alternando treinos na Flórida, estado americano onde vive, e na Califórnia, onde treina na King’s MMA às vésperas de suas lutas, ou até mesmo na Chechênia, onde foi convidado do presidente para treinar um time local que se preparava para competir no mês passado, Thiago segue uma vertente ainda pouco difundida no esporte. Alheio aos grandes times, ele prefere fazer sua preparação com seus próprios mestres e garantir foco total nele mesmo, nem que para isso ele abdique da presença diária de grandes parceiros de treino.

"Tenho muita amizade com o Rafael , foi meu primeiro treinador. Quando tenho luta eu fico lá treinando com ele e com o Werdum. Mas agora meio que faço meu treino sozinho. Cansei dessa politicagem de time. O pessoal quer cobrar muito, tem muito drama. Meio que faço meu treino sozinho mesmo. Quando estou na Florida tenho meu pessoal e faço meu treino. Quando tenho luta marcada eu vou para a King’s e treino com o Rafael, ou vou para a Chechênia e treino lá", disse, antes de tocar brevemente em um tema que o deixa desconfortável. O hoje veterano deixou claro durante a entrevista que não gosta de olhar para o passado. E tem seus motivos.

Quando parecia ter reencontrado o foco em sua carreira e vinha embalado por duas vitórias no UFC, Thiago foi acusado de invadir uma academia armado e de ameaçar pessoas. Tudo, no início de 2014, foi tratado como uma crise de ciúmes de acordo com sua então esposa, que ainda divulgou vídeos antigos que, de acordo com seu relato à polícia, comprovariam que o atleta fazia uso de drogas. A confusão lhe custou seu contrato com o maior evento de MMA do mundo.

"Cometi meus erros. Acho que casei a primeira vez com a mulher errada. Não me ajudou em nada, me levou para o buraco e só queria saber de gastar meu dinheiro. Tive meus outros deslizes com outras mulheres. Cometi meus erros, mas estou aí, tenho tempo. Estou em um shape melhor, em uma fase técnica melhor. Não fico remoendo o passado. Fui preso por uma coisa que eu não fiz. O caso foi arquivado por falta de provas. Não tenho passagem pela polícia. Todo mundo é inocente até que se prove o contrário. E nada foi provado contra mim. Meu recorde é limpo", revelou.

Por fim, é impossível não analisar sua carreira sem relembrar das mudanças de academia que marcaram seus últimos dez anos. Revelado pela Macaco Gold Team em São Paulo, Thiago também treinava muay thai na Chute Boxe, em Curitiba, antes de migrar para os EUA.

Lá, o ainda jovem lutador fez carreira na American Top Team até que acabasse acolhido na rival Blackzilians após um racha com seus treinadores. No entanto, a nova casa não durou tanto quanto o esperado e a implosão do time terminou por fazer de Thiago seu próprio capitão.

"Todo time que começa bem, tem uma hora que se desentende por dinheiro. Dinheiro é o maior problema, o pessoal vê que você ganha mais um pouco e querem cobrar mais, inventar gastos. Todos têm direito a ganhar, mas quem tem que ganhar é o lutador, que coloca a saúde em risco e sofre lesão. O que aconteceu nas minhas mudanças foi tudo por dinheiro. Quem bota a cara ali é o lutador, ele que tem que ganhar dinheiro. Minha saída da ATT foi por causa dos treinadores, já não me dava bem, não concordava com a metodologia. A Blackzilians acabou, essa é a verdade. Começou a ter atrito entre dono e treinadores. O dono investiu muito dinheiro no time, mas quando ele viu que não tinha o retorno que esperava, ele começou a ferrar com o pessoal por dinheiro. Começou a prometer e não fazer, aumentar a cobrança. Se enrolou com o dinheiro e mentiras e o pessoal acabou saindo", analisou antes de garantir que, passados os tropeços, existe sim vida fora do UFC para um lutador profissional.

"Não ganho a mesma coisa que eu ganhava no UFC, mas eu ainda ganho bem. Tenho vida boa, tenho uma família linda, e consigo sustentar eles bem. Não me falta nada. O ACB é o terceiro maior evento do mundo. É UFC, Bellator e depois o ACB. Pagam bem e tratam os lutadores muito bem. Saí do monopólio do UFC e sobrevivo muito bem. Vou lutar enquanto tiver saúde, é o que gosto de fazer. Me arrependo de muita merda que fiz, mas estou aí, me sinto melhor do que estava no UFC. Experiência, shape melhor, cabeça aberta e família. Tenho pé no chão. Se o UFC quiser me chamar de volta, eu vou. Se não, logo logo o Bellator vai me chamar. E o ACB está crescendo muito", finalizou.

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