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Por sonho de cinturão, Demian Maia passa por cima de situação atípica

Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Demian Maia comemora após vencer Jorge Masvidal no UFC 211 Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

Ag. Fight

11/07/2017 06h02

Demorou mais do que ele esperava, mas finalmente Demian Maia conquistou a chance de poder disputar o cinturão dos meio-médios (77 kg) do UFC. O duelo contra o americano Tyron Woodley, atual campeão da categoria, será no dia 28 de julho, no evento de número 214 do torneio. Motivo para ficar radiante e contente com a organização, certo? Bom, não é bem assim…

A luta não veio exatamente no momento em que Demian e sua equipe estavam se planejando. Depois de vencer Jorge Masvidal em maio, o brasileiro teve que aceitar o duelo pelo cinturão em um intervalo de pouco mais de dois meses entre as duas lutas, algo que nunca havia acontecido em sua carreira no MMA. Em conversa com a imprensa em um restaurante em São Paulo, o especialista em jiu-jitsu falou sobre os problemas que esse curto espaço de tempo pode causar.

"O prejuízo é que estamos acostumados com um tipo de camp e, neste caso é o menor camp que terei desde que entrei no UFC e justamente para a luta mais importante das 25 que já fiz aqui. Mas, a partir do momento que a gente aceitou a luta, porque queremos muito ser campeão, a gente tem que olhar para frente, trabalhar e fazer o melhor para chegar lá 100%. Não tem muito mais o que ficar lamentando. A choramingada a gente já deu lá entre a gente. Não abrimos para a imprensa até porque não tinha o porquê", explicou o paulista.

Demian estava acompanhado de seu treinador principal e também empresário Eduardo Alonso, que foi ainda mais duro nas palavras em sua análise da situação. Para ele, a ideia dos mandatários do Ultimate era usar o brasileiro como uma “escada” para que outros promissores atletas pudessem chegar ao topo da categoria.

"Eu acho que quando houve essa derrota para o Jake Shields e a derrota para o Rory MacDonald, apesar de serem lutas duras, ali – é uma opinião – acho que o UFC meio que desistiu e quis usar o Demian de escada para outros atletas. Isso chegou ao ápice na luta contra o Gunnar Nelson que, sem entrar em muitos detalhes, mas a gente foi insistentemente convidado a fazer aquela luta. Acho que as pessoas tinham a certeza de que o Gunnar Nelson ia ganhar e creio que eles apostavam nele como sendo a nova safra do jiu-jitsu no UFC. Mas tudo serviu de motivação. Até o último momento eles quiseram, e a constatação veio com a luta contra o Masvidal, que ainda achavam que o Demian poderia ser uma escada para outros atletas. Isso é uma opinião", disse o empresário.

Em uma das categorias mais disputadas e equilibradas do UFC, Demian vem de uma incrível sequência de sete vitórias consecutivas, que incluem triunfos diante de Matt Brown, Carlos Condit e Neil Magny. Mas, aos 39 anos, o paulista sabe que não terá muito espaço no futuro para trilhar novas oportunidades de lutar pelo título. Isso o fez refletir sobre o futuro do esporte no Brasil – e novamente questionar algumas atitudes do UFC.

"Muito difícil saber o que acontecerá com o MMA do Brasil. Porque não depende só do Brasil, depende da direção do UFC querer ser mais plural, dar mais chance a brasileiros. Do mesmo jeito que eu estou conseguindo essa chance agora com muito esforço, poderiam ter dado essa chance ao Jacaré. Depende se a direção quer manter algo mais americanizado, para o público deles. Ou se quer abrir para o mundo", sintetizou.

Dono de um cartel de 25 vitórias e apenas seis derrotas, Demian é o brasileiro com o maior número de lutas e vitórias no UFC. Em abril de 2010, o especialista em jiu-jitsu enfrentou Anderson Silva pelo cinturão dos pesos-médios (84 kg), em duelo que ficou marcado pelas provocações do então campeão.

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