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Brasileiro relembra drama e diz que pensou em parar antes de entrar no UFC

Ed Mulholland/Getty Images
Junior Albini nocauteia Timothy Johnson no UFC Long Island Imagem: Ed Mulholland/Getty Images

Ag. Fight

10/08/2017 09h00

 

Se destacar no cenário nacional de MMA, ser contratado pelo UFC e de quebra estrear com o pé direito na nova organização. Este é o sonho máximo de qualquer postulante a atleta profissional de artes marciais mistas no Brasil, e Júnior Albini, mais conhecido pelo apelido "Baby", pode dizer que conquistou tal objetivo. No entanto, a trajetória até a nata do esporte não foi fácil, e, por isso, o competidor natural de Paranaguá (PR) não se desfaz dos percalços que por muito pouco não o fizeram desistir do objetivo de se destacar na modalidade e ter a condição de proporcionar uma vida melhor à sua ainda pequena família. 

A realidade precária que os competidores de MMA enfrentam fora dos grandes eventos foi um dos principais agravantes, pois, como ele próprio relembrou em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, suas noves lutas anteriores à estreia no UFC não lhe proporcionaram "nem um centavo". Tal cenário induziu Baby a fazer certos questionamentos sobre o quão válido era persistir no sonho, porque, simultaneamente aos problemas financeiros, Júnior não podia acompanhar o crescimento de sua filha, que atualmente tem dois anos de idade. Mas como em um roteiro digno de Hollywood, o paranaense provou que persistir ao máximo pode valer a pena. 

"Foi tudo no sacrifício, e eu me dizia ‘mais um ano’, pedia emprestado e fazia bico acreditando no sonho”, relatou pouco antes de narrar que, quando trabalhava como garçom aos finais de semana, recebia cerca de R$ 60 por noite. “Estava muito mal, contei com ajuda da minha mãe até para comer. Reduzimos muita coisa para poder continuar vivendo no sonho. Minha esposa sempre me apoiou e acreditou que eu chegaria lá.  Quatro anos assim, fui cortando o básico para poder viver com a condições mínimas que me permitissem comer bem", revelou, garantindo que chegou a pensar em largar o esporte.

"Até o momento que minha esposa ficou grávida, a situação ficou mais difícil. Mas aí quando ela começou a andar e ficou com dez meses, foi aí que ficou mais difícil. Esse último ano foi o mais difícil e pensei em parar para dar uma condição para ela pois temia estar prejudicando a infância dela e algo que ela poderia ter. Esse último ano foi mais difícil, quando ela começou a falar com um ano e quatro meses e eu pensava em parar quase todo dia.  Agora com essa parte financeira eu posso focar no treino.  Tentarei manter o mesmo padrão de antes, né? Mas com mais qualidade de vida e tranquilidade, tanto para minha filha e minha esposa", completou o jovem peso-pesado de 26 anos. 

A boa fase se concretizou após sua luta de estreia no UFC Long Island (EUA), quando ele nocauteou Timothy Johnson ainda no primeiro round. Com a vitória arrasadora sobre o norte-americano, Albini recebeu a notícia que precisava para se estabilizar financeiramente: a de que, além da bolsa pela vitória, ele conquistou uma premiação individual por performance – feito que lhe conferiu 50 mil dólares (cerca de R$160 mil) a mais em sua conta. Cenário completamente oposto ao que antecedeu a semana da luta, quando ele, por falta de dinheiro, teve que decidir se comprava um presente para sua filha ou gastava seu dinheiro todo com alimentação. 

"Na verdade, a boneca eu comprei com o dinheiro da comida que o UFC dá para gastarmos com os mantimentos da semana. Fui sair para comprar as coisas e acabei vendo as bonecas, porque aqui no Brasil é muito caro, e comprei para minha filha com esse dinheiro”, relembrou Albini sem qualquer arrependimento. “Quero dar o melhor para elas, mas quero manter sem exageros. Procurar manter um padrão legal, mas economizando o máximo que puder. Sou novo e acredito que posso dar alguns saltos, fazer algum intercambio fora. Quero não mexer em uma parte do dinheiro, quero guardar", ponderou, garantindo total consciência em relação à instabilidade da vida de um atleta profissional. 

A preocupação com o futuro financeiro de sua família é natural para alguém que sabe o que é passar por dificuldades, e justamente por isso o peso-pesado prefere manter a calma e consolidar seu nome na organização aos poucos. Nem mesmo a ascensão meteórica na divisão dos pesados – que, com apenas uma luta, já o coloca entre os 15 melhores do ranking do UFC – é capaz de fazer com que o brasileiro perca o foco e deixe de manter os pés no chão. 

'Corto peso para bater 120 kg, mas quero mudar isso aí e melhorar o shape, ganhar massa magra e perder mais gordura, mas não quero perder peso não. Isso faz diferença na velocidade e tamanho. Mesmo pesadão não perco velocidade, então vou explorar isso aí.  Acredito que apesar de estar em 13°, preciso de mais experiências no octógono para me sentir melhor. Não quero dar um passo maior do que a perna, quero fazer algumas lutas antes de pegar os caras lá de cima", concluiu a promessa brasileira da divisão dos pesados.

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