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Alvo de críticas, Pezão pede respeito da torcida aos lutadores veteranos

Erik Engelhart
Imagem: Erik Engelhart

Felipe Castello Branco, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

26/09/2017 08h00

Aos 38 anos, Antônio 'Pezão' vive o pior momento de sua carreira no MMA. Com apenas uma vitória nas últimas dez apresentações no octógono, o veterano, que agora compete em organizações russas, tem um novo grande desafio pela frente. Escalado para estrear no

O confronto está marcado para o dia 14 de outubro, no torneio Glory, principal da modalidade e que revelou ao mundo alguns dos maiores atletas da atualidade. Mas apesar das adversidades, Pezão não apenas garante confiança como, fazendo uma análise independente do resultado, voltou seus olhos para os torcedores brasileiros. Afinal, de acordo com ele, são os fãs que, quando movidos pelo imediatismo, impulsionam ou derrubam a carreira de um atleta sem lhe dar chances.

"A crítica faz parte, tem muita gente que é torcedor apenas nos bons momentos. Eu sou um muito fã do Minotauro, já vi ele lutar, assim como o Wanderlei Silva. Quem conhece o Minotauro sabe o grande ser humano que ele é. E eu via pessoas falando mal dele e isso me deixava angustiado. Acho que na época eu tinha apenas uma luta. E isso faz parte. Quando você está ganhando, você é o 'melhor do mundo, ninguém te vence e você é o cara'. E quando você perde você 'não presta mais e tem que parar'. Acho que as pessoas esquecem e faltam o respeito com o atleta", narrou o gigante que no auge da carreira disputou o cinturão do UFC.

Vivendo na pele essa diferença de tratamento, Pezão garantiu que não fala apenas por ele. Afinal, vivemos um curioso momento da transição entre a geração mais talentosa que esse esporte já viu (Anderson Silva, rodrigo 'Minotauro', Wanderlei Silva entre outros) para uma nova leva de atletas que ainda precisam de tempo para amadurecerem. E se falta paciência e respeito com quem tem vasto legado, imagine para quem ainda começa no esporte.

"Fizeram com o Anderson Silva, com o Wanderlei Silva, com o Minotauro. Essas pessoas têm que ser respeitadas pelo resto da vida, independentemente se ainda vêm lutando e de resultado. Por tudo que eles fizeram, eles merecem respeito. Como eu falei, a má fase existe para todo atleta, seja de qualquer esporte. Mas, nada é para sempre, tudo é passageiro", relativizou.

No centro das críticas por ter aceitado o desafio que além de colocá-lo diante de um dos maiores nomes da modalidade logo em sua estreia no kickboxing o joga em um ringue contra um nocauteador quando em pouco mais de três anos Pezão beijou a lona em sete oportunidades. Com esse cenário desenhado, surgiram teorias sobre a motivação do veterano em aceitar o confronto. Mas ele, por sinal, afasta todas elas para defender sua paixão como competidor.

"Se eu parasse hoje, graças a Deus teria condições de sustentar a minha família. Mas, eu não faço isso apenas pelo dinheiro e sim pelo amor pelo esporte e pela arte marcial. Mas, a luta, de fato, mudou muito a minha vida e meu deu muitas oportunidades. Só tenho a agradecer.  Não sei quanto tempo ainda pretendo lutar. Pode ser menos, como pode ser mais. Estou com 38 anos e nós vemos grandes atletas que seguem lutando bem aos 40 anos. O Randy Couture lutou até os 44 anos e o Dan Henderson lutou até os 45 anos. E ambos também tiveram má fase. Deram a volta por cima e terminaram muito bem", narrou, antes de detalhar a sua motivação para o confronto.

"Para mim, é um esporte novo. Mesmo treinando boxe e muay thai sempre, que é parecido com o kickboxing, tratam-se de estilos diferentes, até porque eu venho do MMA onde tem wrestling, jiu-jitsu, onde você pode usar a grade. Então, é uma coisa nova para mim. E é um esporte que estou com muita vontade de me testar. Eu passei quatro semanas treinando com um especialista do kickboxing e acho que meu nível está ainda no começo. Estou engatinhando ainda nessa nova modalidade, com novas regras. Sei que estou bem fisicamente e com a mão minha muito boa. O que eu mais quero é impressionar e fazer uma boa luta", finalizou.