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Amanda Nunes reclama de falta de apoio do UFC: "Não sou perfil que querem"

Perry Nelson/USA TODAY Sports
Amanda Nunes comemora vitória sobre Valentina Shevchenko pelo UFC 215 Imagem: Perry Nelson/USA TODAY Sports

Diego Ribas, em Las Vegas (EUA)

Ag. Fight

24/11/2017 07h00

Campeã peso-galo (61 kg) do UFC com duas defesas seguidas de título e seis vitórias consecutivas, Amanda Nunes vive a melhor fase da carreira. No entanto, engana-se quem pensa que a 'Leoa' está tranquila com a sua situação. É bem verdade que a atleta não esconde a felicidade de ser a dona do cinturão, contudo outros fatores perturbam o sono da brasileira.

Apesar de dominar a categoria dos galos há mais de um ano, a Leoa parece ter a convicção de que não possui o perfil desejado pelo Ultimate para uma lutadora dona de um cinturão. Na visão da brasileira, a companhia nunca investirá em peso no seu futuro pois ela não estampa a faceta desejada pela organização.

"Chegou um ponto que as vezes eu prefiro esperar e pegar uma luta que venda. Tudo é pay-per-view, tudo gira em torno disso. E eu não vendo pay-per-view. Eu sou uma atleta que as pessoas gostam de assistir, mas o perfil do campeão do UFC não sou eu. Mas eles têm que me engolir. Eles nunca vão me vender para alcançar um patamar como o da Ronda Rousey ou da Holly Holm. Eu não sou o perfil que eles querem.   Eles querem loirinhas, menininhas bonitinhas, que lutam e tiram fotos. Femininas. Sejamos realistas, eu tenho que enfrentar as meninas que vendem", ressaltou durante conversa com a reportagem da Ag. Fight.

De acordo com Amanda, o fato de ela não se enquadrar no perfil desejado pela companhia pode influenciar até nos planos do UFC para o seu futuro. Para a brasileira, o objetivo da organização parece ser que o cinturão da divisão fique nas mãos de uma atleta com quem eles queiram trabalhar em cima suas campanhas de marketing. E nesse cenário, ela não seria tão atrativa.

"Eles não são idiotas, eles sabem o que fazem. Tudo é marketing no UFC, é por isso que é o UFC. Por isso que estão fazendo isso. Eles querem colocar alguém para me vencer e que eu saia de forma ruim. E acabou. Falei com eles sobre isso. Sei que é isso que eles querem, alguém que eles possam trabalhar o marketing e ganhar dinheiro", declarou, antes de garantir que não mudaria sua forma de agir para receber mais atenção da companhia.

"Mas por que? Eu não vou estar sendo que eu sou. Não faz sentido eu mudar. Você tem que ser quem você é", afirmou.

Nitidamente incomodada com a situação, Amanda ainda ponderou que até no momento de arrumar um patrocínio encontra dificuldades com a suposta falta de marketing por parte da companhia. Na opinião da atleta, o Ultimate trabalha sem pensar na possibilidade de denegrir sua imagem com os fãs.

"Todo atleta depende da situação financeira. É óbvio que eu quero fazer dinheiro. Ter o cinturão é um sonho realizado, mas no final das contas, você tem que ter algo na sua conta bancária para poder fazer as suas coisas. Então, o cinturão é uma coisa boa, mas sem a divulgação e o marketing necessário, patrocínio, por exemplo, fica difícil de arrumar. Tudo fica mais difícil. Tudo bem que aconteceu aquele episódio depois da luta da Ronda que eu falei algumas coisas e as pessoas ficaram um chateadas. Mas, ninguém sabe o que aconteceu por trás dos panos. O UFC só exibe entrevistas para as pessoas lembrarem de um episódio ruim meu. Eles mesmos acabam colocando o atleta lá embaixo. Eles colocam o atleta lá em cima e ao mesmo tempo lá embaixo. É o tempo todo isso. Toda luta que eu faço é assim", desabafou.

Dentro do octógono, Amanda vive a melhor fase da carreira a não perde uma luta desde setembro de 2014. Aos 29 anos de idade, a Leoa coleciona na carreira um cartel com 15 vitórias e quatro derrotas.

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