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Promessas do MMA feminino narram dificuldade de aliar vaidade com treinos

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Poliana Botelho e Mackenzie Dern são contratadas pelo UFC Imagem: Instagram

Lais Rechenioti, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

15/02/2018 06h00

A vida de uma mulher pode envolver idas ao salão, cuidados com a beleza e gastos com produtos específicos para cada parte do corpo, indústria essa que movimenta bilhões de dólares o redor do mundo anualmente. Quando se trata de uma atleta, esses procedimentos são os mesmos, embora seja preciso intercalá-los com treinos de alto rendimento - que podem atrapalhar em alguns dos resultados desejados.

Trazendo essa realidade para o mundo do MMA, a rotina de um lutador é composta pela intensidade dos treinos, frequência que eles são realizados e pelo número de diferentes modalidades praticadas - cada uma com a sua particularidade. No caso de algumas mulheres, também seria preciso conciliar esse rito com tratamentos usados para driblar os danos causados pelo suor excessivo, quebra de unhas, danos ao cabelo... Com o objetivo de entender mais a fundo essa realidade, a reportagem da Ag. Fight conversou com as pesos-palhas (52 kg) Poliana Botelho e Mackenzie Dern, que revelaram alguns de seus segredos para as atletas de alto rendimento mais vaidosas que queiram equilibrar cuidados com a beleza com o dia a dia da preparação para os combates no UFC.

Dentre os temas abordados, ficou claro que, em algumas circunstâncias a rotina das atletas faz com que alguns cuidados sejam deixados de lado eventualmente. Poliana revelou que se esforça como pode para manter a beleza em dia, mas reconheceu que os poucos sacrifícios que consegue fazer estão longe de ser o ideal para ela. A atleta da academia Nova União ainda revelou que, em função dos treinos, enfrenta até mesmo queda de cabelo, além de lidar com os riscos de infecção bacteriana.

"Acho que para mim, é muito difícil de manter. A gente mantém o máximo que dá, mas não é 100%. Se você for fazer a unha de manhã, você tem treino de manhã, e aí a unha vai acabar estragando, se você faz a tarde, tem treino a noite e acaba desfazendo a unha. Acho que tem um risco muito grande, muitas lutadoras vão dizer assim: 'Ah, eu faço unha e não tem importância, não ligo'. Eu me preocupo muito com questão de que: se você faz uma unha e a manicure sem querer acaba arrancando um 'bife', fica mais uma entrada para bactéria. A gente está no tatame o tempo inteiro, com luva na mão e a bactéria o tempo inteiro. Então, acredito que não é tão necessário ficar fazendo sempre por causa desses riscos", narrou Poliana.

"O tempo de eu sair de um treino, lavo a cabeça, vou para outro, lavo a cabeça e fico quase o tempo todo de cabelo preso. É pouco tempo solto, é o tempo praticamente de secar solto e quando vai para outro treino prende de novo. Tenho que lavar o cabelo três vezes ao dia, tenho que conversar com a minha dermatologista, porque tem época que começa a cair, por conta de lavar muito e tal. Tenho que ter muito cuidado com a questão de como cuidar, da maneira de cuidar, passar xampu, tem uma forma de fazer direitinho. Com a pele, tenho uma dificuldade maior, porque tem mulher que gosta de passar hidratante para não ficar 'russo' e tal. Dependendo do treino que saio para qual treino vou, não consigo passar hidratante. Tenho treino de wrestling, que é um treino de luta agarrada, onde escorrega muito".

Para algumas atletas, os poucos momentos em que conseguem se afastar do dia a dia do MMA é justamente quando conseguem focar mais em si mesmas, como é o caso de Mackenzie, que se prepara para fazer sua estreia no UFC na edição 222 do show - evento marcado para o próximo dia 3 de março, em Las Vegas (EUA). A americana, que é filha do ex-lutador brasileiro Wellington 'Megaton', lembrou que quando se lesionou e ficou impossibilitada de treinar, sua pele, unhas e cabelo ficaram muito diferentes do que está acostumada.

"Com certeza é muito difícil. É impressionante a diferença de quando me lesionei e precisava ficar um mês sem treinar. Como o cabelo, as unhas e minha pele ficaram em comparação quando estou em camp para luta com três ou quatro treinos por dia. Mas faz parte dessa vida, gosto de pintar as unhas, cuidar do cabelo, então sempre arrumo um tempo para cuidar o máximo que puder", revelou.

Inseguranças com o corpo

Não é nenhum segredo que a maioria das pessoas lida com inseguranças em relação a si mesmas e poucas vezes estão completamente satisfeitas com seus corpos. Realidade esta que também pode ser vista em algumas competidoras. Poliana, por exemplo, garantiu que existem certos períodos em que ela quer fugir da balança e que evita até mesmo se olhar no espelho. Sua primeira motivação para começar a lutar, inclusive, foi para emagrecer.

"Sempre fui muito ligada ao corpo. Inclusive, comecei a lutar, na época muay thai, porque eu estava querendo um corpo melhor. Eu estava um pouquinho cheinha e sempre fui muito ligada a isso. Quando estou em off  (fora do período de competição) e fora de camp, às vezes acabo comendo um pouco a mais e o peso sobe, não fico bem comigo mesma quando me olho no espelho, não quero nem olhar, na verdade. Fico querendo fugir da balança, mas fico atrás dela (risos). Mas, com certeza, a gente fica meio mal, acho que todo lutador passa por isso. Porque quando a gente sai de uma luta, a gente acaba engordando muito rápido, então, acho que é normal se sentir assim", assegurou a peso-palha.

Por outro lado, Mackenzie contou que não costuma se sentir desconfortável com seu corpo, mesmo em períodos 'off season'. A americana revelou que durante o seu último pós-operatório ela passou por um momento em que não se preocupava com a aparência, e enfrentou dias difíceis. Apesar disso, a atleta reconheceu que é responsável pelas consequências das suas atitudes com o seu corpo.

"Sou muito confortável com meu corpo, durante o camp e fora de camp. Mas depois da minha última cirurgia relaxei um pouco com minha aparência, mas foi a única vez que não me senti muito feliz sou muito bem resolvida em relação a isso até mesmo porque sou a única pessoa responsável por qualquer mudança, seja ela positiva ou negativa, em relação ao meu corpo", ressaltou.

Contato com os fãs

Por se tratarem de pessoas públicas, as atletas ainda precisam administrar o contato com os fãs e as críticas - tanto as construtivas como as negativas. No caso de Poliana, que tem apenas uma luta pelo UFC, o número de mensagens da torcida já parece difícil de administrar, embora a brasileira garanta que se esforça ao máximo para falar com todos e que considera esse assédio como um reconhecimento do seu trabalho.

"Recebo muita mensagem por 'direct', por Facebook... As pessoas assediando sim. Mas sou muito tranquila, sempre tento responder de boa. Mas não consigo responder todo mundo, porque tem muita mensagem. Fico muito feliz, porque não é assédio, é a pessoa se inspirar em você, te ver como uma pessoa que quer treinar igual. Acho que é alguém que se inspira em você, acredito que a maioria é mais por isso mesmo", analisou a lutadora.

Mackenzie concorda com o incentivo que recebe dos seus fãs e garante que entende que mesmo as críticas são fruto das diferentes culturas do seu público. A americana ainda assegurou que fica "muito feliz e lisonjeada com todo apoio que recebo e sou muito grata por todos".

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