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Técnico vê favoritismo grande para Lyoto contra Belfort e justifica: "foco"

Alex Trautwig/Getty Images
Lyoto Machida enfrentará Vitor Belfort em maio Imagem: Alex Trautwig/Getty Images

Lucas Rezende, em Belém (PA)

Ag. Fight

13/03/2018 07h00

Múltiplas vezes campeão de torneios de artes marciais, Vinicio Antony - faixa-preta de caratê sexto grau, faixa-preta de jiu-jitsu quarto grau e mestre internacional de kickboxing e muay thai - trilhou uma carreira que poucos podem se dar ao luxo de comparar dentro do universo dos esportes de combate. E não à toa os treinos comandados por ele agradam feras consagradas do MMA.

Atualmente, Antony é responsável pelo preparo do carateca e ex-campeão meio-pesado (93 kg) do UFC Lyoto Machida, que treina para o embate de veteranos contra Vitor Belfort, marcado para o próximo dia 12 de maio, na cidade do Rio de Janeiro. E como fato curioso está o fato que ele e seu ilustre pupilo já foram oponentes em campeonatos de caratê no passado.

"Já competi com os irmãos Machida. Já competi com Take, já competi com Lyoto. Eu sou de uma geração anterior a da deles. Quando eles estavam começando a despontar nas competições, eu já estava encerrando a minha carreira de atleta. Inclusive, o Lyoto estragou minha aposentadoria perfeita. Eu iria me aposentar com medalha de ouro em todas as categorias que participei no Campeonato Brasileiro de 1998 e a única categoria que disputei com ele, não ganhei", brincou o treinador durante conversa com a reportagem da Ag. Fight.

Anthony, no entanto, também possui algo em comum com Vitor Belfort, uma vez que o 'Fenômeno' já foi seu aluno anos atrás. Por sinal, este conhecimento prévio é uma ferramenta que Vinicio pretende utilizar quando Lyoto Machida encontrar o carioca no octógono, já que o professor afirma conhecer as falhas técnicas e os pontos fracos do rival.

"Como trabalhei com Belfort durante muito tempo, obviamente conheço grande parte dos defeitos técnicos que ele tem, alguns que trabalhei muito tempo para corrigir e sei muito bem os que não foram corrigidos, além de alguns vícios mecânicos e posturais que ele tem e eu pretendo explorar. Isso obviamente é segredo, não dá pra se falar abertamente o que vai ser feito, mas contando com isso, aposto em uma vantagem clara para o Lyoto", narrou.

"Agora, é uma questão de subir lá e colocar o plano em prática. Temos duas lendas do MMA e do UFC. O Vitor é um lutador extremamente perigoso, independentemente da fase que ele atravessa. É um cara que eu conheço muito bem a potência e a precisão dos golpes. No momento que ele acerta, é muito pouco provável que alguém resista. O meu trabalho é não deixar que ele acerte. Exatamente fazer o bloqueio e evitar que ele progrida com aquele ataque que todo mundo sabe que é fulminante".

Além da questão técnica, Anthony ainda destacou uma possível vantagem psicológica e motivacional de Lyoto Machida sobre Vitor Belfort, fator que ele aponta ser diferencial para alcançar o resultado positivo. Embora ambos sejam ex-campeões, o carateca acaba de reencontrar o caminho das vitórias e batalha para voltar ao topo do esporte, enquanto seu rival se prepara para fazer sua despedida dos octógonos.

"Hoje, vejo um favoritismo grande para o Lyoto, simplesmente pela questão da vontade, do foco. Estou fazendo um trabalho de reconstrução do Lyoto, tanto tecnicamente quanto psicologicamente, no objetivo de retomar aquele caminho das vitórias. A gente conhecia o Lyoto como um campeão invicto, num momento em que ele tinha um foco muito grande, uma vontade muito grande. Nós temos feito um trabalho muito legal de reconstrução desse antigo Lyoto, agora um homem maduro, de quarenta anos de idade. Eu assumi o camp tanto na direção técnica e estratégica quanto na preparação física", analisou.

Já no caso de Vitor Belfort, Vinicio garante que o lutador jamais recuperou a autoconfiança após fevereiro de 2014, quando entrou em vigor a proibição oficial da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) - tratamento que era utilizado por Belfort e outros lutadores no período.

"Já fui treinador do Vitor durante alguns anos, trabalhei com ele não diretamente como treinador nas lutas desde 2008. Eu fazia a preparação estratégica dele aqui no Rio e ele viajava para as lutas sem a minha presença. Só voltei a acompanhar o Belfort no momento em que ele precisou de um trabalho de reconstrução psicológica, quando houve aquele corte da possibilidade do TRT, o que fez com que ele caísse muito de rendimento e a performance dele ficasse muito comprometida. Com isso, a confiança dele também caiu. Fiz a intervenção que, num primeiro momento, foi bem-sucedida, mas daí em diante me parece que a vontade dele caiu muito".

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