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Comentarista do UFC critica Fox e revela por que só trabalha em eventos pay-per-view

Ag. Fight

29/05/2018 11h41

Trabalhando no UFC desde 1997, Joe Rogan passou a ser, indiscutivelmente, a voz mais conhecida das transmissões do Ultimate depois da saída do narrador Mike Goldberg para o Bellator. Mas o fato de ter mais de 20 anos de experiência em muitas das grandes lutas de MMA da história não o fez livre de críticas. Ao podcast 'The Fight Companion', o comentarista afirmou que teve um desentendimento com a Fox no início da parceria da emissora com a organização ? e que este foi apenas um dos motivos que o fizeram permanecer apenas nos eventos pay-per-view.

Rogan relatou uma história sobre o primeiro show do UFC transmitido pela Fox, em 12 de novembro de 2011, que teve como luta principal Cain Velasquez vs Júnior Cigano. Segundo ele, executivos da emissora interferiram na transmissão, cobrando que ele diminuísse o tom de seus comentários.

"Eles ficaram no meu ouvido. Nos primeiros eventos na FOX, eles ficavam me dizendo o que fazer. Eles ficavam me falando para diminuir o entusiasmo. 'Não se empolgue tanto em relação àquele cara'. Eu ficava tipo: 'O quê? O que você está fazendo aqui?' Aí, eu: 'Ouça, eu sou comentarista. É isso que eu faço. Sempre fiz isso, e é assim que eu faço. Se você acha que pode me mudar, não vamos trabalhar juntos'. Tivemos um grande problema no primeiro evento, era uma produção da FOX", contou.

"Não gostei. Eles querem um cara de esportes. Veja, MMA é o que é. É luta. É um tipo de esporte muito específico, e eu comento desse jeito desde sempre. Se você não gosta da maneira com que eu comento, tudo bem. Não me contratem. Mas não tente me fazer ser um cara de esportes. Não estou interessado nisso", declarou.

Rogan afirmou que, depois do UFC on Fox 1, reuniu-se com produtores do canal e reclamou das intromissões. De acordo com o comentarista, a insatisfação deu resultado, mas gerou uma relação de indiferença mútua, tanto que não houve esforço para mantê-lo quando ele decidiu deixar os eventos que não eram pay-per-view.

"Eu simplesmente deixei bem claro: 'Não vamos fazer isso. Eu não vou mudar meu jeito pra vocês ficarem satisfeitos. Se vocês não gostam do meu jeito, não é uma opção me dizer para fazer do jeito que vocês gostam, porque vocês acham que é melhor'. Era uma escolha pessoal de um ou dois produtores ou executivos. Não concordo com eles e não ia fazer daquele jeito. É como eu faço. Eu me empolgo. Se alguma coisa está acontecendo e os caras estão trocando porrada e eu estou gritando, é porque eu me sinto assim. É emoção de verdade. Não estou inventando. Eles deixaram passar depois de um tempo, mas também não brigaram por mim quando eu fui embora", disse.

Joe também falou que não se sentia valorizado pela Fox. Segundo ele, o pagamento dos eventos exibidos no canal ficava aquém do esperado. "Meu contrato é com o UFC. Nunca trabalhei para a Fox. Essa foi uma das cláusulas do meu contrato mais recente: eu disse que não queria mais fazer os eventos da Fox. Neste ano, eu não faço nenhum dos eventos da Fox. Você vai perceber quando houver grandes lutas transmitidas lá. Não farei nenhuma. Zero. Parei. Muito trabalho, muita viagem. Vestir terno não é um grande problema, porque eles têm lá um terno para mim. Minha questão com a Fox foi o fato de que eles me pagaram menos. Eu fiquei tipo: 'Vocês estão malucos'", relembrou.

O espectador do UFC nos Estados Unidos e aquele que, no Brasil, opta pelo áudio original nas transmissões do canal 'Combate' em HD terão mais sete oportunidades de ouvir Rogan este ano: ele estará nos eventos numerados do UFC 225, em 9 de junho, ao UFC 232, em 29 de dezembro.

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