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Testemunha da história do MMA, Johnny Eduardo destaca "arsenal" para 40ª luta da carreira

Felipe Paranhos, em Salvador (BA)

Ag. Fight

30/05/2018 09h00

Quase 22 anos de história. Johnny Eduardo fez a sua primeira luta em novembro de 1996, quando boa parte dos atuais atletas do UFC sequer sabiam o que era MMA ? no caso, vale-tudo. De lá para cá, o carioca participou de combates praticamente sem regras, viu muitos talentos ficarem pelo caminho e testemunhou a transformação da modalidade marginalizada da década de 90 em esporte badalado no século 21. Prestes a realizar seu 40º combate profissional, contra Nathaniel Wood, no UFC Utica, nesta sexta (1º), o peso-galo (61 kg) diz que carrega, com mais de duas décadas de experiência, um "arsenal" de técnicas para vencer seu quarto confronto no Ultimate.

Para Eduardo, analisar as transformações do MMA ao longo dos anos é perceber cada mudança que ele próprio, como atleta, viveu. O lutador lembrou do período em que o esporte era baseado na batalha entre modalidades, quando muitas vezes descobria quem seria seu adversário alguns minutos antes de subir ao cage.

"Fico muito feliz de estar acompanhando essa mudança, essa fase do MMA. É sinal de que eu estou vivo. É sinal de que eu estou pronto para mostrar um grande trabalho. Eu também cresci com a modalidade. Pude aprimorar novas técnicas pro meu jogo, para a minha evolução como atleta. Meu nível técnico melhorou bastante. Antigamente, eu só contava com um recurso, e hoje me sinto confiante no wrestling, no jiu-jitsu, no boxe... Hoje, eu me sinto um lutador completo. Antigamente eu me sentia só um samurai, sabe, com aquela vontade imensa de crescer, mas sem ter recursos", falou, em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight.

"Tenho quase certeza de que nenhum brasileiro tem essa número de lutas e está em atividade. Mas, para mim, é como se fosse a primeira. Você chega a um patamar da carreira, a um nível em que você começa a enxergar a luta de maneira diferente. Antigamente, nos primórdios, não existia você se preparar num camp, estudar, sentar com uma equipe, elaborar técnicas que iriam te ajudar, que iriam somar na sua evolução. Antigamente era o código de honra, era samurai, sabe. Hoje é tudo muito profissional. De fato, hoje a gente vive a era do MMA", acrescentou.

Ao avaliar a própria evolução, o lutador da Nova União descreveu uma disputa imaginária com o Johnny Eduardo que começou a carreira. Segundo o atleta, apesar do ímpeto da juventude, o garoto da Baixada Fluminense não teria chances com o 'coroa' de hoje.

"Eu iria botar para baixo, iria frustrar ele. Iria olhar nos olhos dele o tempo todo, ver a frustração dele... O atleta inteligente luta com as armas que tem. Ele não cria uma estratégia em cima da hora. Ele já vem montando, se preparando para aquela luta já há um período longo", sonhou.

Veterano vs novato

Quando Eduardo começou a lutar, seu adversário desta sexta-feira tinha só três anos. Estreante no Ultimate, Nathaniel Wood tem o apelido ideal para um duelo de gerações: 'The Prospect' ? 'A Revelação', em português. De acordo com Johnny, apesar de o inglês gostar da trocação, os 13 anos de distância entre os dois farão diferença a seu favor.

"Ele tem o estilo igual ao meu. É agressivo, gosta de buscar a luta o tempo todo, é o mesmo estilo. Só que tem um porém: eu tenho mais experiência, uma outra visão. E eu tenho mais recursos. É isso que eu penso quando vou para a batalha. Eu não tenho uma só arma. Eu tenho um arsenal inteiro", disse.

Já em Utica, Eduardo terá pela frente uma das tarefas mais complicadas na experiência de lutar profissionalmente: o corte de peso. "Essa parte é muito delicada, muito delicada mesmo. Porque eu sou magro, então eu começo a entrar numa dieta, aí tiro um pouquinho de peso, mas, quando chega na reta final, aumenta... O crucial para mim é fugir da banheira. Eu odeio a banheira. Eu odeio passar o creme . Então eu tento qualquer outra coisa para não chegar nesse processo", falou.

O UFC Utica será encabeçado por outro brasileiro, Marlon Moraes, que enfrenta Jimmie Rivera pelo peso-galo. O co-main event do show terá Gregor Gillespie, invicto em quatro lutas no UFC, contra Vinc Pichel.

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