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Bicampeã olímpica no judô, Kayla Harrison narra depressão durante migração para o MMA

Ag. Fight

Ag. Fight

19/06/2018 08h00

Após aposentar o quimono, Kayla Harrison, primeira americana a conquistar um ouro olímpico no judô, passou por um período conturbado no qual sofreu com depressão. E, em entrevista ao site 'MMA Fighting', a atleta afirmou que, após sua última conquista, nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, enxergou no MMA uma maneira de superar a doença.

A judoca já tem data marcada para sua estreia no novo esporte. Após assinar contrato com o PFL (Professional Fighters League), Harrison entrará em ação na próxima quinta-feira (21) em Chicago (EUA), diante de Brittney Elkin, pela segunda edição do show. E durante o 'media day' realizado em Nova York, Harrison falou sobre seu período depressivo.

"Não é segredo para ninguém que, depois das Olimpíadas no Rio, eu passei um tempo fazendo pesquisas sobre a mente. Eu estava definitivamente depressiva. Quando você acorda todos os dias durante 20 anos com um objetivo e, de repente, isso acaba e você não tem mais essa meta, é um pensamento muito assustador para um tipo de pessoa como eu", contou a americana.

Após conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos duas vezes, Kayla Harrison decidiu encerrar sua carreira no judô. De acordo com a americana, apesar da aposentadoria na modalidade, ela tinha certeza que ainda poderia ser vitoriosa como atleta. O MMA foi a solução para retomar sua vida como lutadora e estabelecer novos objetivos.

"Eu tenho essa coisa dentro de mim que eu tenho que provar para todos que eu sou a melhor que já existiu ou que eu serei a melhor de todas, que eu tenho que mostrar para o mundo que determinada lutadora não é nada demais. Então, comecei a treinar, e comecei a lutar cerca de um mês depois que eu fui para meu primeiro treino de trocação. Amei isso. Eu sempre achei que judô era um um teste real para medir a determinação de uma pessoa, mas percebi que tirar o quimono, colocar luvas e entrar em um octógono é o verdadeiro teste", revelou Kayla.

Para sua estreia nos cages, Kayla se juntou à equipe American Top Team e agora possui grandes campeões do UFC como parceiros de treino, casos da brasileira Amanda Nunes e do americano Tyron Woodley. Ainda ansiosa pela necessidade de testar sua habilidades no cage, a atleta analisou seu período de preparação e adaptação ao MMA antes do confronto em Chicago.

"Passam muitas coisas na minha mente durante o dia. Se estou comendo o suficiente, se estou dormindo o suficiente, se estou descansada... 'Será que eu deveria treinar mais, ou treinar menos? Como será que deve ser tomar um soco na cara de verdade?'. Milhões de coisas passam na minha cabeça, mas eu tenho sorte de já ter competido no nível mais alto do esporte. Eu já tive essa pressão. Toda noite eu me imagino dando uma surra e vencendo Brittney Elkin (sua adversária). Estou vivendo um dia de cada vez, um treino de cada vez, cada minuto, apenas tentando aproveitar a jornada", comentou a ex-judoca.

Apesar de ter sido mais dominante e vitoriosa em sua carreira no judô, Kayla sofre comparações com Ronda Rousey - outra que enfrentou problemas com a depressão -, por ter seguido o mesmo caminho de transição do judô para as artes marciais mistas. Harrison, inclusive, foi reserva da ex-campeã do UFC nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, mas garantiu que não se irrita com o assunto e declarou ser muito grata a 'Rowdy' pelo seu pioneirismo.

"No final das contas, ela abriu as portas para mulheres como eu, especialmente as judocas. Eu nunca tinha cogitado MMA feminino antes de Ronda ter feito o que ela fez, então sou grata a ela por isso", disse a campeã mundial de judô em 2010.

Aos 27 anos, Harrison se tornará a primeira judoca campeã olímpica a estrear no MMA. Sua adversária, a americana Brittney Elkin, possui um cartel de três vitórias e quatro derrotas em sua carreira.

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