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'Cigano' desabafa sobre doping: "Foi difícil ser rotulado como mentiroso"

Brunno Carvalho/UOL
Cigano foi afastado por testar positivo em exame médico Imagem: Brunno Carvalho/UOL

Ag. Fight

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27/06/2018 08h00

Depois de um período turbulento de mais de um ano fora dos octógonos, Júnior 'Cigano' dos Santos está de volta ao MMA. Afastado pela USADA (agência antidoping americana) por testar positivo no exame médico, o ex-campeão dos pesos-pesados do UFC garantiu desde o princípio sua inocência, que foi comprovada somente em abril. Em entrevista ao site 'MMA Junkie', o brasileiro revelou que foi muito difícil ser taxado como mentiroso no tempo que ficou inativo.

Desde que a USADA passou a atuar no UFC, Cigano sempre foi um defensor ferrenho da agência, que para ele, tornou o esporte mais justo. Entretanto, o especialista em boxe garante que o processo de julgamento deve ser melhor planejado, e analisado caso a caso para que não haja injustiças contra os lutadores, como aconteceu com ele.

"Eu sei que estou em um esporte que sofreu e ainda sofre com caras que tentam encontrar atalhos para vencer. Mas pensei que, com a experiência da USADA e sua compreensão, que eles seriam capazes de dizer o que era uma contaminação e o que não era. Não apenas por causa da substância, mas também pela quantidade. Mas não foi assim que aconteceu. Ser acusado de algo que sempre defendi, que era a presença da agência antidoping, tornando isso um esporte limpo. E de repente ter pessoas me rotulando de mentiroso? Isso foi pesado. Isso foi muito pesado para mim, mas independente do que todos pensavam, minha consciência estava limpa", desabafou o brasileiro.

Na posição de um ex-campeão do UFC que foi prejudicado pelo sistema de julgamento atual, Cigano sugere algumas mudanças. De acordo com ele, em casos que o lutador possui uma pequena quantidade de substância proibida no corpo e que exista a suspeita de contaminação, o atleta deve ser mantido no exercício de sua profissão até que provem que ele é realmente culpado. Caso contrário, os profissionais de MMA continuarão sendo punidos antes mesmo da verdade vir à tona.

"Minha esperança agora é que a USADA faça mais estudos sobre isso. Não é possível que, com todas as suas capacidades, toda a experiência que têm, não possam dizer quem foi vítima de contaminação e quem não foi. Sei que não é assim tão simples, mas espero que eles encontrem um caminho. Acho que em situações como estas, eles não devem tirar os lutadores das lutas. Eles deveriam manter o lutador na luta e, caso a culpabilidade fosse comprovada, eles poderiam penalizá-los de uma maneira ainda mais dura. Eu sei que parece assustador, mas o que está acontecendo é que estamos sendo punidos antes mesmo de sermos julgados", protestou o ex-campeão do UFC.

O retorno de Cigano aos octógonos será no dia 14 de julho, em Boise (EUA) pelo UFC Fight Night 133. Seu rival será o búlgaro Blagoy Ivanov que já foi campeão do WSOF. Apesar das credenciais do adversário, o brasileiro revelou que não o conhecia e que segue focado em seus treinamentos.

"Eu não estou menosprezando Blagoy, ele era um campeão em outra organização, mas honestamente eu nem levei em consideração nada sobre ele. As únicas coisas que levei em consideração foram aquelas sobre mim mesmo. O mais importante é fazer o carro se mexer. Fazer as coisas acontecerem de novo para mim e deixar todas essas coisas negativas no passado", revelou Dos Santos.

Seu último confronto válido pelo UFC foi em maio de 2017 contra Steve Miocic. Na ocasião, Cigano foi nocauteado pelo atual campeão dos pesados no primeiro round. Apesar disso, o lutador revela que está motivado para voltar a lutar e que almeja reconquistar o cinturão no futuro.

"Eu quero fazer as coisas andarem. Estou muito motivado, treinando muito bem.  Estou treinando de uma maneira que é até surpreendente para mim, porque parece que eu tenho aquela motivação extra que tive no começo da carreira. É difícil explicar esse sentimento, mas você tem aquela ânsia, a fome de estar lá, lutar, mostrar, vencer. Na minha cabeça, se eu não sou o campeão agora, há algo errado. É porque cometi erros ou coisas que não aconteceram como deveriam. Porque na minha cabeça eu deveria ser campeão. É para isso que eu trabalho", planejou Cigano. Em sua carreira no MMA, o brasileiro de 34 anos conta um histórico de 18 vitórias e cinco derrotas. Já Blagoy, seu próximo adversário possui um cartel como profissional de 16 vitórias e apenas uma derrota.

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