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UFC 25 anos: Quem teve a ideia de criar o evento?

Rigel Salazar/ Ag Fight
Palco do UFC 200, em 2016. 25 anos de história do UFC Imagem: Rigel Salazar/ Ag Fight

Diego Ribas, em Las Vegas (EUA)

Ag. Fight

12/11/2018 06h00

Desde o início do século 20 persiste a discussão sobre quem de fato teria inventado o primeiro avião. Enquanto nos EUA os 'Irmãos Wright' teriam projetado o primeiro modelo capaz de voar longas distâncias, o brasileiro Santos Dumont ganhava fama em apresentações na França principalmente com o seu 14-Bis. E a dificuldade de encontrar a exata resposta para esta dúvida é compreensível e se dá pelo fato de os protagonistas dessa história terem vividos em países diferentes e não compartilharem pesquisas. No entanto, quando se trata da criação do UFC, o embate é ainda mais intrigante e curioso.

Sócios da empresa na época do lançamento do primeiro torneio de vale-tudo, que incluía oito atletas representantes de diferentes modalidades e que foi realizado no dia 12 de novembro de 1993, há exatos 25 anos, tanto Rorion Gracie quanto Art Davie clamam para si a ideia que viria a revolucionar o mundo das artes marciais mistas. E nessa discussão, fica difícil não escolher um lado, como garante o empresário americano.

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Afinal, amigos de longa data e sócios no lançamento do evento, apenas eles, de fato, podem saber como a ideia surgiu e foi aprimorada. "É uma pergunta justa. Não ficaria surpreso com os brasileiros querendo ver o Rorion como o indivíduo que teve a ideia. Rorion é um herói, não apenas no Brasil, mas nas artes marciais. Mas o Rorion e eu sabemos como aconteceu", narrou Art durante conversa com a reportagem da Ag Fight.

Na época, o empresário era um dos alunos que ostentavam a faixa azul dada por Rorion, que àquela altura era um professor de jiu-jitsu que ministrava aulas em sua própria garagem e ganhava fama com os rumores das vitórias em desafios que travava contra rivais curiosos das mais diversas modalidades. No entanto, Art afirma que teve a ideia de promover o torneio três anos antes da noite em que Royce Gracie finalizou três oponentes na cidade de Denver (EUA).

"Ao final daquela noite, senti que estive em uma cruzada por três anos para convencer as pessoas de que essa ideia funcionaria. Convenci o Rorion, o Bob Meyrowitz... Eu vi como meu filho e sabia que ele seria forte", narrou, tratando de colocar panos quentes em uma possível polêmica. "Ele foi meu irmão. Nunca esquecerei a noite depois do evento. A gente sabia que éramos irmãos de mães diferentes e que tínhamos feitos história juntos. Toda vez que conversamos, falamos a mesma coisa, que fizemos algo impossível. Fizemos isso", declarou.

Por sua vez, Rorion tem uma versão diferente. Filho mais velho do mestre Hélio Gracie, ele se mudou em definitivo para os EUA já como um faixa-preta experiente e dono de um currículo com vitórias em embates de vale-tudo, modalidade que se tornou famosa no Brasil graças ao seu pai e tios, que promoveram o esporte décadas antes. Por isso, a criação do UFC seria um passo adiante para a expansão do legado construído por sua família.

"Ele gosta de dizer que foi ele quem inventou o evento. Claro que como muita gente, ele tinha a curiosidade de saber quem venceria, o boxer ou o cara da luta-livre. A verdade é que quando criamos a empresa, eu fiquei com 60% e ele 40%. Se a ideia fosse dele nunca que ele iria aceitar 40%. Imagine se você tem uma ideia brilhante, você não daria 60% para o teu sócio, ainda mais se ele não botou a grana! Além disso, não vamos esquecer que quem nasceu no tatame fui eu!", brincou, referindo-se à divisão da empresa comandada por eles.

"O Art Davie me conheceu através de uma entrevista para a revista 'Playboy' em setembro de 89. O artigo se chamava 'Bad', e era a minha cara com o corpo de um galo de briga. Era sobre um brasileiro que desafiava todo mundo, fazia parte da família que também desafiava todos no Brasil. O Art veio me procurar, virou meu aluno e meu amigo. Quando tive a ideia de criar um evento, chamei ele para trabalhar comigo. Juntei meus alunos para conseguir o dinheiro para montar o UFC 1", relembrou, também em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight.

Passados 25 anos do primeiro UFC, saber ao certo mais detalhes das conversas ainda embrionárias que culminaram com a realização do torneio sem limite de tempo, categorias de peso e sem o uso de luvas seria praticamente um privilégio. A partir daí, no entanto, a história se encarrega de narrar os feitos dos oito homens que se digladiaram em um octógono na noite que mudaria o rumo das artes marciais e faria do jiu-jitsu brasileiro uma arte soberana por anos.

"Sou fã dos Gracies. Tenho muito respeito pelo Rorion. Éramos muito próximos. Fui próximo do Royce e conheci o Rickson muito bem também. Tenho grande respeito por eles e fiquei impressionado pelo jiu-jitsu. Sempre soube que o Royce venceria naquela noite", finalizou Art Davie.