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Dos Anjos analisa força do 'trash talk' no MMA e rivalidade com Ponzinibbio

Diego Ribas, em Las Vegas (EUA)

Ag. Fight

18/07/2019 17h00

Embora Rafael dos Anjos não seja um falastrão nato, a experiência lhe trouxe alguma desenvoltura para trocar provocações com adversários - sobretudo nas redes sociais. Sendo assim, do ano passado para cá, o meio-médio (77 kg) angariou uma rivalidade ainda não resolvida com Santiago Ponzinibbio. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, o ex-campeão dos leves (70 kg), que enfrenta Leon Edwards no combate principal do UFC San Antonio, neste sábado (20), analisou o impacto das farpas trocadas pelos lutadores no cenário do MMA atual.

Dos Anjos afirmou que não se vê como um adepto do 'trash talk', embora use bastante o seu Twitter para alfinetar adversários. De acordo com ele, as eventuais provocações não fazem parte de um personagem criado, como tem sido visto mais frequentemente nos últimos anos no Ultimate.

"Esse jogo eu não jogo. Eu sou eu. Se eu tiver que falar alguma coisa para alguém - eu já falei, também, para o (Tyron) Woodley, para outros caras. Mas eu mando a letra papo reto, sem ficar falando 'trash talk'. Não é minha praia. Não é meu jeito de fazer negócio. Não é legal", disse.

Ele também contou o que aconteceu para que sua luta contra Santiago Ponzinibbio - atualmente se recuperando de uma internação de emergência - não tenha acontecido ainda. O lutador fluminense explicou que, quando aceitou enfrentar o argentino, era o rival quem tinha um problema. No caso, com o UFC.

"Hoje em dia está na moda isso: o cara que está em décimo chama o terceiro, o segundo, para lutar. Aí o cara não dá confiança, não dá nem ideia. Aí fala que o cara afrouxou. É a mesma coisa de eu chamar o (campeão Kamaru) Usman agora e ele dizer: 'Não, vou lutar com outro'. E eu vou falar que o cara afrouxou? Não está fazendo muito sentido isso. É o que o Ponzinibbio está fazendo. Eu, inclusive, tenho mensagens para provar que eu já pedi ao Sean Shelby para botar essa luta, só que o Shelby não iria botar, porque o Ponzinibbio negou lutar com o Darren Till em Londres. Em retaliação, eles falaram: 'Não vamos botar o Ponzinibbio para lutar com alguém mais ranqueado do que ele'", contou.

Diante do fato de que, no fim das contas, aceitou o confronto com 'Gente Boa', Rafael foi questionado se esta não era uma prova de que provocar um adversário mais bem ranqueado funciona. Ele afirmou que, na verdade, chegou a topar o duelo por causa do contexto específico da sua divisão, e não pelo desafio do argentino.

"Mais ou menos. Acabou que começou a fazer sentido, pela situação que tava a categoria. Todo mundo pegou luta. Eu estava imaginando lutar com o (Anthony) Pettis depois da luta do Kevin Lee, porque ele me chamou para lutar quando nocauteou o Stephen Thompson. Mas aí, no meio do camp, já tinham casado o Pettis com o Nate Diaz. Então, acabou que o argentino tava aí, uma luta, sei lá, na Argentina, no Uruguai, ou aqui nos Estados Unidos, eu aceitaria, e acabou que não rolou também, por causa de outras coisas", explicou o atleta.

O UFC San Antonio terá, além de Dos Anjos, cinco brasileiros: o peso-galo (61 kg) Felipe 'Cabocão', que enfrenta Domingo Pilarte; Gabriel Silva, da mesma categoria, que estreia na organização contra o ex-desafiante ao título mosca (57 kg) Ray Borg; Jennifer Maia, adversária da veterana Roxanne Modafferi na divisão feminina dos moscas; Klidson Abreu, que tenta voltar às vitórias nos meio-pesados (93 kg) contra Sam Alvey; e Francisco 'Massaranduba', que mede forças contra Alexander Hernandez, 14 anos mais jovem, pelos pesos-leves (70 kg).

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