Polícia pediu que chefe da Fórmula 1 acompanhasse sequestro à distância

Luis Kawaguti

Em São Paulo

  • ANDREJ ISAKOVIC/AFP

Bernie Ecclestone, o bilionário de 85 anos, chefe executivo da empresa que controla a Fórmula 1, não participou diretamente da negociação para a libertação de sua sogra, sequestrada no último dia 22. Aparecida Shunck Flosi Palmeira foi libertada por equipes do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo, na noite de domingo.

Ecclestone e sua mulher Fabiana Flosi, de 38 anos, teriam manifestado o desejo de ir ao Brasil acompanhar a evolução do caso, mas permaneceram na Grã-Bretanha, seguindo orientação de policiais. Havia o temor de que a negociação do resgate se tornasse mais difícil com a presença do bilionário no país.

O empresário também foi orientado a não colocar uma empresa privada internacional no caso.

O valor requisitado pelos criminosos teria sido de 28 milhões de libras - o equivalente a R$ 120 milhões, segundo publicou a revista Veja. Mas a informação não foi confirmada pela polícia.

Uma fonte ligada à investigação disse à BBC Brasil que Aparecida foi libertada antes de o sequestro ser pago.

O chefe da Fórmula 1 conheceu a advogada Fabiana durante uma edição do Grande Prêmio do Brasil. Três anos depois, em 2012, ele se separou de sua ex-mulher, a modelo croata Slavica Radic, e se casou com Fabiana.

Os dois passaram a viver na Grã-Bretanha, mas os pais da advogada nunca se mudaram da casa em que já viviam, em Parelheiros, próximo ao autódromo de Interlagos. Segundo uma vizinha que pediu para não ser identificada, a família não usava guarda-costas ou tomava medidas aparentes de segurança.

"Nós costumamos conversar porque moramos muito próximo. Ela (Aparecida) costumava me mostrar fotos, é muito orgulhosa das filhas, que são muito bonitas", disse uma vizinha.

Santinho

Aparecida foi sequestrada em sua casa no último dia 22. Segundo testemunhas, criminosos se passaram por entregadores e invadiram a residência no início da tarde.

A sogra de Ecclestone e duas empregadas foram feitas reféns. As duas funcionárias foram trancadas em um cômodo e os criminosos fugiram de carro levando a vítima.

"Uma outra empregada da casa da frente estava no quintal e ouviu uma empregada gritar que haviam levado a Cida", disse a vizinha.

A Divisão Anti Sequestro do DHPP entrou no caso e passou a levantar pistas até conseguir identificar e monitorar membros da quadrilha.

Na tarde de domingo, o local do cativeiro foi encontrado: era um sítio em Cotia, cidade situada nos limites de São Paulo. O local foi invadido pela polícia.

"A vítima não se feriu e prendemos dois suspeitos. Um deles já tinha passagem na polícia por roubo", disse a diretora do DHPP, Elisabete Sato.

Ao chegar à delegacia, Aparecida reencontrou o marido, sua outra filha e seu genro.

Aparecida contou aos policiais que foi autorizada pelos sequestradores a levar ao cativeiro a imagem de um santo (não se sabe qual e se era uma figura ou estatueta). Sua fé e o santinho teriam dado a ela força para resistir às dificuldades.

Na porta do DHPP, ela disse à imprensa local pedir que ninguém mais seja sequestrado em São Paulo e agradeceu aos policiais que a libertaram.

A polícia investiga agora se há mais pessoas relacionadas ao sequestro de Aparecida, além dos dois rapazes presos no local.

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