História de patinadora acusada de mandar quebrar perna de rival vira filme

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As imagens da patinadora americana Nancy Kerrigan chorando de agonia, gritando "por quê?" seguidas vezes, abalaram o esporte americano em 6 de janeiro de 1994.

A atleta havia acabado de ser atacada com um bastão de metal após uma sessão de treinos e estava deitada no chão machucada, diante de médicos desconcertados.

Nesse instante, temeu-se pelo pior. Impossibilitada de participar dos campeonatos nacionais, pensava-se que também ficaria fora dos Jogos Olímpicos de Inverno daquele ano, na Noruega.

Isso poderia pôr fim à sua exitosa carreira na patinação no gelo.

Mas, para sorte de Kerrigan, as lesões não foram graves.

Por outro lado, após o ataque, foi se revelando uma trama de conspiração, maus-tratos, inveja e vingança. Uma história em que sua companheira de treinos e rival nos campeonatos, Tonya Harding, surgiu como figura principal.

Medalha de prata e prantos

Mais de duas décadas depois desse episódio, Harding se tornou a personagem de um filme biográfico, intitulado "Eu, Tonya", sobre a vida desta que é considerada a maior vilã do esporte americano, que estreou nesta semana nos Estados Unidos e deve chegar em 2018 no Brasil.

A patinadora foi implicada depois de ficar comprovado que os autores intelectuais do ataque, perpretrado por Shane Stant, foram seu marido, Jeff Gillooly, e seu guarda-costas, Shawn Eckhardt.

Desde o princípio, ela negou ter participado no ataque.

A patinadora, que foi a primeira americana a executar um giro triplo no ar, ganhou o campeonato nacional e se classificou para os Jogos Olímpicos na Noruega.

Lá, se encontrou com Kerrigan, recuperada dos golpes que sofreu no seu joelho.

Por fazerem parte da mesma equipe, as duas atletas compartilharam a mesma sessão de treinamento, em uma cena que gerou expectativa nos Estados Unidos.

Na competição, Harding não rendeu como esperado, coibida pela pressão e por problemas com os cordões dos seus sapatos. Caiu em lágrimas após a execução do seu número.

Kerrigan, por sua vez, obteve a medalha de prata.

Mistério nunca revelado

Após sua participação nas Olímpiadas, Harding se declarou culpada de ter obstruído a investigação da Justiça. Ela reconheceu que descobriu quem estava por trás do ataque a Kerrigan, mas não avisou as autoridades.

Depois da revelação, a Associação de Patinação dos Estados Unidos retirou o título que ela havia obtido nos Campeonatos Nacionais de Detroit. Também suspendeu a atleta da patinação por toda a vida, por considerar que ela sabia da conspiração.

O que nunca se conseguiu esclarecer até hoje é em que ponto Harding esteve implicada nos planos do seu marido.

Declarada persona non grata, Harding se afastou das pistas de patinação no gelo, mas aproveitou seu status como figura pública para participar de diferentes programas de televisão e iniciar uma curta carreira no boxe.

Também teve problemas com a Justiça por violência doméstica em 2000, e sua figura foi usada como inspiração para canções e vídeos.

Mas nem todos a condenam pelo que ocorreu a Kerrigan - há quem considere que Haring tenha sido vítima da imprensa e da sociedade americana.

Os que a defendem falam que ela sofreu maus-tratos da mãe quando era criança e dos problemas que enfrentou para competir.

A publicação americana Vulture publicou uma reportagem dedicada ao culto à imagem da atleta - há museus e clubes de aficionados em sua homenagem - e outras dedicadas ao filme sobre sua história.

 O assunto também foi lembrado pelo jornal americano The New York Times em uma crítica à produção, estrelada pela atriz Margot Robbie.

Película essa que mostra a outra face de uma mulher que capturou a atenção de milhões de pessoas no mundo 23 anos atrás.

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