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Com brasileiros em destaque, China se sobressai à Europa em transferências

Reuters
Ramires foi a maior contratação da história do Campeonato Chinês Imagem: Reuters

28/01/2016 16h46

Antonio Broto.

Pequim, 28 jan (EFE).- As três contratações mais caras deste começo de ano no futebol em todo o mundo, duas delas de atletas brasileiros, foram feitas por equipes da China, país onde os clubes têm cada vez maior poder aquisitivo e que já se atrevem a levar destaques de campeonatos europeus quando estes ainda vivem a metade da temporada.

Nesta quarta-feira, o Campeonato Chinês completou a negociação mais cara de sua história. O meia Ramires, peça importante do Chelsea nos últimos anos, trocou os 'Blues' pelo Jiangsu Suning, que pagou 28 milhões de euros ao clube inglês.

A contratação pulverizava o recorde que apenas uma semana antes havia sido estabelecido pelo Shanghai SIPG, que tirou do Guangzhou Evergrande, atual campeão nacional, o atacante Elkeson. O time dirigido pelo sueco Sven-Göran Eriksson pagou 18,5 milhões de euros para contar com o ex-jogador de Vitória e Botafogo.

Não menos surpreendente foi a terceiro maior contratação de janeiro na China e no mundo, a do marfinense Gervinho, que deixa a Roma para defender o recém promovido Hebei China Fortune.

Os principais alvos dos asiáticos são as equipes brasileiras. O Corinthians, por exemplo, perdeu três titulares do título do Brasileirão no ano passado para times chineses, o zagueiro Gil e os meias Jadson e Renato Augusto.

Desta vez, porém, os olhos também estão voltados para o Velho Continente. Ontem mesmo o Shanghai Shenhua acertou junto à Inter de Milão um acordo de 13 milhões de euros pelo volante colombiano Fredy Guarín.

Deve ser levado em conta que na China a temporada começa em março, por isso agora é o momento em que os clubes locais mais investem. Nem por isso, os números atuais deixam de ser impressionantes, já que são bem maiores que os dos anos anteriores.

Até mesmo os atletas chineses estão custando mais caro que nunca. O goleiro Zhang Lu acaba de quebrar o recorde de jogador local mais caro da história ao custar 9,85 milhões de euros aos cofres do Tianjin Quanjian, equipe da segunda divisão treinada por Vanderlei Luxemburgo.

A imprensa local já fala de uma "bolha" que está transformando o futebol chinês em um dos que mais gasta. "Claramente os preços dispararam acima de seu valor real, a bolha e uma falsa prosperidade dominam o futebol chinês", comentou nesta semana o jornal "News Morning", de Xangai.

Muitos culpam o grande dominador do futebol local, o Guangzhou Evergrande, que venceu os últimos cinco campeonatos nacionais e a Liga dos Campeões da Ásia de 2013 e 2015. Entretanto, nesta temporada, o time dirigido por Luiz Felipe Scolari pouco gastou e ainda perdeu Elkeson.

Também influencia, segundo os analistas, o ambicioso plano de reforma do futebol chinês apresentado pelo governo de Xi Jinping, grande fã do futebol, como demonstrou em sua recente viagem oficial ao Reino Unido. O presidente inclusive encontrou jogadores do Manchester City, uma de suas equipes favoritas.

O plano prevê o desenvolvimento do futebol de base, aulas do esporte no ensino fundamental e mais investimentos milionários que engordarão os cofres dos clubes chineses.

As agremiações também estão sendo beneficiadas pela grande explosão dos direitos televisivos. Em outubro, a empresa China Sports Media adquiriu o direito das partidas locais dos próximos cinco anos por 1,15 bilhão de euros.

A operação multiplicou por 30 da noite para o dia as receitas do país, aproximando os valores gastos pelos clubes locais aos da Europa. Contudo, de pouco adiantaria o aumento da verba caso os jogadores não topassem atuar na Ásia. Para atrai-los, o principal recurso é um salário alto e uma conta bastante movimentada.

O ganês Asamoah Gyan, por exemplo, cobra do Shanghai SIPG cerca de 320 mil euros semanais, um salário que só figuras como Messi e Cristiano Ronaldo podem igualar.

"Os salários na China são mais altos e nos pagam em dia. Tenho 30 anos e preciso pensar no futuro", disse o atacante Diego Tardelli ao explicar a decisão de continuar no Shandong Luneng.

O teto no mercado de contratações chinês ainda não foi atingido, mas as melhores equipes da Europa devem começar a se inquietar. Não é difícil pensar que em breve seus craques prefiram o Campeonato Chinês ao Italiano, o Espanhol ou qualquer outro.

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