Esporte

Em boa fase, time da 3ª divisão da Turquia se torna o 'Barça dos curdos'

06/02/2016 06h04

Dogan Tiliç.

Ancara, 6 fev (EFE).- O modesto Amedspor SK, clube da cidade de Diyarbakir e que disputa a terceira divisão do Campeonato Turco, está se tornando um símbolo para os curdos graças a uma sequência de bons resultados na Copa da Turquia.

"Às vezes nos comparam ao Barcelona, nos chamam 'o Barça curdo'. Nós gostamos, quem não gostaria de ser o Barcelona? Mas isso ainda é apontar alto demais para nós", disse à Agência Efe o vice-presidente do Amedspor SK, Nurullah Edeman.

O clube, que é financiado pela prefeitura, conseguiu se classificar para as quartas de final da Copa da Turquia ao vencer o Bursaspor, da primeira divisão, por 2 a 1 fora de casa no domingo, feito que levou a equipe a um sucesso até então imprevisto.

"Temos muito apoio, não só na própria cidade de Diyarbakir, mas em toda a região do sudeste da Turquia e entre curdos de todo o país e da Europa. Nos mantemos fora da política, mas vejam o que está acontecendo", comentou o dirigente.

O que ocorre é que a decisão do clube, tomada em 2014, de alterar o nome de Diyarbakir Belediye Spor para Amedspor SK, recuperando o nome curdo da cidade, foi mal vista em muitos ambientes nacionalistas do futebol turco.

Diyarbakir, chamada de Amed pelos curdos, uma cidade com mais de um milhão de habitantes, é governada pelo partido esquerdista HDP, e o novo nome da equipe era uma clara aposta em recuperar a cultura e o idioma curdos.

No domingo passado, com a vitória sobre o Bursaspor, o Amedspor garantiu uma vaga nas quartas de final do torneio, fase em que terá como adversário o Fenerbahçe, atual campeão da primeira divisão do Campeonato Turco e uma das equipes mais populares do país.

A boa fase aumentou a popularidade do Amedspor entre os curdos, mas também elevou a tensão: os torcedores do Bursaspor cantaram palavras de caráter nacionalista contra o rival e o jogo acabou em uma desordem generalizada, até o ponto em que os jogadores precisaram sair acompanhados pela polícia em veículos blindados.

No entanto, a Federação do Futebol Turco (TFF) puniu unicamente o Amed, que terá que disputar a partida de ida contra o Fenerbahçe, na próxima terça-feira, de portões fechados.

A decisão se baseou nos gritos da torcida do Amedspor na partida anterior, quando glorificaram a "resistência" (armada) nos bairros curdos sob toque de recolher ou pediam "que as crianças não morram, mas vejam futebol", em alusão à morte de civis durante as operações militares contra a guerrilha curda.

O ex-assessor de imprensa do clube curdo, Naci Sapan, ressaltou a "rivalidade histórica" entre o Amedspor e o Bursaspor, conhecido pela orientação nacionalista de seus torcedores, e qualificou a recente vitória de "vingança" por outros confrontos anteriores.

"Ainda antes da mudança de nome, o clube (Amedspor SK) já sonhava em ser o 'Barcelona dos curdos'", acrescentou.

Nem todos os jogadores do atual elenco do Amedspor SK são curdos, mas o clube não tem estrangeiros em seu elenco e o treinador é ex-jogador.

O atacante mais popular da equipe, Deniz Naki, tem uma tatuagem no braço com a palavra 'Azadi' ('Liberdade' em curdo) e recentemente afirmou em entrevista à televisão que o clima em Diyarbakir é "de guerra", o que dificulta treinar com qualidade.

O sul de Diyarbakir está sob toque de recolher por uma ofensiva das forças de segurança para acabar com simpatizantes da guerrilha curda PKK, considerada terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Desde o término de um cessar-fogo no ano passado devido ao fracasso de um processo de paz, centenas de pessoas morreram em conflitos entre o PKK e as forças de segurança turcas, e o ambiente de tensão abrange todo o sudeste do país.

"Queremos que esta guerra termine. Somos a favor da paz", disse Deniz Naki, que deixou seu ex-clube em Ancara em 2014 após ser agredido por desconhecidos, aparentemente por ter divulgado mensagens contra o grupo jihadista Estado Islâmico nas redes sociais.

O presidente do Amedspor SK, Ali Karakas, se queixou na televisão pelo fato de sua equipe ser recebida em todas as partes com atitudes hostis, de caráter nacionalista e racista. O dirigente também denunciou que em outras cidades os torcedores são frequentemente vetados de irem ao estádio "por razões de segurança".

Por outro lado, o apoio ao Amedspor SK também não é unânime em Diyarbakir, onde é considerado 'algo mais que um clube', por ser visto como a equipe do partido HDP, o que faz muitas pessoas apoiarem um clube rival local.

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