Esporte

Após escândalos, patrocinadores exigiram reformas profundas na Fifa

24/02/2016 19h59

Redação Central, 24 fev (EFE).- O escândalo de corrupção que rodeia a Fifa há quase um ano representou forte ameaça ao poderio financeiro da entidade, até o ponto de que esta reconheceu ter dificuldades para conseguir novos patrocinadores, após a exigência de reformas feita pelas empresas parceiras.

Meses antes, multinacionais como Castrol, Continental, Emirates e Sony já tinham decidido não renovar seus contratos com a entidade máxima do futebol. Depois das acusações contra dirigentes, Visa, Adidas, Hyundai e Coca-Cola esperaram pouco tempo para cobrar um comportamento ético e transparente.

A reivindicação veio depois das primeiras detenções de dirigentes, em maio do ano passado, na antevéspera do congresso que reelegeu o suíço Joseph Blatter para o quinto mandato à frente da Fifa e no qual os relatórios financeiros expuseram um recorde de lucro: US$ 5,718 bilhões no período 2011/2014. Desse total, 43% foram procedentes dos direitos de televisão. Já as despesas foram de US$ 5,38 bilhões.

Diante dos fatos, a Visa foi contundente em sua mensagem e advertiu estar disposta a reconsiderar seu patrocínio se a entidade não tomasse as medidas adequadas para reconstruir uma cultura com sólidas práticas éticas.

A fabricante alemã de artigos esportivos Adidas foi um pouco mais suave, mas também pediu a realização de mudanças no modo como a Fifa vinha sendo governada. A companhia reiterou sua política de buscar "os padrões mais altos no que se refere a comportamentos éticos", mas mostrou seu apoio à Fifa "para que estabeleça e consequentemente aplique padrões de administração transparentes".

A fabricante de veículos sul-coreana Hyundai/Kia se manifestou dizendo que, como empresa, "dá prioridade máxima às normas éticas e à transparência". Já a Coca-Cola lamentou que a "controvérsia tenha afetado a missão e os ideais da Copa do Mundo da Fifa", enquanto a McDonald's Corporation anunciou que "seguiria a situação muito de perto".

Meses depois dessas primeiras reações, no começo de outubro, Coca-Cola, McDonald's e Visa endureceram sua mensagem e exigiram a renúncia imediata de Joseph Blatter como presidente, após a divulgação de que ele estava recebendo acusações da justiça suíça.

"A cada dia que passa, a imagem e a reputação da Fifa se deteriora. A Fifa precisa de uma reforma integral e urgente, que só pode ser obtida através de um enfoque verdadeiramente independente", afirmou a marca de bebidas em 2 de outubro, em comunicado similar ao das outras duas empresas.

Na nota, a Coca-Cola destacou que a saída do dirigente suíço, que tinha anunciado que deixaria o cargo, mas que antes pretendia continuar à frente da organização até as eleições desta sexta-feira, permitiria um "processo de reforma crível e sustentável" na federação.

Blatter não renunciou, mas dias depois sentiu na pele a severidade do Comitê de Ética da própria Fifa. A suspensão de oito anos foi proposta, depois confirmada pela Câmara de Resolução, mas derrubada para seis anos nesta quarta-feira pelo Comitê de Apelação.

A Adidas foi além e pediu que a Fifa limitasse o período de mandato presidencial e de outros dirigentes, além de outras reformas estruturais. A solicitação não foi em vão, já que o Congresso desta semana vai submeter a votação uma série de reformas internas.

À margem de tudo isso, algumas empresas recuaram em sua associação com determinadas seleções e federações nacionais. Em dezembro, a Gillette rescindiu o contrato com a CBF para evitar que sua imagem seja vinculada às acusações de corrupção contra os dirigentes da entidade.

A confederação brasileira argumentou que a multinacional propunha há um ano renegociações contratuais inviáveis. No entanto, o certo é que três de seus últimos presidentes, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo del Nero, estão relacionados com o Fifagate, uma ameaça para uma organização que obteve US$ 2,484 bilhões por direitos televisivos no último período e US$ 2,428 pela bilhões apenas pelos da Copa de 2014.

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