Esporte

Meldonium: remédio cardiovascular ou substância dopante?

09/03/2016 16h32

Ignacio Ortega.

Moscou, 9 mar (EFE).- Recomendado para combater a insuficiência cardiovascular (isquemia), o meldonium foi incluído pela Agência Mundial Antidoping (AMA) na lista de substâncias proibidas no último dia 1º de janeiro e ganhou as manchetes depois de a tenista russa Maria Sharapova ter admitido que foi pega usando o remédio em um exame feito durante a disputa do Austrália Open.

Criado em 1976 pelo médico Ivar Kalvinsh em um instituto de pesquisa da antiga União Soviética, o meldonium permite que o coração suporte grandes cargas de trabalho intelectual ou físico, seja para estudantes universitários, profissionais liberais ou mesmo trabalhadores da construção civil.

Segundo Kalvinsh, que nasceu na Letônia, a substância melhora notavelmente a irrigação sanguínea e combate a falta de oxigênio, o que reduz a possibilidade de infarto ou trombose, especialmente em adultos e idosos. Para atletas, o uso do medicamento protege o coração nas fases de treinamento mais intensas.

O médico acredita que o meldonium salva vidas. E, caso tivesse sido usado por atletas nos últimos anos, poderia ter evitado mortes súbitas nos campos ou nas quadras nos últimos anos devido a problemas cardíacos não diagnosticados.

No entanto, Kalvinsh nega que o remédio melhore o rendimento físico dos atletas e considera a decisão da AMA uma "aberração". O médico, inclusive, pensa em pedir explicações ao órgão e exigir que exames clínicos justifiquem essa decisão.

Sharapova admitiu ter consumido meldonium durante os últimos dez anos devido a sua predisposição ao diabetes, eletrocardiogramas irregulares, deficiência imunológica e falta de magnésio.

No entanto, a AMA decidiu proibir a substância depois de receber alguns dados alarmantes que confirmavam o uso prolongado do meldonium por atletas profissionais mesmo após o fim da URSS.

Segundo revela o próprio Kalvinsh, o meldonium só está patenteado e é comercializado na Rússia e no leste europeu, sendo praticamente desconhecido nos demais países da região e nos Estados Unidos, onde sequer está registrado.

De acordo com a imprensa alemã, o último alarme disparou quando 17% das análises de sangue realizados por atletas russos - 724 de 4316 - mostravam rastros de Meldonium.

Considerando atletas do resto do mundo, apenas 2,2% consumiam a substância, de acordo com o laboratório antidoping de Colônia. No entanto, os Jogos Europeus disputados em julho de 2015, no Azerbaijão, essa porcentagem cresceu para 8,7%.

Especialistas do Ocidente consideram que o meldonium reduz o esgotamento físico, reduz o período de recuperação após grandes esforços, melhora o rendimento muscular e, portanto, a qualidade dos treinamentos.

De acordo com a imprensa russa, esses foram os motivos que fizeram a AMA proibir a substâncias na lista que contém hormônios e outros moduladores do metabolismo, cujo consumo é vetado inclusive fora do período de competições.

Na Rússia e em outras antigas repúblicas soviéticas, porém, o meldonium pode ser comprado sem receita em qualquer farmácia. O medicamento não é recomendado apenas para adultos com problemas cardíacos crônicos, mas também para grávidas.

Além de Kalvinsh, outros médicos e especialistas russos, assim como o ministro de Esportes do país, Vitaly Mutko, consideram que o meldonium não melhora o rendimento dos atletas que o consomem, mesmo que por períodos prolongados.

Ao contrário de outras ocasiões, a impressa russa preferiu não esconder o caso. Hoje, o jornal "Sport Express" trazia uma sincera mea culpa ao incluir na capa fotos de cinco atletas do país na lista dos que usaram o meldonium.

Além de Sharapova, testaram positivo para a substância os patinadores Semyon Elistaratov, campeão olímpico, Pavel Kulizhnikov, cinco vezes campeão mundial, e Ekaterina Bobrova, campeã olímpica por equipes. Também foi pego Aleksandr Markin, jogador de vôlei.

A Rússia teme que o novo escândalo, após a atual suspensão da Federação de Atletismo do país por conivência com o doping antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, faça com que seus atletas não possam disputar a próxima edição do evento em agosto deste ano, no Rio de Janeiro.

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