Esporte

Fifa acusa África do Sul de pagar para sediar Copa do Mundo de 2010

16/03/2016 13h14

Redação Central, 17 mar (EFE).- A Fifa solicitou à justiça americana a recuperação de "dezenas de milhões de dólares" de seus antigos dirigentes fiscalizados nos Estados Unidos, cuja investigação busca provar que a África do Sul pagou para obter os votos necessários na eleição da sede da Copa do Mundo de 2010.

O organismo liderado pelo suíço Gianni Infantino apresentou hoje estes documentos em uma tentativa de recuperar os milhões de dólares adquiridos ilegalmente por 39 integrantes da Fifa e outros dirigentes investigados pela justiça americana por corrupção.

Autodeclarada como "vítima" na documentação, a Fifa apresentou uma solicitação de restituição ao Escritório do Procurador dos Estados Unidos e ao Escritório de Liberdade Condicional dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova York, para que exija a indenização por parte dos 41 ex-funcionários e outras organizações de futebol, entre eles Chuck Blazer, Jack Warner, Jeffrey Webb e outros que foram acusados na investigação feita pelo Departamento de Justiça.

"Os acusados abusaram dos postos de confiança que tinham na Fifa e em outras organizações internacionais de futebol e causaram danos graves à Fifa, a suas associações membros e à comunidade do futebol. O dinheiro que embolsaram pertencia ao futebol mundial e estava destinado ao desenvolvimento e à promoção do jogo. A Fifa, como órgão reitor do futebol, quer o dinheiro e estamos decididos a consegui-lo sem importar o tempo que seja necessário", disse Infantino, eleito presidente da entidade no dia 26 de fevereiro como sucessor de Joseph Blatter, acusado pela justiça suíça.

A Fifa acredita que dezenas de milhões de dólares foram desviados da comunidade do futebol ilegalmente através de propinas, comissões ilegais e esquemas corruptos realizados pelos acusados. Esta quantia ainda pode aumentar à medida que a investigação continue.

A entidade pede a restituição do dinheiro desviado, assim como salários, prestações e bônus que os ex-funcionários receberam durante a permanência na Fifa e em outras organizações do esporte. Além disso, é cobrado dos dirigentes dinheiro pelos danos causados sobre a marca da Fifa e sua reputação, sua propriedade intelectual e suas relações de negócios.

Infantino entende que os acusados também se apropriaram do dinheiro de jogadores, treinadores e torcedores de todo o mundo que se beneficiam dos programas desenvolvidos pela Fifa para promover o futebol.

"Estes dólares eram destinados à construção de campos de futebol. Não eram para mansões, piscinas, joias e automóveis. Eram para financiar as categorias de base e o desenvolvimento técnico, não para assinar luxuosos estilos de vida. Quando a Fifa recuperar este dinheiro, voltará de novo ao seu propósito original: o benefício e desenvolvimento do futebol internacional".

Entre os documentos apresentados pela Fifa em relação à África do Sul, a entidade entende que foram pagos US$ 10 milhões em propinas em troca de votos para a escolha do país a Jack Warner, ex-presidente da Concacaf e ex-vice-presidente da Fifa, assim como a Chuck Blazer, ex-secretário geral da Concacaf, e a um terceiro membro do Comitê Executivo.

Warner, que foi detido e acusado pela justiça americana de fraude e lavagem de dinheiro, está em Trinidad e Tobago, seu país natal, com uma ordem de extradição aos Estados Unidos pendente.

Blazer, banido para sempre pela Fifa, renunciou em 2013 porque era investigado. Seu depoimento foi fundamental na investigação, sendo a origem de todo o 'caso Fifa'.

O organismo explica que Warner e sua família tinham estabelecido vínculos estreitos com a África do Sul durante a tentativa fracassada do país de ser sede da Copa do Mundo de 2006, concedida à Alemanha.

"Por exemplo, Daryan Warner - filho de Jack - tinha organizado uma série de amistosos entre as equipes da Concacaf na África do Sul, apoiando-se na rede de contatos de seu pai no local. Daryan Warner também serviu como cobrador de seu pai, viajando para um hotel em Paris para receber US$ 10 mil em espécie de um funcionário do comitê da candidatura de alta categoria da África do Sul e imediatamente voltar a Trinidad e Tobago", informou.

Os representantes da África do Sul "ofereceram um suborno mais atrativo" de US$ 10 milhões a Warner, Blazer e a um terceiro membro do Comitê Executivo por seus votos, segundo a Fifa.

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